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                          IEDI na Imprensa - Confiança da indústria sobe em dezembro e atinge o maior patamar desde maio de 2010

                          Publicado em: 28/12/2020

                          O Globo

                          Após atingir fundo do poço em abril, índice da FGV indica que setor está em 'conjuntura favorável', diz especialista. Mas estoques ainda estão baixos

                          Eliane Oliveira

                          A confiança da indústria voltou a subir em dezembro e atingiu o maior patamar desde maio de 2010. Segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta segunda-feira, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) avançou 1,8 ponto neste mês, somando 114,9 pontos. Em maio de 2010, o índice marcou 116,1 pontos.

                          O ICI encerrou o quarto trimestre com média de 113,1 pontos, 14,7 pontos a mais do que a média do terceiro trimestre (98,4 pontos), acrescentou a FGV.

                          — O Índice de Confiança da Indústria de Transformação encerra o ano com um desempenho surpreendente e muito expressivo. Após atingir o fundo do poço em abril, a recuperação da confiança, impulsionada pelos Bens Intermediários, indica que o setor esteja em uma conjuntura favorável, com aceleração da demanda e estoques ainda em nível considerado baixo — afirmou Renata de Mello Franco, economista do Ibre/FGV.

                          De acordo com o levantamento, 12 dos 19 segmentos industriais pesquisados registraram aumento da confiança na leitura de dezembro, e 17 se encontram em nível acima de fevereiro deste ano, antes da pandemia.

                          Neste mês, houve melhora das avaliações dos empresários em relação à situação corrente e das expectativas mais otimistas para os próximos três e seis meses. O Índice de Situação Atual (ISA) e Índice de Expectativas (IE) avançaram 1,7 ponto, para 119,9 pontos e 109,6 pontos, respectivamente.

                          Como o resultado de dezembro, o ISA atingiu o maior valor da série histórica e o IE alcançou o maior patamar desde 2011.

                          O Nível de Utilização da Capacidade Instalada cedeu 0,4 ponto percentual, para 79,3%. Apesar do resultado negativo pelo segundo mês, a média do NUCI do quarto trimestre (79,6%) ficou 4,3 p.p. acima da média do terceiro trimestre (75,3%).

                          De acordo com Renata, o resultado de dezembro, apesar de positivo, confirma no entanto a tendência de desaceleração das taxas de crescimento dos indicadores tanto de momento atual quanto das perspectivas futuras.

                          — Apesar das expectativas em geral indicarem otimismo, a incerteza elevada, a falta de matérias primas, a elevação de preços e a cautela dos consumidores têm deixado os empresários cautelosos em relação ao segundo trimestre — acrescentou a economista.

                          Indústria perde o fôlego

                          A indústria brasileira vem perdendo fôlego e começou a mostrar sinais de acomodação. Depois da queda acentuada no início da pandemia e recuperação entre maio e julho, em outubro, o setor avançou 1,1% na comparação com setembro, puxado pela indústria automotiva,  segundo o IBGE.

                          Foi a sexta alta consecutiva que levou o índice da indústria a ficar acima do patamar de fevereiro.  Em setembro, a indústria já havia conseguido zerar as perdas da pandemia. Por outro lado, no acumulado do ano, o indicador está em terreno negativo (-6,3%). Em 12 meses, a queda é de 5,6%.

                          Escassez de insumos

                          O crescimento da indústria foi freado pela escassez de matéria-prima e a alta dos preços dos indumos. Papelão, plástico, alumínio e vidro estão em falta nas linhas de produção, segurando a expansão de muitos segmentos no momento em que a demanda começa a ressurgir.

                          Segundo levantamento da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), em novembro, 75% das indústrias de transformação no país enfrentaram dificuldades para conseguir insumos. E 54% delas tiveram problemas para atender os clientes.

                          Ao comentar os dados, o  diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), Julio Gomes de Almeida, afirma que a expectativa do empresariado brasileiro com relação a 2021 seria bastante positiva, não fossem dois fatores: a redução do consumo, causada pelo fim do auxílio emergencial , e as dúvidas sobre o que acontecerá com os insumos e matérias-primas, que estão mais caros e escassos.

                          Para o analista, o ideal seria se o fim do auxílio emergencial fosse decretado no momento em que o nível de emprego voltasse ao nível pré-pandemia, em fevereiro deste ano. Caso contrário, o poder de compra da população será reduzido.

                          O consumo também será impactado pelo aumento dos custos dos insumos industriais, o que se refletiria em alimentos, por exemplo. As famílias teriam de readequar seu orçamento para comprarem produtos básicos.

                          — O industrial brasileiro está animado hoje, mas tem muitas dúvidas sobre o que vai acontecer no ano que vem. Sua rentabilidade tende a ser bastante afetada, se o auxílio emergencial acabar sem que o emprego tenha voltado e em um momento em que pode faltar insumos e aumentar ainda mais os preços das matérias-primas — disse Almeida.

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