Análise IEDI
Trimestre de retração industrial
Segundo os dados do IBGE, a indústria brasileira não cresce desde o último mês de abril. O resultado de set/26, divulgado hoje, foi de queda de -0,8% frente ao mês anterior, já descontados os efeitos sazonais, e de -2,5% na comparação com um ano atrás, ou seja, ante set/25.
Com isso, como apontávamos em nossa última Análise IEDI, o setor voltou ao vermelho no 3º trim/26, após dois trimestres de expansão modesta, estimulada essencialmente pelo ramo extrativo.
A indústria de transformação, que conta com atividades mais sensíveis à conjuntura de taxas de juros elevadas e endividamento de empresas e famílias, acusou variação positiva em apenas um dos últimos seis trimestres. Agora em jul-set/26 sua produção recuou -2,2% frente a jul-set/25.
Dos quatro macrossetores industriais identificados pelo IBGE, três encolheram, como mostram as variações interanuais a seguir.
• Indústria geral: +1,4% no 1º trim/26; +1,5% no 2º trim/26 e -1,4% no 3º trim/26;
• Bens de capital: -6,4%; -4,7% e -4,1%, respectivamente;
• Bens intermediários: +1,8%; +2,5% e -0,4%;
• Bens de consumo duráveis: +2,0%; +1,8% e +3,8%;
• Bens de consumo semi e não duráveis: +1,9%; +0,8% e -4,4%, respectivamente.
A produção de bens de capital, como temos mostrado, cai desde o 2º trim/25. Nesse último trimestre em tela, a queda foi de -4,1% ante o mesmo período do ano anterior. Mas este agregado esconde uma retração muito forte de bens de capital para a agricultura, de -31,6%, devido à escalada do endividamento dos produtores agrícolas.
Cabe mencionar ainda o declínio de bens de capital de uso misto, que foi de -9,4% ante jul-set/25, e daqueles de uso da própria indústria, que embora menos intenso (-2,9%), vem se acumulando seguidamente desde final do ano passado.
Dois macrossetores foram os responsáveis pela virada de sinal no 3º trim/26: bens intermediários (-0,4%), devido sobretudo a atividades associadas à produção de alimentos (-4,3%), têxteis (-5,8%) e derivados de petróleo (-1,7%), e bens de consumo semi e não duráveis (-4,4%), puxados por quedas de dois dígitos em carnes exceto suínos (-13%), têxtil (-11,3%), vestuário (-10,5%) e farmacêutica (-16,7%).
Cabe notar influências negativas do comércio exterior nestas últimas atividades, como as cotas de importação de carnes pela China, a pressão concorrencial de importados de têxteis e vestuário e de produtos farmacêuticos.
Por fim, bens de consumo duráveis amorteceram a evolução adversa dos demais macrossetores e registraram +3,8% no 3º trim/26 ante o 3º trim/25. Apresentaram melhora outros eletrodomésticos (+37,8%), que compreendem sobretudo eletroportáteis, após uma sequência de quedas, e outros equipamentos de transporte (+5,3%), estimados pela produção de motocicletas, que só em set/26 cresceu +9,1%.
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