Análise IEDI
Segundo mês de alta
A indústria voltou a ampliar produção no segundo mês do ano, mas perdeu ímpeto em comparação com jan/26, de modo a novamente resvalar para terreno negativo se comparada à situação do ano passado.
A produção industrial, que havia registrado +2,1% em jan/26, já descontados os efeitos sazonais, variou +0,9% em fev/26. Embora a base de comparação seja baixa, depois da sequência de resultados desfavoráveis em 2025, vale notar que fazia tempo que não havia duas altas consecutivas nesta comparação mais de curto prazo.
Se olharmos para comparação com a entrada do ano passado, a performance recente ainda é fraca: +0,2% em jan/26 ante jan/25 e -0,7% em fev/26 ante fev/25. Como resultado, o indicativo para o primeiro trimestre do ano não é boa: -0,2% em jan-fev/26.
Os resultados do 1º bim/26 para os macrossetores industriais mostram metade deles aprofundando queda, um mitigando perdas e outro variando muito perto da estabilidade.
• Indústria geral: +0,5 no 3º trim/25; -0,6 no 4º trim/25; -0,2% em jan-fev/26
• Bens de capital: -2,7%; -5,3% e -12,5%, respectivamente;
• Bens intermediários: +2,6%; -0,8% e +1,1%;
• Bens de consumo duráveis: -1,7%; -3,1% e -6,8%;
• Bens de consumo semi e não duráveis: -3,2%; +0,6% e +0,4%, respectivamente.
Aqueles que caíram mais estão mais vulneráveis ao patamar elevado de juros. A produção de bens de capital recuou -12,5% em jan-fev/26, com queda igualmente de dois dígitos na grande maioria de seus componentes. Bens de capital para a própria indústria encolheram -10,8% no período.
Bens de consumo duráveis, por sua vez, apresentaram queda de -6,8%, isto é, mais do que o dobro da queda do último trimestre de 2025. A produção de eletrodomésticos foi responsável pela piora mais intensa (-2,2% no 4º trim/25 e -12,6% em jan-fev/26). Cabe notar que desde meados de 2025 a produção de automóveis está no vermelho.
Já a produção de bens de consumo semi e não duráveis evitou o sinal negativo, mas não se distanciou muito da mera estabilidade. Registrou +0,4% em jan-fev/26 ante jan-fev/25. Apesar disso, não deixou de contar com segmentos em grande declínio.
Este foi o caso de têxteis, com -11,8% em jan-fev/26, isto é, um recuo duas vezes mais intenso que no final de 2025 (-5,9% no 4º trim/25). Foram também os casos de calçados (-11,1% ante jan-fev/25) e vestuários (-11,2%). Dado o perfil destes bens, esta evolução reflete a desaceleração do consumo das famílias, premido pelos elevados índices de endividamento em uma conjuntura de taxas altas de juros.
Por fim, bens intermediários parecerem estar conseguindo ganhar tração e reverter o declínio do último quarto de 2025. Em jan-fev/26, sua produção cresceu +1,1% ante -0,8% em out-dez/25, sempre na comparação interanual. Melhoraram defensivos agrícolas, celulose e siderurgia. A produção da indústria alimentícia também cresceu mais fortemente nesta entrada de ano.






