Análise IEDI
Sem crescimento
Os dados divulgados hoje pelo IBGE mostram que a manutenção da Selic em patamares bastante elevados está conseguindo atingir seu objetivo. A economia brasileira ficou parada nos dois últimos trimestres do ano passado, registrando 0% em jul-set/25 e +0,1% em out-dez/25, devido ao declínio do investimento e estagnação do consumo das famílias. Com isso, o 2º semestre de 2025 foi o mais fraco desde a pandemia.
As atividades menos sensíveis a juros seguem apresentando certa resiliência. É o caso dos serviços, com alta de +0,8% no 4º trim/25 ante o 3º trim/25, já descontados os efeitos sazonais, a despeito de perdas nos seus ramos mais associados ao ritmo geral de atividade econômica (-0,3% no comércio e -1,4% em transportes). É também o caso da agropecuária, que registrou +0,5% na série com ajuste.
A indústria, por sua vez, não deixa dúvida sobre sua tendência de desaceleração. No 4º trim/25, o PIB do setor como um todo teve sua primeira queda desde 2022. Registrou -0,7% frente ao trimestre anterior, puxada pelo recuo de -2,3% da construção e de -0,6% da indústria de transformação, que compensaram a expansão dos seus demais ramos, a exemplo do extrativo (+1,1%).
Sem progresso adicional nos dois últimos trimestres e com bases de comparação mais elevadas no final de 2024, o resultado de +1,8% do PIB total do país no 2º semestre de 2025, além de implicar razoável desaceleração em comparação com o desempenho da primeira metade do ano (+2,7%), foi o mais fraco desde o 2º sem/20, quando os efeitos econômicos da pandemia ainda estavam bastante presentes.
Como mostram as variações interanuais a seguir, a indústria de transformação perdeu, no segundo semestre (-1,3%), tudo o que tinha crescido no primeiro (+1,1%), o que já havia sido pouco se comparado com o resultado da segunda metade de 2024 (+4,8%).
• PIB Total: +3,9% no 2º sem/24; +2,7% no 1º sem/25 e +1,8% no 2º sem/25;
• Indústria de transformação: +4,8%; +1,1% e -1,3%, respectivamente;
• Construção: +5,5%; +1,6% e -0,5%;
• Comércio: +4,3%; +1,7% e +0,6%;
• Consumo das famílias: +4,9%; +2,0% e +0,7%;
• Formação bruta de capital fixo: +9,7%; +6,5% e -0,4%, respectivamente.
A indústria da construção também voltou ao vermelho no 2º sem/25 (-0,5%), exercendo pressão negativa para o dinamismo da indústria total (de +1,7% em jan-jun/25 para +1,2% em jul-dez/25). Esta só não apontou declínio, devido à alta expressiva de +11,9% da indústria extrativa no segundo semestre.
Nos serviços, cuja desaceleração da primeira para a segunda metade de 2025 foi modesta (de +2,0% para +1,6%), o comércio foi quem mais regrediu. Em jul-dez/25, sua taxa de crescimento de +0,6% foi 1/3 do que tinha registrado em jan-jun/25 (+1,7%).
Estas trajetórias guardam relação com o enfraquecimento do consumo das famílias, que de +2% passou para apenas +0,7% de um semestre para outro, e da recente retração do investimento (-0,4%), como mencionado anteriormente. Na demanda interna, o consumo do governo (+2,7% em jul-dez/25) evitou uma inflexão mais intensa.
A única atividade a manter bom ritmo de expansão, juntamente com a indústria extrativa, foi a agropecuária: +10,9% no 2º sem/25 e +12,2% no 1º sem/25. Muito disso se reflete na contribuição positiva do setor externo na segunda metade do ano, a despeito de todos os episódios protecionistas que os EUA vêm protagonizando.






