Análise IEDI
Impulso concentrado
Em abr/26, a indústria acelerou seu ritmo de crescimento, mas o impulso foi bastante concentrado em uma pequena fração do setor, indicando mais uma vez um quadro de frágil dinamismo.
Já descontados os efeitos sazonais, o resultado foi de +0,7% na passagem de mar/26 para abr/26, depois de ter variado +0,3% no mês anterior. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, por sua vez, cresceu +2,7%.
Em ambas as comparações, entretanto, o macrossetor de bens intermediários foi quem mais conseguiu ampliar produção. Na série com ajuste sazonal, que aponta evoluções mais de curto prazo, esta fração da indústria cresceu +1,5%, enquanto todas as demais ou ficaram no vermelho ou praticamente não saíram do lugar, como mostram as variações a seguir.
• Indústria geral: +2,2% em jan/26; +1,1% em fev/26; +0,3% em mar/26 e +0,7% em abr/26;
• Bens de capital: +3,0%; +2,9%; +0,6% e +0,1%, respectivamente;
• Bens intermediários: +2,3%; +1,5%; +0,6% e +1,5%;
• Bens de consumo duráveis: +6,7%; +0,9%; +1,7% e -3,2%;
• Bens de consumo semi e não duráveis: +1,3%; +0,7%; +0,5% e -0,2%, respectivamente.
As contribuições positivas mais importantes foram assinaladas por indústrias extrativas (+3,1%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (+3,1%), em boa medida, em consequência da reação à guerra no Irã, que incentivou a produção doméstica de combustíveis.
Na comparação interanual, também verificamos expansão acompanhada de aceleração somente de bens intermediários: +3,8% em abr/26 ante +3,0% em mar/26, puxada por derivados de petróleo (+8,2%), além de intermediários alimentícios (+8,6%) e de têxteis (+1,0%).
Outro caso de aumento de produção foi constatado em bens de consumo semi e não duráveis (+3,2%), ainda que em ritmo menos intenso do que no mês anterior (+4,7%). Em abr/26, grande contribuição veio justamente do ramo de combustíveis, com uma alta de +23,4% em álcool e gasolina.
Por fim, a parcela da indústria mais sensível à taxa de juros seguiu não se saindo bem. Bens de capital tiveram produção reduzida em -4,3% em comparação com abril do ano passado, puxada para baixo principalmente por bens de capital para a agricultura (-14,7% ante abr/25), em função do alto endividamento dos produtores do setor, e por bens de capital de uso misto (-15,7%).
Bens de consumo duráveis, a seu turno, caíram -3,4% em abr/26 ante abr/25, em função de forte declínio em eletrodomésticos (-9,1%) e também em móveis (-3,3%). Automóveis (+11,1% em jan-mar/26 para +1% em abr/26) e outros equipamentos de transporte (+9,7% e +1,4%, respectivamente) desaceleraram bastante.






