Análise IEDI
Destaques sobre o resultado industrial de jan/26
O ano começou com reação da indústria brasileira. Ainda que não tenha compensado os meses e adversidade do final de 2025, a alta de +1,8% na passagem de dez/25 para jan/26 foi acompanhada de importante difusão do sinal positivo entre os diferentes ramos industriais, com especial contribuição das indústrias químicas e automobilística.
Cabe um primeiro comentário sobre a intensidade do resultado de jan/26. O último dado desta ordem de grandeza havia sido obtido em mar/25, quando a indústria também cresceu +1,8%, já descontados os efeitos sazonais. Inclusive, desta vez, a indústria de transformação se saiu bem melhor: +1,2% em mar/25 e +2,1% em jan/26, ainda na comparação com ajuste.
É, portanto, um resultado robusto, mas há um senão. A base de comparação de jan/26 é baixa, dado que dez/25 registrou recuo acentuado de -1,9%, após um período de virtual estagnação. Deste modo, o nível de produção de jan/26 seguiu 0,3% aquém daquele de set/25, desconsiderados os eventuais efeitos sazonais.
O segundo comentário diz respeito à distribuição do crescimento. Dos 25 ramos acompanhados pelo IBGE, 19 apontaram ampliação de produção. Ou seja, uma parcela majoritária de 76% deles. É um perfil favorável porque mostra que a alta não foi produzida por casos isolados.
Apesar disso, vale observar que o impulso do início do ano não foi suficiente para anular quedas anteriores para a maioria dos ramos. Assim como no caso da indústria geral, o nível de produção de jan/26 ainda se encontrava inferior ao de set/25 para 64% dos ramos identificados pelo IBGE.
Isso também marca a performance de dois dos quatro macrossetores: bens de capital, cuja produção avançou +2,0% em jan/26, mas seguiu 5,7% abaixo de set/25, e bens intermediários, onde a alta de +1,7% em jan/26 levou este macrossetor a um patamar ainda 1,7% inferior ao de set/25.
• Indústria geral: -0,2% em nov/25; -1,9% em dez/25 e +1,8% em jan/26, com ajuste sazonal;
• Bens de capital: -0,2%; -7,7% e +2,0%, respectivamente;
• Bens intermediários: -0,7%; -2,0% e +1,7%;
• Bens de consumo duráveis: -2,8%; -5,1% e +6,3%;
• Bens de consumo semi e não duráveis: +0,4%; -0,8% e +1,2%, respectivamente.
Outra observação que se pode fazer para este início de ano é a contribuição destacada pelo IBGE de dois ramos para o dinamismo industrial.
De um lado, estão produtos químicos, com expansão de +6,2% em relação a dez/25, com ajuste sazonal, estimulado pela produção de fertilizantes e defensivos agrícolas, como resultado da dinâmica agrícola do país.
De outro lado, há veículos e autopeças, cuja alta foi de +6,3%, com destaque para a produção de caminhões. Neste caso, há contribuição positiva do programa Move Brasil, que em jan/26 liberou cerca de R$ 1,9 bilhão de crédito para a renovação de frota de caminhões, segundo o Mdic.
Para ambos os casos, porém, este dinamismo de jan/26, mesmo que venha a ter continuidade, é apenas um início de reação. Se compararmos jan/26 com jan/25, a indústria química apresenta retração de -2,9% e a produção de veículos e autopeças, de -7,7%. Isto é, resultados bem aquém da média da indústria, que foi de +0,2% nesta comparação.
Há ainda a contribuição de derivados de petróleo e biocombustíveis, com alta mais modesta, de +2,0% na série com ajuste sazonal em jan/26 ante +5,0% em dez/25. Também neste caso, ficou no vermelho na comparação com o mesmo mês do ano passado (-1,2%), pela décima vez consecutiva.
Frente à situação de um ano atrás, a parcela da indústria em pior condição segue sendo aquela com maior vulnerabilidade à conjuntura de elevadas taxas de juros no país: -11,8% em bens de capital e -4,0% em bens de consumo duráveis.
No primeiro caso, todos os seus componentes estão no vermelho em comparação com jan/25, notadamente bens de capital para agricultura, transportes, construção e de uso misto. No segundo caso, a reação da automobilística não fez frente à retração acentuada em eletrodomésticos e móveis.






