Carta IEDI
Reação das exportações industriais de alta tecnologia
No 1º trim/26, a indústria de transformação brasileira acumulou déficit de US$ 19,7 bilhões, pouca coisa acima (+1,2%) do valor registrado no início de 2025, enquanto o superávit do total da balança comercial (US$ 14,2 bilhões) do país apresentou importante reforço (+47,6%), apoiado no recente aumento de preços de commodities e em uma base baixa de comparação, em função da ofensiva protecionista do governo Trump no 1º trim/25.
Enquanto as importações de bens industriais cresceram o dobro da importação total do país (+2,3% ante +1,3%, respectivamente), nossas exportações destes bens progrediram menos da metade do ritmo dos nossos embarques totais (+2,8% ante +7,1%).
A Carta IEDI de hoje analisa esta evolução dos fluxos de comércio externo de bens industriais segundo a sua intensidade tecnológica, de acordo com a metodologia difundida pela OCDE.
A expansão dos embarques brasileiros de bens industriais implicou US$ 1,2 bilhão a mais do que no 1º trim/25, sendo que o aumento da exportação de bens da indústria de alta tecnologia correspondeu sozinho por 63% deste total.
O grupo de alta tecnologia registrou avanço de +51% nas exportações, baseado nas vendas do setor aeronáutico, que quase dobraram entre jan-mar/25 e jan-mar/26. Muito disso esteve associado a uma base deprimida de comparação na entrada do ano passado devido às perturbações do comércio mundial com as medidas do governo Trump. Os outros componentes do grupo também ampliaram embarques.
Por outro lado, as importações deste grupo recuaram -2,5% também sob influência de aeronaves, o que levou a uma redução de -8,7% do déficit do grupo de alta tecnologia, que acumulou valor de US$ 11,4 bilhões.
Outro destaque positivo neste começo de ano coube ao desempenho dos bens da indústria de média tecnologia, cujas exportações registraram expansão de +10,6%, impulsionadas pelas do ramo da metalurgia (+15,3%). Suas importações também cresceram, mas bem menos: +2,9%.
O saldo do grupo de média tecnologia voltou a ser deficitário, em US$ 680 milhões, em jan-mar/26, mas este resultado está sob influência do efeito da contabilização de plataformas de petróleo, que desde o ano passado distorce certos trimestres. Desconsiderado o ramo de construção naval em que aparecem, o saldo da indústria de média tecnologia foi superavitário em US$ 1,8 bilhão.
Chama atenção ainda a estabilidade das exportações de bens a indústria de média-baixa tecnologia, que tradicionalmente apresenta uma balança fortemente superavitária, devido a ramos de processamento de commodities.
Seu desempenho exportado foi de apenas +0,2% frente a uma alta de +4,2% de suas importações ensejadas por produtos têxteis, vestuário e calçados (+9,6%) e por produtos de metal (+8,0%). O saldo da indústria de média-baixa seguiu sendo o único superavitário, mas o valor registrado de US$ 12,6 bilhões, significou uma queda de -3,1% em comparação ao 1º trim/25.
Por fim, os bens da indústria de média-alta tecnologia, que respondem pelo maior déficit de todas as faixas de intensidade tecnológica, viu suas exportações encolherem -4,4% em jan-mar/26 ante jan-mar/25 e suas importações crescerem +3,6%.
O déficit deste grupo atingiu US$ 20,2 bilhões, com um aumento de +7,1% em relação ao início de 2025, condicionado pela balança do setor de veículos e autopeças, cujo déficit praticamente dobrou no período, de US$ 1,6 bilhão no 1º trim/25 para US$ 3,3 bilhões no 1º trim/26.
Cabe observar que as importações de veículos e autopeças saltaram +23,6% nesta entrada de ano, tendo no desembarque de exemplares elétricos chineses uma importante alavanca, reagindo não apenas à apreciação do real e ao dinamismo de lançamento desta indústria na China (a cada 1,3 ano em média ante 4,2 anos de marcas não chinesas, como discutido na Carta IEDI n. 1317), mas também como antecipação antes de novos aumentos de tarifas de importação, que chegará a 35% em jul/26.
Bens típicos da indústria de transformação e a balança comercial
O Brasil logrou, no primeiro trimestre de 2026, superávit comercial de US$ 14,2 bilhões, superando a grandeza do saldo em dólares correntes para janeiro-março do ano passado, mas aquém dos resultados de 2024 e de 2023. O avanço do superávit decorreu de avanço de 7,1% nas exportações, atingindo US$ 82,3 bilhões, recorde em dólares correntes. As importações também cresceram, mas com menos ímpeto, 1,3%, chegando a US$ 68,2bilhões, patamar sem igual para primeiro quarto em dólares correntes.
O saldo do trimestre inicial de 2026 foi obtido principalmente pelo superávit de US$ 33,8 bilhões nos demais produtos, mormente agropecuários, da pesca e minerais, recorde em dólares correntes para janeiro-março. Suas exportações avançaram 12,5% frente a igual período do ano anterior, atingindo US$ 38,5 bilhões patamar sem equivalente em dólares correntes para tal período do ano. Suas importações recuaram 10,5%.
No caso dos produtos tipicamente oriundos da indústria de transformação, o déficit aumentou frente a janeiro-março de 2025, saindo de US$ 19,4 bilhões para US$ 19,7 bilhões, mesmo com suas exportações crescendo 2,8%, para US$ 43,9 bilhões, recorde em dólares correntes para primeiro trimestre. Apesar de tanto, as importações cresceram 2,3%, para US$ 63,5 bilhões, também o maior da série para janeiro-março.
Tal como um ano atrás, a balança dos bens típicos da indústria de transformação em janeiro-março de 2026 registrou déficit maior do que no mesmo período de 2025. A deterioração no saldo ocorreu com aumento na corrente de comércio, inclusive das exportações.
As condicionantes externas têm sido um desafio até para a redução na taxa de juros. Se, por um lado, o tarifaço imposto pelos EUA ao Brasil em 2025 foi em larga medida contornado pela capacidade da diplomacia brasileira, pela postura altiva do poder executivo e pela proatividade do empresariado nacional, por outro, o mais recente conflito deflagrado em 20 de março último no Irã tornou-se o mais novo desafio do cenário internacional. Em seu bojo está parte relevante do escoamento de petróleo mundial, com choque de oferta decorrente do bloqueio iraniano do estreito de Ormuz.
O Brasil tem apresentado até uma situação relativamente privilegiado frente a boa parte do globo dada sua matriz energética. Todavia o tão aguardado processo de redução na taxa de juros deve ser arrefecido, com o agravante do patamar estar em nível elevadíssimo. Os desdobramentos na balança comercial brasileira desse novo choque no plano internacional só serão devidamente observados nas próximas divulgações dos dados de comércio exterior.
A balança por intensidade tecnológica
Como exposto em cartas anteriores, a nova classificação por intensidade de P&D ou tecnológica constante de publicação da OCDE passou a abranger todas as atividades econômicas, não apenas as da indústria de transformação do esforço anterior. Ademais, se antes foram definidas quatro faixas de intensidade (alta, média-alta, média-baixa e baixa), passaram a ser cinco segmentos: de alta intensidade, de média-alta, média, média-baixa e de baixa intensidade de P&D ou tecnológica. No caso dos produtos da indústria de transformação, estes se fazem presentes nas quatro primeiras faixas, não havendo bens dessa atividade na de baixa intensidade.
Na faixa de alta intensidade, as atividades da indústria de transformação são as mesmas da classificação anterior. Acompanhando-as estão duas de serviços, P&D científico e publicação de software. A partir da divulgação na plataforma Comexstats dos dados de exportação e importação segundo a Classificação Industrial Internacional Uniforme, pode-se averiguar que não tem havido transações de produtos oriundos de tais serviços na balança comercial.
No segmento de média-alta, dois agrupamentos de bens foram acrescidos àqueles tipicamente fabricados por atividades dessa faixa: equipamento bélico pesado, armas e munições; e instrumentos e materiais de uso médico e odontológico e artigos óticos. Ademais os serviços de tecnologia de informação (TI) e prestação de serviços de informação passaram a compor o segmento de média-alta, embora não tenham itens transacionados na balança comercial.
Quanto ao segmento de média intensidade, guarda semelhança com a versão anterior da faixa de média-baixa intensidade, sendo que, o grupo dos produtos metálicos e da metalurgia foi dividido, ficando na faixa de média, apenas os da metalurgia. Também abarca os produtos diversos e a atividade de manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos. Esta é a única faixa na qual todas as atividades são da indústria de transformação.
Já a faixa de média-baixa intensidade conta com boa parte dos ramos da indústria de transformação que, antes, eram considerados de baixa intensidade (a exceção ficou por conta dos bens diversos, que foi para a de média intensidade), com a adição dos produtos de metal e da fabricação de coque, derivados de petróleo refinado e demais combustíveis. O segmento de média-baixa conta ainda com os serviços profissionais, científicos e técnicos; telecomunicações; e edição (com ou sem impressão), e com a indústria extrativa (extração mineral).
A faixa de baixa intensidade tecnológica não abarca nenhuma atividade da indústria de transformação, embora encampe duas atividades industriais: construção; e a produção e distribuição de eletricidade, gás, água, esgoto e atividades de gestão de resíduos. A agropecuária, produção florestal, pesca e aquicultura também compõe essa faixa, afora os serviços que não foram mencionados acima.
Considerando tanto, a balança comercial do Brasil pode ser esmiuçada partir da versão atualizada da classificação por intensidade tecnológica, tendo por base os esforços de pesquisa e desenvolvimento (P&D).
No primeiro trimestre, a balança comercial de bens produzidos pelas indústrias de alta intensidade tecnológica apresentou saldo negativo de US$ 11,4 bilhões, abaixo do déficit recorde da série em dólares correntes registrado no mesmo período de 2025.
As exportações desses bens avançaram bastante, 50,8%, no contraponto entre primeiros trimestres de 2026 e de 2025, chegando a US$ 2,2 bilhões. As vendas externas de seus três ramos cresceram, com destaque para produtos aeronáuticos (aeronaves, suas partes e peças etc.), quase dobrando o montante exportado.
As importações dos bens de alta intensidade tecnológica, a seu turno, retrocederam 2,5%, por conta da retração de 45,1% nas compras externas de aeronaves e afins. As dos demais ramos cresceram, com as de produtos farmacêuticos aumentando 21,6%. Embora os déficits de produtos farmacêuticos e dos bens do complexo eletrônico tenham crescido, a redução do déficit de produtos aeronáuticos levou ao menor déficit na faixa como um todo. Os bens eletrônicos responderam por praticamente 60% do déficit dessa faixa.
O segmento de média-alta intensidade encerrou janeiro-março com intercâmbio negativo de US$ 20,2 bilhões, o maior déficit dentre as cinco faixas em 2026 e o maior da série em dólares correntes para esta faixa. A redução de 4,4% nas exportações, para US$ 9,8 bilhões, concorreu bem para tanto.
Apenas três dos sete ramos ampliaram suas exportações: outros equipamentos de transporte terrestre (ferroviários, motocicletas etc.), com a maior taxa, mas sem expressão; máquinas e equipamentos não especificados noutras atividades (M&E), 10,9%; o de máquinas, aparelhos e materiais elétricos, 3,6%.
As aquisições externas das mercadorias em questão cresceram 3,6%, atingindo US$ 29,5 bilhões, recorde em dólares correntes para janeiro-março. Aumento importador decorrente de três ramos, com liderança de veículos automotores, reboques e carrocerias, quer pela taxa, quer por seu peso. Ainda assim, os produtos químicos e M&E registraram os maiores déficits e montantes importados dentre os ramos dessa faixa. Somente equipamentos bélicos, armas e munições lograram superávit.
Quanto aos bens típicos de atividades de média intensidade tecnológica, todas da indústria de transformação, apresentaram déficit de US$ 680 milhões em janeiro-março de 2026, déficit menor do que em igual trimestre de 2025, mas contrastando com os superávits de anos anteriores. Suas exportações avançaram 10,6%, chegando a US$8,4 bilhões, puxada pelos produtos metalúrgicos e pelos bens diversos, com os demais ramos exportando menos.
As importações, por sua vez, cresceram 2,9%, puxada pelas compras de produtos de borracha e de material plástico e de produtos metalúrgicos. Embora as importações de equipamentos do setor de construção de embarcações (indústria naval e náutica) tenham recuado, seu déficit de US$ 2,5 bilhões concorreu sobremaneira para o saldo negativo da faixa como um todo, tal como ocorrera no primeiro trimestre de 2025.
Os produtos metalúrgicos, notáveis por seus expressivos superávits até logrou superávit maior do que em igual período de 2025, puxado pelo avanço de dois dígitos de suas exportações. O ramo de produtos de borracha e de plásticos e o de bens diversos mantiveram sua típica condição deficitária.
Já o superávit dos bens típicos das atividades de média-baixa intensidade tecnológica alcançou US$ 30,6 bilhões no primeiro trimestre 2026, patamar sem igual para janeiro-março em dólares correntes. Esse aumento frente a igual período de 2025 se deveu ao crescimento de 9,5% nas exportações, atingindo US$ 44,7 bilhões, também recorde. As importações cresceram 1,8%, ou seja, com menor ímpeto.
Os produtos da indústria extrativa registraram o maior superávit e maior montante exportado para janeiro-março em dólares correntes, US$ 18,0 bilhões e US$ 20,8 bilhões, respectivamente, puxando o saldo e as exportações da faixa de média-baixa intensidade como um todo. As importações de minérios recuaram 7,4%.
As exportações de bens da indústria de transformação dessa faixa ficaram praticamente estáveis, 0,2%, mas o suficiente para atingir novo recorde, US$ 23,9 bilhões. Suas importações cresceram 4,2%. Tais números propiciaram o superávit de US$ 12,6 bilhões, abaixo de seu correspondente do ano passado.
As exportações cresceram principalmente devido a dois ramos intensivos em recursos naturais: coque, produtos derivados de petróleo refinado e biocombustíveis, mas com aumento de seu déficit; e o ramo dos bens alimentícios, bebidas e fumo, que atingiu nível recorde em dólares correntes para primeiro trimestre e com aumento em seu superávit. Outro a ampliar suas vendas externas foi o de produtos metálicos, mas cujo déficit atingiu seu maior patamar em dólares correntes para janeiro-março.
As importações cresceram em quase todos os ramos, com exceção de alimentos, bebidas e tabaco. O superavitário ramo de produtos madeireiros, móveis, papel, celulose e afins registrou a maior ampliação nas importações, seguido de perto pelos deficitários ramos têxtil, de artigos de vestuário, de couro e calçados e de produtos metálicos.
Passando para o segmento de baixa intensidade, no qual se destacam os produtos agropecuários e pescados, logrou saldo positivo de US$ 15,7 bilhões no quarto inicial de 2026, recorde para primeiro trimestre em dólares correntes. Suas exportações cresceram 2,4%, alcançando .US$ 17,3 bilhões, também recorde.
Foi essa a mesma taxa de aumento nas vendas externas de gêneros agropecuários e da pesca e aquicultura, cujas exportações e superávit atingiram, respectivamente, US$ 17,2 bilhões e US$ 15,8 bilhões, patamares sem equivalentes em dólares correntes para primeiro trimestre. As importações tanto da faixa como um todo, quanto a de seu ramo mais expressivo recuaram quase 20% também contribuindo para os saldos expressivos.
Os produtos oriundos da produção e distribuição de eletricidade, gás e água e aqueles originados por serviços têm pouca participação nos fluxos comerciais desse segmento. Esta faixa não inclui bens da indústria de transformação.
Bens da indústria de transformação de alta intensidade tecnológica
Em janeiro-março último, como antes citado, os bens da indústria de transformação de alta intensidade experimentaram déficit de US$ 11,4 bilhões, abaixo do déficit do mesmo período do ano anterior, que foi recorde da série em dólares correntes para primeiro trimestre. Ainda no contraponto com o mesmo trimestre do ano anterior, suas exportações em dólares correntes avançaram sobremaneira, 50,8%, chegando a US$ 2,2 bilhões. Já as importações recuaram 2,5%, ficando em US$ 13,6 bilhões.
Os produtos da indústria aeronáutica registraram déficit de US$ 331 milhões, magnitude inferior a US$ 2,2 bilhões frente ao primeiro trimestre do ano passado. Essa expressiva redução no déficit ocorreu aumento de 91,1% de suas exportações, chegando a US$ 1,5 bilhão. Suas importações declinaram 45,7%, para US$ 1,8 bilhão, também contribuindo para a redução do déficit não só desse ramo, mas da faixa de alta intensidade como um todo.
Quanto aos produtos do complexo eletrônico, como tem sido a tônica, registraram o maior déficit desse segmento, de US$ 6,8 bilhões, correspondendo a 59,4% do saldo negativo da faixa. Suas vendas externas aumentaram 4,3% no confronto entre primeiros trimestres, para US$ 416 milhões, montante de pouca expressão. As importações de eletrônicos, por sua vez, cresceram mais, 5,3%, alcançando US$ 7,2 bilhões.
No caso dos produtos farmacêuticos, suas vendas externas avançaram 8,4% no primeiro trimestre, para US$ 323 milhões. Já suas importações avançaram na casa dos dois dígitos, 21,6%, elevando-as para US$ 4,6 bilhões. Dessa maneira, esse ramo experimentou déficit de US$ 4,3 bilhões, o maior já registrado na série em dólares correntes para janeiro-março.
Bens da indústria de transformação de média-alta intensidade tecnológica
O segmento de média-alta intensidade iniciou 2026 com saldo negativo de US$ 20,2 bilhões, o maior déficit dentre todas as faixas de intensidade nesse trimestre, além de ser recorde para janeiro-março na série em dólares correntes. Suas exportações recuaram 4,4% frente ao mesmo acumulado de 2025, ficando em US$ 9,3 bilhões. Quanto às importações, cresceram 3,6%, e sobre uma base bem mais expressiva, concorrendo, dessa forma, para a ampliação no déficit.
Os produtos da indústria automobilística experimentaram saldo deficitário de US$ 3,2 bilhões, ao maior déficit da série em dólares correntes para primeiro trimestre. Suas exportações retrocederam 11,1%, para US$ 3,1 bilhões. Suas importações cresceram 23,6%, chegando a US$ 6,3 bilhões, também sem igual para janeiro-março em dólares correntes.
Os equipamentos ferroviários e outros de transporte (motocicletas etc.) observaram déficit de US$ 538 milhões, o maior déficit em toda a série em dólares correntes para primeiro trimestre. Suas exportações até aumentaram 12,3%, para meros US$ 78 milhões, porém suas importações avançaram 21,4%, atingindo US$ 616 milhões, patamar sem igual.
Os dois grupamentos conhecidos por encamparem bens de capital experimentaram aumento nas exportações e redução nas importações, com redução em seus respectivos déficits na comparação entre primeiros trimestres de 2026 e de 2025.
O ramo de máquinas e equipamentos não especificados noutras atividades (M&E) teve saldo negativo de US$ 4,7 bilhões, contando não só com ampliação de 10,9% nas exportações, para US$ 2,5 bilhões, como também com ligeira retração de 0,8% nas importações, ficando em US$ 7,2 bilhões. Já os materiais e equipamentos elétricos, experimentaram balança deficitária de US$ 2,4 bilhões, com exportações crescendo 3,6%, atingindo US$ 987 milhões, patamar recorde em dólares correntes para primeiro trimestre. Suas importações diminuíram 2,7%, para US$ 3,4 bilhões.
Quanto aos produtos químicos, experimentaram déficit de US$ 8,8 bilhões, maior do que no primeiro trimestre de 2025, respondendo por mais de quarenta por cento do déficit de toda a faixa de média-alta intensidade. Em que pese tanto, o déficit foi menor do que seu correspondente de 2022. O país exportou US$ 2,5 bilhões desses bens, recuo de 10,8% em relação a igual período do ano passado. As importações também caíram, queda de 1,1%, ficando em US$ 11,3 bilhões.
Os instrumentos e materiais médico-hospitalares e artigos óticos registraram déficit de US$ 609 milhões, maior do que em janeiro-março de 2025. Suas exportações declinaram 10,6%, chegando a US$ 114 milhões. Já suas importações cresceram 7,2% e sobre uma base comparativa bem maior do que a das exportações.
Por fim, os equipamentos bélicos, armas e munições foram o único ramo a lograr superávit, de US$ 13 milhões, contrastando com o déficit registrado em janeiro-março de 2025. As exportações desses produtos caíram 13,8%, ficando em US$ 63 milhões, com as aquisições externas recuando 51,0% no primeiro quarto de 2026 frente a igual período do ano anterior.
Bens da indústria de transformação de média intensidade tecnológica
As exportações em dólares correntes de bens de atividades de média intensidade tecnológica avançaram 10,6% no primeiro trimestre de 2026 frente a janeiro-março de 2025, atingindo US$ 8,4 bilhões, recorde em dólares correntes para primeiro trimestre. Já suas importações cresceram 2,9%, para US$ 9,1 bilhões. Assim, apesar do avanço exportador, a faixa de média intensidade registrou, pelo segundo ano consecutivo, déficit em janeiro-março, de US$ 680 milhões, porém menor do que no ano anterior.
As transações internacionais de itens da construção de embarcações (indústria naval e náutica) ajudam a explicar em larga medida os déficits em janeiro-março de 2026 e de 2025 em contraste com os superávits de anos anteriores: seu déficit que fora de US$ 49 milhões no primeiro trimestre de 2024, saltou para US$ 2,7 bilhões no mesmo acumulado de 2025, ficando em US$ 2,5 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Suas exportações caíram 22,5%, para meros US$ 10 milhões, enquanto as importações retrocederam 7,2% em relação a igual trimestre de 2025, ficando em US$ 2,5 bilhões.
Quanto aos produtos da metalurgia, obtiveram superávit de US$ 3,5 bilhões no quarto inicial de 2026, superando o do mesmo trimestre de 2025, mas aquém do que já foi logrado em janeiro-março de outros anos. Foi o único ramo superavitário dessa faixa. Suas exportações cresceram 15,3%, para US$ 7,2 bilhões. Quanto a suas importações, aumentaram 8,3%, chegando a US$ 3,6 bilhões.
O ramo de produtos minerais não-metálicos apresentou no período em pauta resultado deficitário de US$ 118 milhões, quarto ano seguido no qual o primeiro trimestre registra saldo negativo. Suas exportações declinaram 22,1%, ficando em US$ 421 milhões, enquanto as importações retrocederam 1,9%.
Os dois grupos de bens restantes também registraram déficit no trimestre em questão. Os produtos de borracha e material plástico observaram saldo negativo de US$ 1,3 bilhão, patamar sem igual em dólares correntes para primeiro trimestre. As exportações desses itens sofreram retração de 6,1%, para US$ 661 milhões, enquanto as importações cresceram 9,3%.
Já os bens diversos (exclusive I&M médicos e odontológicos e artigos óticos) tiveram balança negativa de US$ 297 milhões, mesma magnitude do déficit de janeiro-março de 2025. Suas exportações avançaram 15,2%, chegando a US$ 10 milhões, enquanto as importações desses itens aumentaram 5,0%.
Bens da indústria de transformação de média-baixa intensidade tecnológica
As exportações de bens produzidos pela indústria de transformação de média-baixa intensidade tecnológica ficaram praticamente estáveis, 0,2% em janeiro-março de 2026 frente a igual período de 2025, atingindo US$ 23,9 bilhões. Essa variação foi o suficiente para que fosse atingido recorde em dólares correntes para primeiro trimestre. Já as importações aumentaram 4,2%, para US$ 11,3 bilhões. Assim, a balança desses bens apresentou saldo positivo de US$ 12,6 bilhões, superávit menor do que o do mesmo trimestre de 2025.
Seu ramo mais pujante, o de produtos industriais alimentícios, bebidas e tabaco, logrou expansão de 3,7% em suas exportações no primeiro trimestre, alcançando US$ 15,8 bilhões, recorde para janeiro-março em dólares correntes. Suas importações recuaram 1,3%, ficando em US$ 2,5 bilhões. Assim seu superávit aumentou para US$ 13,3 bilhões, abaixo apenas do superávit do mesmo período de 2024.
Passando para balança de bens industriais madeireiros e seus derivados, incluindo produtos de papel, celulose e impressos, apresentou superávit de US$ 3,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026, menor do que o superávit de janeiro-março de 2025. Tal redução no saldo se deveu tanto à retração de 9,9% nas exportações frente a igual acumulado de 2025, para US$ 4,0 bilhões, quanto ao aumento em suas importações 9,8%.
O intercâmbio de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, a seu turno, experimentou saldo negativo de US$ 1,3 bilhão, déficit ligeiramente maior do que o registrado no mesmo trimestre do ano anterior. As vendas externas desses bens aumentaram 0,9%, atingindo US$ 3,0 bilhões, recorde em dólares correntes para primeiro trimestre. Já suas importações cresceram 2,9%, contribuindo para o aumento no déficit.
O conjunto dos artigos têxteis, de vestuário, de couro e calçados experimentou déficit de US$ 1,4 bilhão no primeiro trimestre de 2026. Suas exportações retrocederam 15,7%, ficando em US$ 666 milhões, enquanto as importações aumentaram 9,6%. A balança dos produtos metálicos ficou negativa em US$ 1,4 bilhão no primeiro trimestre do ano, aliás déficit sem igual na série em dólares correntes para janeiro-março. Suas vendas externas foram de US$ 419 milhões, expansão de 6,0% frente a igual acumulado do ano passado, enquanto as importações avançaram 8,0%.







































