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                          IEDI na Imprensa - Economistas Debatem o Perfil Industrial do País

                          Publicado em: 18/12/2014
                          Economistas Debatem o Perfil Industrial do País
                          Valor Econômico - 18/12/2014
                           
                          Chico Santos
                           
                          O Brasil construiu, especialmente a partir da década de 1950, um parque industrial diversificado que o levou, em 1980, à posição de 7ª maior economia industrial do mundo, respondendo por 2,7% da produção global de manufaturas, segundo dado do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Nas últimas três décadas, a emergência de países asiáticos, especialmente da China, reduziu a participação brasileira em 2014 a 1,6% do total e empurrou o país para a 11ª posição no ranking dos industrializados.
                           
                          Esse quadro, agravado pela crise que o setor enfrenta desde o segundo semestre de 2010, está gerando o debate sobre qual deverá ser o perfil industrial do país, levando em conta a competitividade internacional. Não há unanimidade, a não ser quanto à inevitável impossibilidade de competir com os asiáticos na produção de bens intensivos em uso de mão de obra, como calçados, têxteis e móveis.
                           
                          O economista Carlos Frederico Rocha, diretor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e especialista em indústria, avalia que as maiores perspectivas para o desenvolvimento de atividades de alto conteúdo tecnológico no Brasil e em outros países da América Latina estão nos setores baseados em "processos de fluxo", aquelas cadeias que nascem a partir de recursos naturais como petróleo, minerais e também de produtos agrícolas.
                           
                          Já nas indústrias que envolvem "processos de montagem", excluídas exceções como a cadeia aeronáutica, Rocha vê o Brasil com menos chance de ser competitivo, o que não significa que esses setores irão desaparecer. O economista destaca que o tamanho do mercado interno assegura um lugar para a indústria automobilística, um setor muito influenciado pelas políticas governamentais. Mas lembra que em 2013 as exportações do setor (veículos e peças) foram de US$ 15 bilhões e as importações alcançaram US$ 21 bilhões.
                           
                          Em um trabalho de sua autoria, Rocha destaca que de 1996 a 2013 os segmentos que cresceram na balança comercial brasileira foram aqueles baseados em "processos de fluxo", como bens agrícolas, commodities agrícolas e commodities industriais. Já na indústria tradicional e na área de produtos que ele chama de indutores de inovação, ambos relacionados a "processos de montagem", os números da balança comercial foram crescentemente negativo. A exceção deficitária entre os setores de "fluxo" é a do petróleo e gás, caso que, para ele, será revertido em alguns anos.
                           
                          Para ele, não há condições de competir com os asiáticos em setores intensivos em mão de obra e que o Brasil "perdeu o bonde das cadeias globais de valor" porque as empresas estavam também atrás de mão de obra barata, estágio que o país já deixou para trás. Acha que a política de inovação do governo está correta, mas vê lentidão no retorno.
                           
                          O economista Marcelo Nascimento, chefe do departamento da área de estudos e acompanhamento econômico do BNDES, concorda que o Brasil tende a perder nos segmentos intensivos em mão de obra, pagando o preço de ter ultrapassado o estágio vivido hoje pelos países asiáticos que se destacam nesse campo, mas enxerga a indústria brasileira avançando na diversificação competitiva, desde que em um ambiente macroeconômico mais favorável do que o atual e em um quadro de demanda global mais animador.
                           
                          Nascimento entende que a sobrevalorização do real provocada pelo ciclo das commodities da década de 2000 tirou a competitividade da indústria brasileira, uma situação que tende a mudar com a tendência atual de valorização do dólar americano. Ele lembra que o dólar valia R$ 1,56 em julho de 2011 e hoje oscila na casa dos R$ 2,60. A valorização cambial encareceu os custos não transacionáveis (sem alternativa externa), incluindo mão de obra e serviços, que representam 34% do valor de venda dos produtos industriais. O técnico do BNDES também vê a indústria brasileira penalizada pelo quadro negativo do comércio internacional, especialmente nos seus principais mercados, como Argentina e União Europeia.
                           
                          O economista Leonardo Carvalho, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vê a indústria padecendo de males estruturais, incluídas a infraestrutura deficiente, a carga tributária elevada e o ambiente de negócios ruim, e de males conjunturais, destacando o câmbio sobrevalorizado e a fraca demanda global. E não vê demérito em o país buscar ser forte no agronegócio e em recursos naturais, desde que sofisticando essas cadeias.
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