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                          IEDI na Imprensa - Produção das fábricas caiu 11,3%, pior resultado desde o auge da crise global, em 2009

                          Publicado em: 02/12/2015

                          Produção das fábricas caiu 11,3%, pior resultado desde o auge da crise global, em 2009

                          O Globo - 02/12/2015
                           
                          A construção civil encolheu 6,3%, na comparação do terceiro trimestre com o mesmo período do ano passado
                             
                          O péssimo desempenho da indústria de transformação — a produção no terceiro trimestre caiu 11,3% sobre o mesmo período de 2014 — e dos investimentos, que encolheram 15%, refletem o ciclo recessivo sem paralelo em que o país está imerso. Diante do grau de turbulência que domina o ambiente político do país, economistas e empresários consideram impossível prever quando esse cenário será revertido.
                           
                          Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, concorda que a crise de fato está mais intensa na indústria e nos investimentos. Mas, ressalva ele, a novidade dessa recessão, diferente de 2008 por exemplo, é que os serviços e o consumo também têm sido intensamente afetados:
                           
                          — É normal o investimento ser mais volátil e ter elevações e quedas mais intensas do que o resto da economia, como estamos vendo agora. O problema é que esta crise é longa e está longe de terminar .
                           
                          Vale destaca que, se considerados os dados de produção mensal em termos dessazonalizados, a indústria deverá regredir 13 anos ao chegarmos em 2016.
                           
                          — Ou seja, o índice (de produção) voltará para patamares de 2002, algo absolutamente inédito na economia.
                           
                          A construção civil encolheu 6,3%, na comparação do terceiro trimestre com o mesmo período do ano passado. Já a transformação, segmento que representa 75% da indústria geral, caiu 6,7% na mesma relação. Segundo Claudia Dionísio, gerente da pesquisa de Contas Nacionais do IBGE, tal retração se explica pelo crédito mais restrito e juros mais altos, que desfavorecem o investimento e o consumo.
                           
                          A indústria extrativa mineral amenizou o desempenho negativo do setor, com alta de 4,2%. No entanto, o ritmo do segmento vem caindo frente aos 8,2% do segundo trimestre e 12,5% do primeiro. Claudia explicou ainda que, com ligação de usinas termelétricas, a produção e distribuição de eletricidade gás e água cresceu 1,5% no período, ante queda de 1,6% no segundo trimestre.
                           
                          Rafael Cagnin, economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), avalia que a “matriz” da atual retração econômica está localizada na redução dos investimentos, que são fortemente afetados pela “derrocada” das expectativas empresariais e do “flagelo” de cadeias inteiras de produção afetadas pelas crises da Petrobras e do setor da construção pesada envolvidos na Lava-Jato.
                           
                          — O colapso do investimento impacta fortemente a indústria, que vê agravada sua crise, iniciada em 2011. Assim, estamos diante de uma crise de deterioração dos investimentos associada a uma deterioração da indústria nacional — diz.
                           
                          Além disso, lembra Cagnin, os efeitos do esgotamento do ciclo de crédito habitacional sobre a construção civil e da crise fiscal do governo sobre os setores de infraestrutura pesam tanto sobre a atividade industrial quanto no ritmo dos investimentos.
                           
                          — Isso afeta os investimento e também a indústria, que fornece insumos para esses segmentos. Além de não comprar máquinas e equipamentos, a indústria demanda menos obras de infraestrutura.
                           
                          Para os dirigentes empresariais, tanto quanto a crise econômica, a degradação do ambiente político contribui decisivamente para a paralisia que domina o país.
                           
                          — O governo está enfraquecido, não consegue se impor na área política e, assim, gera desconfiança em relação ao futuro e agrava a crise econômica — diz Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp).
                           
                          Carlos Pastoriza, presidente da Abimaq, que reúne as indústrias de máquinas e equipamentos, reforça que a crise política gera enorme desconfiança entre os setores empresariais, contribuindo para a crise.
                           
                          — A total desarmonia entre Executivo e Legislativo causou essa recessão. É a pior crise da história do país e estou rezando para virar a página da crise política, para que o país volte a crescer — diz Pastoriza.
                           
                          Efeito do impasse político
                           
                          O economista do Insper, Eduardo Correia, também credita a desaceleração do PIB industrial ao ambiente de falta de confiança. Segundo ele, um avanço nas medidas de ajuste fiscal pode mudar o quadro.
                           
                          — É impressionante a falta de sensibilidade dos políticos diante da crise econômica. Todo o mercado está esperando a definição desse conflito político para tomar decisões de investimento — diz o economista do Insper.
                           
                          Para Rodrigo Zeidan, professor de economia e finanças da Fundação Dom Cabral (FDC), a prioridade deve ser a superação do impasse político para destravar as decisões de investimentos do setor:
                           
                          — Como se investe em um cenário como esse? A economia é movimentada por expectativas e, as atuais, não são as melhores para aporte de recursos na melhoria da produção. 2015 está perdido, o 2016 está quase. Temos que correr para salvar 2017.
                           
                          Cagnin, do IEDI, observa ainda que os níveis de utilização da capacidade instalada são recordes em termos de ociosidade. Assim, mesmo com mudança no cenário, levará mais tempo para que o setor volte a investir.
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