Carta IEDI
A produção industrial do país apresenta certa resiliência em 2026, mas a composição de seu desempenho mudou bastante, com os juros elevados restringindo a indústria de transformação.
Reação da indústria de transformação mundial no 1º trim/26, com perfil disseminado entre as regiões, sendo Europa e América Latinas as exceções.
Esta Carta IEDI analisa a evolução mundial e a posição do Brasil no comércio internacional por valor adicionado, a partir de indicadores tradicionais de integração nas cadeias globais de valor.
Embora não tenha crescido no 1º trim/26, ao menos a indústria de transformação se estabilizou e muito disso deveu-se ao desempenho do grupo de média-baixa tecnologia.
A indústria acelerou seu crescimento em abr/26, mas o impulso foi bastante concentrado em combustíveis e no ramo extrativo, indicando um quadro de frágil dinamismo.
A trajetória da política industrial e de inovação nos EUA, de Obama a Trump II, conta com muitas continuidades, embora existam mudanças importantes de foco e de instrumentos.
Estudo realizado por Manoel Pires e Bráulio Borges indica ações de ajustamento fiscal, de modo a constituirmos um sistema fiscal mais eficiente, capaz de financiar políticas públicas de forma sustentável e de construir maior resiliência econômica para o país.
Estudo analisa a evolução da produtividade e dos salários da indústria nos últimos vinte anos, verificando se apresentam contribuição ao desenvolvimento dos países.
No 1º trim/26, a indústria como um todo saiu do vermelho, mas a produção de bens de capital, afetada pelos juros elevados, ficou para trás.
Nesta Carta IEDI, chamamos atenção para um aspecto que tem motivado menos debate do que a desindustrialização do Brasil que é a redistribuição da atividade industrial no território nacional.
No 1º trim/2026, o aumento do déficit da indústria de transformação foi amortecido pelo desempenho favorável das exportações de bens de alta intensidade tecnológica.
A guerra no Irã é mais um teste à resiliência da economia global, ainda que, segundo o FMI, seu impacto adverso tenda a ser parcialmente mitigado pela acomodação do ímpeto protecionista dos EUA, após decisão da Suprema Corte.
O 15º Plano Quinquenal da China coloca a modernização industrial, inovação e autossuficiência tecnológica como espinha dorsal de seu desenvolvimento com implicações para o Brasil e o mundo.
Embora tenha aumentado produção nos dois primeiros meses de 2026, a indústria do país se encontra em um quadro mais fraco do que de um ano atrás.
Com a desaceleração da indústria brasileira provocada pela alta dos juros e relativa resiliência do setor no mundo, recuamos consideravelmente no ranking global das indústrias mais dinâmicas em 2025.
Em 2025, a trajetória do emprego industrial se saiu melhor do que no restante do setor privado, ao menos até o último trimestre, quando deu sinal de inflexão.
Em 2025, dois temas marcaram o comércio exterior brasileiro: a imposição de tarifas pelos EUA, que não impediu que aumentássemos exportações, e a assinatura do acordo Mercosul-UE, um importante avanço que reforça a necessidade da agenda de competitividade para o Brasil.
Descuido do Brasil na criação de condições para uma trajetória superior da produtividade impõe ônus para atender os anseios populares de redução da jornada de trabalho.
A Lei de Aceleração Industrial da União Europeia, divulgada em março, dá musculatura à política industrial europeia, reforçando o vínculo entre a indústria e as ações de descarbonização e o apoio à inovação.
Para a indústria nacional, 2026 começou com aumento de produção com razoável intensidade, mas mesmo assim não suficiente para anular integralmente as adversidades do final de 2025.
