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                          Crise Cambial Está A Caminho, Diz Empresário

                          Publicado em: 04/05/2003

                          Crise Cambial Está A Caminho, Diz Empresário
                          Folha de São Paulo – 04/05/2003

                          Receita Heterodoxa - Para Ivoncy Ioschpe, governo não está construindo uma política de redução da dependência externa

                          Guilherme Barros
                          Editor do Painel S.A

                          Para o empresário Ivoncy Ioschpe, 63, presidente do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), o Brasil está caminhando em direção a uma nova crise cambial. Ele considera um erro o país acreditar que pode recuperar a credibilidade externa com a queda do dólar.

                          O que irá fazer o país ganhar credibilidade, diz Ioschpe, é a redução da dependência externa do país. Nesta entrevista, Ioschpe fala em nome do Iedi, um instituto de pesquisas mantido por grandes empresários da indústria país. Entre eles, Paulo Cunha, do grupo Ultra, Eugênio Staub, da Gradiente e eleitor de primeira hora do então candidato Lula, e Josué Gomes da Silva, da Coteminas e filho do vice-presidente José Alencar.

                          Ioschpe não poupou críticas ao presidente do BC, Henrique Meirelles, por ter dito que ainda há espaço para a queda do dólar. "O BC foi de uma irresponsabilidade muito grande ao dizer isso."
                           
                          Folha - A que o sr. atribui esse otimismo na economia?
                          Ivoncy Ioschpe -
                          Há uma percepção de que o problema externo no Brasil está em vias de pleno equacionamento. O que me preocupa é que essa conclusão se dá a partir de uma leitura equivocada.
                          As pessoas acham que a queda do dólar é o maior sinal do aumento da credibilidade externa. O presidente do BC não poderia ter dito que ainda há espaço no país para mais redução do dólar. O BC foi de uma irresponsabilidade muito grande ao dizer isso.

                          Folha - Qual seria o câmbio ideal?
                          Ioschpe -
                          Não quero discutir o valor do câmbio. Ele tem de ser o necessário para viabilizar um saldo da balança comercial suficiente para o Brasil pagar a conta do balanço de pagamentos.
                          Isso só se faz de uma maneira: pela redução da dependência externa. A credibilidade do Brasil só irá ocorrer quando conseguir reduzir a dependência externa.
                          O nosso objetivo no Iedi não é fazer uma crítica, mas um alerta. Esse alerta fizemos muitas vezes ao governo FHC, e infelizmente não fomos ouvidos.

                          Folha - O câmbio, no patamar atual, já prejudica as exportações?
                          Ioschpe -
                          O câmbio atual está inviabilizando os contratos de exportação. Os empresários já estão começando a perder contratos de exportação em diversos setores.
                          Neste momento, começou a comercialização da safra agrícola. Os agricultores, que compraram boa parte de seus insumos a um câmbio a R$ 3,80, vão ter que vender a produção agora a um câmbio a R$ 3. O agricultor vai exportar com prejuízo. E o que irá acontecer no ano que vem? O agricultor vai encolher a safra.

                          Folha - O Banco Central deveria interferir no câmbio?
                          Ioschpe -
                          A interferência no câmbio não é um direito, mas uma obrigação do Estado. Se não interferir, a autoridade estará se omitindo. Todos os países do mundo intervêm no câmbio.
                          Da mesma forma que o Copom se reúne para interferir nos juros, o BC também tem a obrigação de reduzir a dependência externa do país. Essa política é tão séria quanto a de combate à inflação.

                          Folha - Mas os indicadores econômicos do país estão melhores.
                          Ioschpe -
                          Qualquer efeito da má colocação da moeda não irá ser sentido no primeiro momento, mas quatro ou cinco meses depois. Por outro lado, o que fez subir o dólar no ano passado não foi a falta de credibilidade no país, mas as dúvidas do mercado financeiro internacional se Lula iria ou não cumprir os acordos. E é claro que essa alta criou uma onda inflacionária.
                          Evidente que no momento em que o BC deseja derrubar a inflação rapidamente, a queda do câmbio beneficia esse processo. Porém, não resolve o problema. Seria muito mais lógico manter o câmbio numa faixa mais alta. Se tentarmos resolver o problema da inflação via câmbio, poderemos ter uma nova crise cambial.
                          Só existe uma política de fato para evitar uma nova crise cambial, que é a de redução da dependência externa. E isso não se realiza em três ou seis meses, mas sim em uma década.

                          Folha - A queda da inflação não propicia a redução dos juros?
                          Ioschpe -
                          As autoridades já estão convencidas da necessidade de baixar os juros, seja para as empresas ou para os indivíduos. Estamos operando com uma das maiores taxas de juros que já houve na história do país. A consequência é o aumento do desemprego e o achatamento do mercado interno.
                          Câmbio livre não quer dizer que ele pode variar erraticamente de zero a cem. A autoridade monetária tem obrigação de administrar a variação do câmbio para que ele se mantenha numa faixa que mantenha a política de superávit comerciais elevados.
                          Está entrando no país dinheiro de curto prazo dos especuladores, mas todos sabemos que esse dinheiro será o primeiro a sair.

                          Folha - Mas o risco-país tem baixado bastante.
                          Ioschpe -
                          O risco-país não aumentou pelas contas básicas do país. Ele deu um salto durante o período eleitoral por uma questão política. Uma vez que os mercados verificaram que a questão política não mudou o cenário nacional, o risco-país voltou ao patamar que estava. Agora, na primeira crise internacional de liquidez, vamos ter dor de barriga. Não estamos construindo uma política consistente de longo prazo de redução da dependência externa.
                          Se o mercado notar que você precisa aumentar sua dívida para fazer frente a suas obrigações, você está de novo numa situação de forte dependência externa. O Brasil precisa perseguir, nos próximos dois ou três anos, saldos comerciais que possam pagar tudo isso. Nós vamos levar oito ou dez anos para equilibrar essa situação.

                          Folha - Lula está iludido?
                          Ioschpe -
                          Eu sinto que Lula sentiu, logo que assumiu o governo, a necessidade de mostrar credibilidade, e foi induzido a acreditar que essa credibilidade se daria se ele conseguisse reverter o risco Brasil. Dessa forma, recursos começariam a entrar no país. Na verdade, isso acontece. Só que é com recursos da especulação. O mais correto seria Lula comandar um processo para o país criar condições para alcançar os fortes superávits comerciais.
                          Imaginamos que o Brasil não deveria ter superávits menores do que US$ 18 bilhões ao ano. Em 2002, conseguimos US$ 13 bilhões, mas não podemos nos basear nesse resultado.
                          Precisamos aumentar nossas exportações e nossas importações, para aumentarmos os investimentos. Em 2002, as exportações cresceram apenas 3%, e as importações caíram 15%.

                          Folha - Em quanto tempo teremos crise cambial?
                          Ioschpe -
                          Não acho que venha no curto prazo, mas se o país persistir nesse erro, já vimos o filme antes. O fim será uma crise cambial. A política do Gustavo Franco levou quatro anos para sofrermos a primeira crise cambial. Depois dessa primeira crise, vivemos mais três crises seguidas.

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