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                          Carta IEDI

                          Edição 1366
                          Publicado em: 15/06/2026

                          Combustíveis e extrativa: destaques da indústria em abr/26

                          Sumário

                          Em abr/26, a indústria acelerou seu ritmo de crescimento, mas o impulso foi bastante concentrado em uma pequena fração do setor, indicando mais uma vez um quadro de frágil dinamismo.

                          Já descontados os efeitos sazonais, o resultado foi de +0,7% na passagem de mar/26 para abr/26, depois de ter variado +0,3% no mês anterior. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, por sua vez, cresceu +2,7%.

                          Em ambas as comparações, entretanto, o macrossetor de bens intermediários foi quem mais conseguiu ampliar produção. Na série com ajuste sazonal, que aponta evoluções mais de curto prazo, esta fração da indústria cresceu +1,5%, enquanto todas as demais ou ficaram no vermelho ou praticamente não saíram do lugar: +0,1% em bens de capital, -0,2% em bens de consumo semi e não duráveis e -3,2% em bens de consumo duráveis.

                          As contribuições positivas mais importantes foram assinaladas por indústrias extrativas (+3,1%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (+3,1%), em boa medida em consequência da reação à guerra no Irã, que incentivou a produção doméstica de combustíveis. Vale observar que a indústria de transformação em seu agregado mal saiu do lugar em abr/26 (+0,3%).

                          Na comparação interanual, também verificamos expansão acompanhada de aceleração somente de bens intermediários: +3,8% em abr/26 ante +3,0% em mar/26, puxada por derivados de petróleo (+8,2%), além de intermediários alimentícios (+8,6%) e de têxteis (+1,0%).

                          Outro caso de aumento de produção em abr/26 foi constatado em bens de consumo semi e não duráveis (+3,2%), ainda que em ritmo menos intenso do que no mês anterior (+4,7%). Em abr/26, grande contribuição veio justamente do ramo de combustíveis, com uma alta de +23,4% em álcool e gasolina.

                          Este perfil de crescimento setorial também teve reflexo na distribuição regional do dinamismo da indústria em abr/26. Os destaques positivos ficaram a cargo de Espírito Santo (+32,9%) e Rio de Janeiro (+10,1%), que assinalaram avanços de dois dígitos.

                          Estes parques foram impulsionados, principalmente, pela extração de óleos brutos de petróleo, minérios de ferro pelotizados ou sinterizados e gás natural, no primeiro caso, e da extração de óleos brutos de petróleo e gás natural e da produção de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (gás liquefeito de petróleo, naftas, querosenes de aviação e óleos combustíveis), no segundo no segundo caso.

                          Por fim, a parcela da indústria mais sensível à taxa de juros seguiu não se saindo bem. Bens de capital tiveram produção reduzida em -4,3% em comparação com abril do ano passado, puxada para baixo principalmente por bens de capital para a agricultura (-14,7% ante abr/25), em função do alto endividamento dos produtores do setor, e por bens de capital de uso misto (-15,7%).

                          Bens de consumo duráveis, a seu turno, caíram -3,4% em abr/26 ante abr/25, em função de forte declínio em eletrodomésticos (-9,1%) e também em móveis (-3,3%). Automóveis (+11,1% em jan-mar/26 para +1% em abr/26) e outros equipamentos de transporte (+9,7% e +1,4%, respectivamente) desaceleraram bastante.

                          O desempenho restringido desta parcela da indústria travou o crescimento do setor em São Paulo. A produção industrial paulista variou +1,4% em abr/26 ante abr/25, mas sem contar com contribuições positivas em máquinas e equipamentos (-8,2%), máquinas e aparelhos elétricos (-4,0%) e outros equipamentos de transporte (-14,1%). A produção de veículos no estado também desacelerou bastante (de +13,1% em mar/26 para +1,9% em abr/26).

                          Resultados da Indústria

                          Em abr/26, a produção industrial brasileira registrou avanço de +0,7% frente ao índice de mar/26 na série com ajuste sazonal, marcando o quarto mês seguido com taxa positiva, período em que acumulou ganho de +4,4%. 

                           

                          Na série sem ajuste sazonal, no confronto com abr/25 o total da indústria assinalou expansão de +2,7%, após alta de +4,4% em mar/26. Com isso, no indicador acumulado para o primeiro quadrimestre de 2026, o setor industrial apontou crescimento de +1,7%. No acumulado nos últimos doze meses a produção da indústria cresceu +0,7% em abr/26, permanecendo em terreno positivo.

                           

                          A variação positiva de +0,7% da atividade industrial na passagem de mar/26 para abr/26 na série com ajuste sazonal foi impulsionada pelos resultados positivos em dois dos quatro macrossetores. Bens intermediários (+1,5%) registrou a expansão mais elevada em abr/26, marcando a quarta taxa positiva consecutiva, período em que acumulou crescimento de +6,0%. Os bens de capital (+0,1%) também registraram avanço, porém bem menos intenso. Por outro lado, os bens de consumo semi e não duráveis (-0,2%) e bens de consumo duráveis (-3,2%) assinalaram os resultados negativos do mês. 

                           

                          Na comparação mês/mesmo mês do ano anterior, o acréscimo de +2,7% da indústria total em abr/26 foi puxado por dois dos quatro macrossetores: bens intermediários (+3,8%) e bens de consumo semi e não duráveis (+3,2%) assinalaram os resultados positivos, enquanto os setores produtores de bens de consumo duráveis (-3,4%) e de bens de capital (-4,3%) registraram taxas negativas. 

                          Os bens intermediários tiveram avanço de +3,8% em abr/26 frente a igual mês do ano anterior, a quarta taxa positiva consecutiva e a mais elevada desde mai/25 (+5,3%). Esse resultado foi explicado pelos avanços nos produtos associados às atividades de indústrias extrativas (+10,6%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (+8,7%), produtos alimentícios (+8,6%), produtos de borracha e de material plástico (+4,2%), veículos automotores, reboques e carrocerias (+1,1%) e produtos têxteis (+1,0%), enquanto as pressões negativas foram registradas por produtos químicos (-5,7%), produtos de metal (-4,1%), metalurgia (-1,7%), celulose, papel e produtos de papel (-3,5%), produtos de minerais não metálicos (-1,0%) e máquinas e equipamentos (-2,0%).

                          O segmento de bens de consumo semi e não duráveis teve crescimento de +3,2% em abr/26, segunda taxa positiva consecutiva. O desempenho foi explicado pelos avanços observados no grupamento de carburantes (+23,4%), alimentos e bebidas elaborados para consumo doméstico (+0,5%) e de não duráveis (+1,0%). Por outro lado, os grupamentos de semiduráveis (-4,6%) e de alimentos e bebidas básicos para consumo doméstico (-45,5%) apontaram as taxas negativas em abr/26.

                          O setor produtor de bens de consumo duráveis, por sua vez, recuou -3,4% em abr/26, após avançar +18,6% em mar/26. O setor foi pressionado pelos recuos verificados nos grupamentos de outros eletrodomésticos (-27,7%) e de móveis (-3,3%). Por outro lado, os principais impactos positivos vieram de eletrodomésticos da “linha branca” (+10,3%) e da “linha marrom” (+8,6%), automóveis (+1,0%) e motocicletas (+5,8%). 

                          Ainda no confronto com igual mês do ano anterior, a produção de bens de capital recuou -4,3% em abr/26. O segmento foi influenciado pelos recuos observados nos grupamentos de bens de capital de uso misto (-15,7%), agrícolas (-14,7%), bens de capital para fins industriais (-3,0%) e para energia elétrica (-1,0%). Por outro lado, os subsetores de bens de capital para equipamentos de transporte (+2,5%) e para construção (6+,9%) assinalaram os impactos positivos.

                           

                          No índice acumulado para jan-abr/26, frente a igual período do ano anterior, o setor industrial assinalou avanço de +1,7%, com resultados positivos em três das quatro grandes categorias econômicas: bens intermediários (+2,3%) e bens de consumo semi e não duráveis (+2,2%) assinalaram as variações positivas acima da média da indústria, seguidos por bens de consumo duráveis (+0,2%). Por outro lado, os bens de capital (-5,7%) assinalaram a única taxa negativa no indicador acumulado do primeiro quadrimestre do ano.

                          Por dentro da Indústria de Transformação

                          A produção do total da indústria brasileira assinalou crescimento de +0,7% em abr/26 frente a mar/26 na série livre dos efeitos sazonais. Neste mês, a indústria de transformação cresceu +0,3% nesta comparação, enquanto a produção da indústria extrativa avançou +3,1%.

                          Na comparação com abr/25, o resultado de +2,7% da indústria geral foi puxada pela indústria de transformação (+1,2%) e pela indústria extrativa (+10,6%). 

                           

                          No resultado frente a mar/26, com ajuste sazonal, observou-se avanço da produção em 14 dos 25 ramos industriais pesquisados. Entre as atividades, as influências positivas mais importantes foram assinaladas por coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (+3,1%), produtos de borracha e de material plástico (+3,1%), produtos de madeira (+8,5%), produtos têxteis (+4,1%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (+2,2%). 

                          Por outro lado, entre as atividades que mostraram recuo na produção, a de produtos químicos (-3,9%) exerceu a principal influência, seguida por produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-6,0%), máquinas e equipamentos (-2,9%), veículos automotores, reboques e carrocerias (-0,7%) e metalurgia (-1,0%).

                           

                          Na comparação com o mesmo mês de 2025, o setor industrial assinalou variação de +2,7% em abr/26, com resultados positivos em 8 dos 25 ramos, 33 dos 80 grupos e 46,4% dos 789 produtos pesquisados. Vale citar que abr/26 (20 dias) teve o mesmo número de dias úteis que igual mês do ano anterior (20).

                          Entre as atividades, as principais influências positivas na indústria de transformação foram registradas por coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (+13,3%), produtos alimentícios (+3,2%), produtos de borracha e de material plástico (+3,8%) e veículos automotores, reboques e carrocerias (+1,4%). Por outro lado, ainda na comparação com abr/25, entre as atividades que apontaram redução na produção, produtos químicos (-4,5%) e máquinas e equipamentos (-7,0%) foram as maiores influências negativas.

                           

                          No índice acumulado para jan-abr/26, frente a igual período do ano anterior, o setor industrial assinalou variação positiva de +1,7%, com resultados positivos em 9 dos 25 ramos, 30 dos 80 grupos e 42,2% dos 789 produtos pesquisados. Entre as atividades, as principais influências positivas foram registradas por coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (+5,0%), produtos alimentícios (+2,7%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (+11,1%), veículos automotores, reboques e carrocerias (+2,0%) e bebidas (+2,2%). Por outro lado, entre as atividades que apontaram redução na produção no periódo, a de máquinas e equipamentos (-8,7%) representou o maior impacto negativo.

                           

                          Utilização de Capacidade

                          A utilização da capacidade instalada da indústria de transformação, de acordo com a série da FGV com ajustes sazonais, avançou +0,8 p.p. na passagem de mar/26 para abr/26, registrando patamar de 83,2%. Em mai/26, a capacidade instalada apresentou recuo de –0,4 p.p., ficando em 82,8%.

                           

                          De acordo com os dados da CNI, a utilização da capacidade instalada caiu –0,4 p.p. entre mar/26 e abr/26 (77,1%), considerando os dados livres de efeitos sazonais. Na comparação entre abr/25 e abr/26, essa variável registrou decréscimo de –1,6 pontos percentuais.

                          Estoques

                          De acordo com os dados da Sondagem Industrial da CNI, o indicador da evolução dos estoques de produtos da indústria total ficou em 49,4 pontos em abr/26, apresentando crescimento de +0,6 pontos frente a mar/26. No caso do segmento da indústria de transformação, o indicador da CNI foi de 48,6 pontos em mar/26 para 49,4 pontos em abr/26. A indústria extrativa, por sua vez, recuou –4,4 p.p, (48,4 pontos) no mesmo período.

                          Para a indústria geral, o indicador de satisfação dos estoques foi de 49,5 pontos em mar/26 para 48,9 pontos em abr/26, sinalizando que os estoques estão menores que o desejado. Cabe lembrar que o nível de equilíbrio é de 50,0 pontos, visto que acima desse valor há excesso de estoques e abaixo dele, estoques menores do que o desejado. No caso do setor extrativo e no caso da indústria de transformação, o indicador de satisfação registrou 49,8 pontos e 49,0 pontos, respectivamente.

                          Em abr/26, apenas 16% dos ramos industriais apresentaram estoques maiores do que o planejado (acima de 50 pontos), abaixo do resultado do mês anterior (28,0%). Entre os ramos acima de 50 pontos em abr/26 ficaram: calçados (53,8 pontos), informática, eletrônicos e ópticos (53,6 pontos), têxteis (52,4 pontos) e biocombustíveis (51,9 pontos).

                          Por outro lado, ficaram abaixo e mais distantes do equilíbrio os seguintes ramos: impressão e reprodução e manutenção e reparação (ambos com 37,5 pontos), limpeza e perfumaria (42,0 pontos), borracha (45,3 pontos) e couros (45,5 pontos).

                           

                          Confiança e Expectativas

                          O Índice de Confiança do Empresário da Indústria de Transformação da CNI registrou 48,2 pontos em mai/26, crescendo +1,9 p.p. frente a abr/26. Na passagem de abr/26 para mai/26, o componente referente às expectativas em relação ao futuro foi de 48,9 para 50,8 pontos, passando para a zona de otimismo. O componente que capta a percepção dos empresários quanto a evolução presente dos negócios cresceu +1,9 p.p., porém manteve-se na região pessimista (43,0 pontos).

                           

                          O Índice de Confiança da Indústria de Transformação (ICI) da FGV avançou +1,1 p.p. na passagem de abr/26 para mai/26, registrando 97,1 pontos, ficando ainda na região de pessimismo, ou seja, abaixo de 100 pontos.

                          O resultado de mai/26 foi influenciado pela alta tanto do seu componente referente às expectativas futuras, que passou de 95,5 pontos para 95,6 pontos em mai/26, quanto do índice da situação atual, que foi de 96,5 pontos para 98,7 pontos.

                           

                          Outro indicador utilizado para avaliar a perspectiva do dinamismo da indústria é o Purchasing Managers’ Index – PMI Manufacturing, calculado pela consultoria Markit Financial Information Services, que registrou movimento contrário. Em abr/26, ficou em 52,6 pontos, recuando para 49,1 pontos em mai/26, indicando piora do quadro de negócios do setor.

                           

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