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                          IEDI na Imprensa - PIB Desacelera

                          Publicado em: 04/03/2026

                          O Globo

                          Com juro alto, economia cresce 2,3% em 2025, menor avanço em 5 anos. Guerra amplia incerteza

                          Vinicius Neder e Mayra Castro

                          A Política restritiva restritiva de juros, com a Taxa Selic há oito meses em 15% ao ano, maior nível em quase duas décadas, pesou, e o Produto Interno Bruto (PIB, valor de todos os bense serviços produzidos na economia) cresceu 2,3% no ano passado, abaixo dos 3,4% de 2024, informou ontem o TBGE. Mesmo puxado pelos fortes crescimentos da agropecuária e da indústria extrativa, foi o menor avanço em cinco anos, desde a recessão da Covid-19. E o freio continua. Antes mesmo da guerra dos EUA e de Israel contra o 1rã, deflagrada no sábado, as projeções de analistas apontavam para crescimento de apenas 1,8% este ano.

                          O risco agora é a escalada bélica reduzir ainda mais esse ritmo. Há receio também de que ela altere a trajetória de quedados juros esperada para este ano. E os efeitos de redução da Selic só devem chegar defatonaeconomiaem 2027. 

                          A freada da economia no ano passado veio dentro das estimativas: o PIB cresceu exatamente no ritmo apontado nas projeções colhidas pelo jornal Valor. O Banco Central (BC) eleva os juros para esfriar a economia, assim, segurar a inflação, maso ritmo de crescimento foi tão fracoem 2025 que, em vários componentes, o desempenho foi o pior dos anos póspandemia. De 2021 a 2024, na retomada, a economia cresceuacimade 3% ao ano. No ano passado, a perda de fôlego da economia foi puxada por uma estagnação no segundo semestre. No quarto trimestre, o crescimento foi de apenas 0,1% ante o terceito, quando ficou em zero. E mesmo no segundo trimestre, o avanço já havia sido de apenas 0,3%. O resultado anual só não foi pior porque mais uma supersafra de grãos eaalta na produção de petróleoegás fizeram a agropecuáriaea indústria extrativa sal tarem 11,7% e 8,6%, respectivamente (leia mais abaixo).

                          Consumo das Famílias

                          De 2021 a 2024 não houve uma sequência tão ruim do PIB, trimestre a trimestre. O mesmo vale para o consumo das famílias, principal componente do PIB pela ótica de demanda, que teve variação nula no quarto trimestre do ano passado e retração de 0,1% no terceiro, na comparação com os períodos imediatamente anteriores. 

                          “O consumo das famílias foi destaque de 2021a 2024,impulsionado por estímulos do governo e por avanços no emprego e na renda. O mercado de trabalho continua em seu melhor momento na história, mas uma das formas pelas quais a política de juros esfria a economia é no consumo das famílias —taxas mais altas encarecem parcelas de financiamento nas compras aprazoeo pagamento de em préstimos, além de desestimularem a abertura de vagas de emprego pelas empresas. — As famílias atingiram o recorde de endividamento ano passado, o que também influencia negativamente no consumo. O mercado de trabalho continua com indicadores favoráveis, assim como os programas de transferência de renda do governo. Mas apolítica de juros restritiva e o endividamento elevado puxam para baixo afirmou Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE. Thayná Souza, de 29 anos, aproveitou o momento ainda favorável do mercado de trabalho e, no ano passado, e começou a trabalhar, de carteira assinada, como auxiliar de produção na confeitaria Beju & Magi, com lojas na Tijuca e em Copacabana, no Rio. O emprego ajudou a fazer uma obra em casa, mas, ao mesmo tempo, Thayná sente  o peso dos juros. Fazer comprar maiores, de bens mais caros a prazo, ainda é uma dificuldade: —Fica mais caro com juros. Ainda no lado da demanda, os investimentos (a formação bruta de capital fixo, ou FBCF) também sofreram com os juros altos: cresceram 2,9% ano passado, bem abaixo dos 6,9% de 2024, desaceleração puxada por a uma queda de 3,5% no quarto trimestre. No lado da oferta, os serviços cresceram 1,8%, já que a demanda por eles tende aser menos dependente de crédito. Já a indústria de transformação, que produz os bens quase sempre vendidos a prazo, como automóveis, eletrodomésticos ou o maquinário usado na própria manufatura, viu uma retração de 0,2% em 2025, frustrando a alta de 39% de 2024. 

                          O freio na economia continuará neste ano por causa da chamada “defasagem” da política de juros. Quando o BC sobe a Selic, pode levar em torno de 12 meses para que o encarecimento do crédito se espalhe totalmente pela economia; no caminho inverso, demora até o alívio se traduzir em mais apetite por gastos das famílias e investimentos das empresas. 

                          Em janeiro, o BC sinalizou que começará a cortar a Selic este mês, mas a dúvida que paira entre economistas desde sábado é se o efeito da nova guerra no Oriente Médio sobre a disparada nas cotações do petróleo levará a autoridade monetária a mudar o plano, diante do risco de alta nos preços de combustíveis e insumos voltar a pressionar a inflação.

                          Pressão do Conflito

                          Além dos combustíveis, haverá pressão nos “fertilizantes e vários insumos da cadeia do plástico”, disse a economista Alessandra Ribeiro, diretora de Macro economia da Tendências: 

                          —E o BC, que já está super cauteloso nesse processo de redução dos juros, pode ser um pouco mais lento. Sendo mais lento, a política de juros pesa ainda mais na 

                          atividade econômica e tem um risco, sim, de maior desaceleração (em 2026). 

                          A Tendências projeta crescimento econômico de apenas 1,6% este ano, já considerando efeitos restritivos dos juros altos, mesmo com o ciclo de queda. Por enquanto, a consultoria está mantendo a estimativa, — mesmo com a guerra, disse Alessandra. 

                          Para Claudio Considera, pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economiada Fundação Getúlio Vargas (FGV Tbre), um adiamento no início do ciclo de baixada Selic é praticamente certo, por causa dos efeitos inflacionários da guera no Oriente Médio. 

                          Por outro lado, há economistas que não veem motivos para o BC alterar o plano de reduzir os juros ao longo deste ano —o que, mesmo assim, não resultaria em crescimento econômico melhor. Rafael Cagnin, economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), criticou o que seria uma cautela excessiva apenas nos ciclos de baixa: 

                          — No Brasil, para cima, todo santo ajuda. Para baixo, nem em nome de todos “os santos. Então, basta ter um pretexto. 

                          O economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato Barbosa, manteve as projeções para a Selic, até porque o. banco divulgou ontem trabalho estimando que, entre prós e contras, o Brasil pode sair ganhando com petróleo mais caro (leia mais na página 12). 

                          — O BC vai ter que pesar se acha que a guerra é situação que mudou o cenário ou simplesmente coisa passageira. Mesmo assim, ainda há espaço para cortar, porque começar a reduzir os juros não significa afrouxar. Seria apenas uma normalização, diante da inflação que já está mais benigna — disse Luís Otávio Leal, economista-chefe da gestora e consultoria financeira G5 Partners.

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