Carta IEDI
Brasil e Mundo: a indústria em dois ritmos
A Carta IEDI de hoje analisa os últimos dados da UNIDO para a produção física da indústria de transformação mundial, divulgados recentemente, comparando-os com a evolução do setor no Brasil na primeira metade deste ano.
O resumo é que, embora o dinamismo da produção industrial tenha reagido um pouco no 2º trim/26, deixando de ser negativo, o diferencial de performance em relação ao total global segue expressivo.
Ou seja, o levantamento, que considera a produção física do setor, mostra que ficamos novamente para trás. É assim sobretudo por fatores internos, notadamente o patamar de taxa de juros, que não apenas é elevadíssimo, como tem perdurado por muito tempo em dois dígitos.
Tanto é que logo após o primeiro aumento da escalada recente da Selic, ocorrido em set/24, a produção industrial brasileira começou a perder ritmo e, desde a virada de 2024 para 2025, tem ficado abaixo do total mundial.
Mas há uma série de outros fatores, que compõem o chamado Custo Brasil, impondo obstáculos a uma retomada consistente da indústria brasileira, assim como importantes oportunidades que não estamos aproveitando integralmente.
A agenda Brasil 2040 divulgada pelo IEDI proporciona um roteiro de médio prazo para a superação desse quadro e, como discutido na Carta IEDI n. 1380, muito dos encaminhamentos e alavancas identificados são compartilhados por outras instituições representativas da sociedade. A convergência mostra que existe uma base comum para um projeto estruturante do desenvolvimento socioeconômico do país.
Por outro lado, entre os fatores externos, o avanço tecnológico e os investimentos em defesa têm mobilizado ramos mais intensivos em tecnologia no mundo, ajudando a explicar a importante resiliência que temos visto, apesar das tensões geoeconômicas do presente. Como tais setores são sub-representados em nossa estrutura industrial, não conseguimos capturar essas fontes de dinamismo da mesma forma.
Este não é um fator menor quando comparamos Brasil e Mundo. A UNIDO destaca que desde a pandemia, a indústria de transformação mundial cresceu +13,3% com os setores de maior intensidade tecnológica avançando +22,2% (notadamente computadores e eletrônicos, outros equipamentos de transporte, equipamentos elétricos e veículos) ante +5,3% nos demais setores. Se tivéssemos mais indústrias de alta e média-alta tecnologia e fôssemos mais integrados ao mundo, poderíamos estar melhor.
Vamos aos resultados gerais. Segundo a UNIDO, no 2º trim/26 a produção da indústria de transformação mundial cresceu +1,5% frente ao trimestre anterior e +3,7% em comparação com o 2º trim/25, sempre com ajuste sazonal. Isso significou aceleração em ambas as comparações e, consequentemente, interrupção da acomodação anterior.
No Brasil, como os dados da PIM/IBGE já mostraram, a indústria de transformação perdeu produção na maior parte de 2025 e agora em 2026 vem oscilando perto da estabilidade, escapando do sinal negativo quando a base de comparação ajuda. No 2º trim/26 registrou -0,1% ante jan-mar/26 e +0,5% ante o 2º trim/25, sempre com ajuste.
Ou seja, o total mundial cresceu 7 vezes mais rápido do que a indústria brasileira no 2º trim/26, se considerarmos a comparação interanual. No mundo, as economias industrializadas de alta renda foram decisivas para a aceleração no período (de +0,9% para +2,2%). Os ramos de média-alta e alta tecnologia lideraram o crescimento (+2,0%).
A aceleração foi difundida entre as regiões, mas os destaques positivos recaem sobre Europa e América do Norte.
A América do Norte quase que triplicou o crescimento de sua produção industrial, com avanço de +0,5% no trimestre anterior e uma alta de +1,4% em abr-jun/26. Por sua vez, a indústria europeia conseguiu reverter o resultado negativo do 1º trim/26 (-0,8%), crescendo significativos +1,6% no trimestre posterior.
Canadá e Estados Unidos também registraram reforço na comparação com 2025: alta de 1,5% no 2º trim/26, em contraste com a variação interanual de +0,6% no trimestre anterior. A produção industrial da Europa, por sua vez, após ter caído -1,5% no 1º trim/25, reverteu o resultado no trimestre posterior, avançando +0,8%.
Na Ásia, a China manteve variações positivas robustas (+1,2%), mas menores do que no trimestre anterior (+2,0%). Dessa forma, o resultado de Ásia e Pacífico incluindo a China foi menos expressivo, passando de +2,1% no 1º trim/26 para +1,6% no 2º trim/26, na comparação com o período anterior. Em relação ao mesmo período do ano passado, a China desacelerou e a Ásia ficou com o mesmo ritmo (+5,5%) de jan-mar/26.
Cabe enfatizar a fraqueza industrial da América Latina e Caribe. Frente ao 1º trim/26, foi a única região virtualmente estagnada (+0,3%) e em termos interanuais foi a única a ficar no vermelho (-0,1%), seu terceiro resultado negativo.
Além da fraqueza do Brasil, condicionam este resultado a queda da indústria mexicana (-0,6% ante o 2º trim/25) diretamente envolvida nas tensões comerciais provocadas pelos EUA, e a forte retração da Argentina (-3,0%), que segue em um quadro de crise econômica.
Voltando ao contraste de desempenho do Brasil e do mundo, o IEDI constrói periodicamente um ranking das taxas de crescimento da produção da indústria de transformação a partir do banco de dados da UNIDO.
Nesta edição, estavam disponíveis os resultados de 87 países. O Brasil ficou na 62ª posição, consideradas as variações interanuais com ajuste sazonal. Seguimos no pelotão dos retardatários e é patente a involução ao longo do período de taxas de juros altas ou em elevação, já que ocupávamos o 28º lugar em no 2º trim/24.
Serve de consolo o fato de, ao deixamos de registrar perda de produção, termos conseguido progredir marginalmente no ranking: estávamos em 75º no 4º trim/25, em 66º no 1º trim/26 e agora em 62º, como mencionado anteriormente. A direção é correta (para cima no ranking), mas se dá pelas bases deprimidas de comparação e a velocidade é baixa, dado o peso dos juros internos e de todos os demais fatores que travam a competitividade do setor.
A indústria de transformação mundial no 2º trim/2026
O relatório mais recente divulgado pela UNIDO (United Nations Industrial Development Organization) contendo os dados do 2º trim/2026 mostram que a indústria de transformação global ganhou fôlego.
No segundo trimestre de 2026, a indústria mundial cresceu +1,5% em relação ao trimestre anterior na série com ajuste sazonal, indicando fortalecimento da atividade industrial, após uma desaceleração gradual ao longo de 2025.
Na comparação interanual (trimestre frente ao mesmo trimestre do ano anterior) o avanço da produção industrial foi +3,7% no 2° trim/26, após alta de +3,0% no trimestre anterior.
De acordo com a análise da UNIDO, os fatores que condicionaram a atividade industrial em 2025 continuaram a influenciar sua evolução no primeiro semestre de 2026. O aumento das tensões geopolíticas, a continuidade das medidas de política comercial e as pressões inflacionárias persistentes contribuíram para elevar a incerteza, provocar interrupções nas cadeias de suprimentos e gerar escassez de matérias-primas. Apesar desses desafios, a indústria de transformação mundial manteve uma trajetória positiva, registrando crescimento trimestral desde o início de 2023.
No longo prazo, a escassez de mão de obra, as interrupções relacionadas ao clima e a incerteza em torno da inteligência artificial e de outros avanços tecnológicos podem pesar sobre a atividade industrial, ressaltando a importância de uma ação internacional coordenada, segundo a UNIDO.
Desempenho regional
A atividade manufatureira global registrou desempenho heterogêneo na comparação trimestral (trimestre/trimestre anterior) entre as regiões no 2° trim/26, mas predominantemente positivo.
A região da Ásia e Pacífico (excluindo a China) apresentou a maior variação positiva trimestre/trimestre anterior dentre as regiões (+2,1%), fortemente sustentada pelas principais economias industriais: Índia (+1,5%), Coreia do Sul (+1,3%), Indonésia (+1,0%) e Japão (+0,2%), enquanto Austrália (-1,9%), Paquistão (-0,8%), Arábia Saudita (-5,2%) e Tailândia (-0,5%) registraram as quedas mais significativas.
Se tomarmos a Ásia e Pacífico incluindo a China, o resultado foi menos robusto (+1,6%), devido a pequena desaceleração da indústria chinesa, que assinalou alta de +1,2% no 2° trim/26, comparado a alta de +2,0% do trimestre anterior na mesma base de comparação.
Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, a indústria da região da Ásia e Pacífico (excluindo China) manteve-se na liderança, ao expandir +5,7%. Quando incluímos a China nesse grupo de países, a variação foi de +5,5%, e sozinho, o país cresceu +5,4%.
O resultado também refletiu os desempenhos do Japão (+1,9%), Vietnã (+13,6%), Cingapura (+12,7%), Malásia (+7,4%) e Índia (6,8%), enquanto Tailândia (-1,6%) assinalou queda.
Dados limitados da África indicam uma expansão de +1,7% na produção industrial no 2° trim/26 e a segunda maior dentre as regiões. Embora o desempenho em nível nacional tenha variado consideravelmente, a tendência geral no continente permaneceu positiva.
A produção aumentou em comparação ao trimestre anterior na Angola (+34,7%), Costa do Marfim (+2,3%), Egito (+1,7%) e Tunísia (+0,6%), enquanto Marrocos (-1,0%), Nigéria (-0,2%) e África do Sul (-1,5%) registraram quedas.
Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, as indústrias do continente africano cresceram +5,2%, variação abaixo dos dados do trimestre anterior (+6,1%), com variação positiva na Tunísia (+1,7%), Senegal (+6,3%), Ruanda (+11,6%), enquanto África do Sul (-3,3%) e Moçambique (-40,2%) assinalaram importantes recuos.
O setor industrial da Europa vinha apresentando retração ou estagnação da produção nos últimos trimestres, mas a produção aumentou expressivamente em +1,6% no 2º trim/26. Os principais produtores da região registraram expansões incluindo França (+0,3%), Alemanha (+0,5%), Irlanda (+4,0%), Itália (+0,3%), Rússia (+1,0%) e Suíça (+8,5%). Em contrapartida, Áustria (-0,3%), Bélgica (-1,2%) e Eslováquia (-0,9%) estiveram entre as poucas economias a registrar contrações no trimestre mais recente.
Na comparação entre o 2° trim/26 e o 2° trim/25, a indústria europeia cresceu +0,8%, com queda significativa na Alemanha (-2,6%), enquanto França, Rússia e Itália avançaram +1,6%, +0,9% e +0,6%, respectivamente.
O crescimento da indústria de transformação na América do Norte permaneceu volátil nos períodos recentes; contudo, assim como na Europa, a região apresentou um desempenho mais forte no 2º trim/26, com aumento de +1,4% na produção em relação ao trimestre anterior. Esse resultado foi impulsionado tanto pelo Canadá quanto pelos Estados Unidos, cujas produções cresceram +2,1% e +1,3%, respectivamente.
No trimestre abr-jun/26 frente ao mesmo trimestre do ano anterior, a produção industrial na América do Norte avançou +1,5%, quase o triplo da variação do trimestre anterior (+0,6%). Dentre os países, os Estados Unidos tiveram crescimento de +1,6%, enquanto a indústria canadense variou +0,8% na mesma comparação.
A produção da indústria de transformação na América Latina e no Caribe, por sua vez, cresceu apenas +0,3% no 2º trim/26, mantendo o desempenho pouco dinâmico observado desde o final de 2023.
O desempenho recente dos dois maiores produtores da região foi distinto: o México registrou um aumento de +1,0%, enquanto a produção do Brasil recuou ligeiramente em -0,1%, em relação ao trimestre anterior, já descontados os efeitos sazonais.
A produção também diminuiu, em diferentes proporções, na maioria das demais economias da região, incluindo Argentina (-0,8%), Chile (-0,8%) e Peru (-0,9%), nesta mesma comparação. A Costa Rica foi uma exceção, registrando uma recuperação expressiva após vários trimestres consecutivos de contração (+2,3%).
Na comparação interanual, a produção permaneceu praticamente estagnada (-0,1%). Os resultados dos maiores produtores industriais da região foram: enquanto a Argentina decresceu -3,0%, e o México recuou -0,6%, Brasil obteve modesto avanço de +0,5%.
O desempenho das economias industrializadas
As economias industrializadas representam cerca de 87,7% do valor agregado na indústria mundial de acordo com a UNIDO e inclui países de todas as regiões, entre os quais Brasil, Argentina, México, Itália, França, Alemanha, EUA, Japão, Indonésia, África do Sul etc.
Desde o início de 2026, a atividade da indústria de transformação nas economias industrializadas ganhou impulso, aumentando +1,1% e +1,5% no primeiro e no segundo trimestres de 2026, respectivamente, após uma desaceleração gradual ao longo de 2025. Em relação ao mesmo trimestre de 2025, esse grupo de países variou +3,4%.
O desempenho variou consideravelmente entre as economias. Israel, Singapura e Suíça registraram aumentos trimestrais superiores a 5%, enquanto Austrália, Bélgica, Chile e África do Sul apresentaram quedas acentuadas na produção da indústria de transformação.
Os dados desagregados evidenciam ainda a volatilidade do desempenho industrial entre as economias industriais de alta renda nos últimos trimestres. A produção desse grupo cresceu +1,6% no 2º trim/26, após um crescimento mais contido e irregular nos períodos anteriores. Canadá (+2,1%), Suécia (+4,5%) e Reino Unido (+0,9%) registraram aumentos significativos, enquanto algumas economias, incluindo Bulgária (-1,7%) e Uruguai (-0,4%) apresentaram contrações na produção da indústria de transformação.
A China continuou a registrar crescimento industrial no 2º trim/26, com aumento de +1,2% na produção, embora inferior ao observado nas demais economias industriais de renda média, que cresceram +1,8%. A maioria das economias desse grupo apresentou crescimento no 2º trim/26 frente ao 1º trim/26, com poucas exceções. Malásia (+3,5%), Turquia (+2,4%) e Vietnã (+7,8%) registraram avanços expressivos, enquanto a produção da indústria de transformação se contraiu no Brasil (-0,1%) e na Tailândia (-0,5%).
De acordo com a UNIDO, após as interrupções relacionadas à pandemia em 2020–2021, todos os grupos entraram em um período de recuperação e crescimento sustentado. Desde o início de 2023, a atividade industrial na China ganhou novo impulso, ampliando a distância em relação aos demais grupos. Em contrapartida, as economias industriais de alta renda registraram dinamismo mais modesto após recuperação da retração provocada pela pandemia.
Desempenho das economias em industrialização
Embora esse grupo compreenda quase 70% de todas as economias, respondeu por apenas 12,3% do valor adicionado mundial da indústria de transformação em 2025, observa a UNIDO. Apesar da diversidade considerável entre os níveis de renda, as economias desse grupo poderiam se beneficiar do fortalecimento da indústria de transformação e da transição para estruturas econômicas mais produtivas, impulsionadas por esse setor.
O desempenho industrial do grupo melhorou continuamente nos últimos anos. No 2º trim/26, a produção aumentou +1,6% em relação ao trimestre anterior e +6,2% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, superando as taxas de crescimento das economias industriais em ambas as comparações.
Em uma análise mais detalhada por subgrupos, as economias em industrialização de alta renda registraram uma terceira queda trimestral na produção, com contração de -2,6%, o que pode refletir parcialmente os impactos da escalada das tensões no Oriente Médio.
Em contrapartida, a produção das economias em industrialização de renda média, o maior subgrupo em número de economias, cresceu +2,2%, mantendo um padrão de crescimento forte, mas volátil, nos últimos trimestres. Nesse grupo, Angola (+34,7%), Mongólia (+3,3%), Filipinas (+3,5%) e República da Moldávia (+3,8%) registraram aumentos trimestrais superiores a 3%, enquanto Honduras (-2,8%), Marrocos (-1,0%) e Nicarágua (-5,1%) apresentaram quedas acentuadas.
As economias de baixa renda foram excluídas devido à disponibilidade limitada de dados da indústria de transformação. Ainda assim, os dados disponíveis por país mostraram desempenho heterogêneo, com Ruanda apresentando aumento moderado na produção e Moçambique registrando queda acentuada.
Desempenho das Economias Emergentes
As economias industriais emergentes constituem um grupo distinto de 10 economias de renda baixa e média cujos setores industriais demonstraram forte dinamismo nos últimos anos. O grupo inclui tanto economias industriais consolidadas quanto novas economias em industrialização que, apesar de estarem em estágios relativamente iniciais de desenvolvimento industrial, alcançaram crescimento sustentado e resiliente na produção da indústria de transformação.
Desde meados de 2023, a produção desse grupo geralmente superou o desempenho da indústria de transformação mundial, bem como o das economias industriais e em industrialização. No 2º trim/26, contudo, a produção aumentou +1,3% em relação ao trimestre anterior, abaixo da taxa mundial de +1,5% e das taxas registradas pelas economias industrializadas e em industrialização.
A maioria das economias com dados disponíveis registrou crescimento industrial no 2º trim/26: o Vietnã apresentou o maior aumento trimestral, de +7,8%, seguido por Bangladesh e Índia, ambos com +1,5%. China e Indonésia também registraram crescimento de aproximadamente 1% em relação ao trimestre anterior.
Análise setorial
De acordo com a UNIDO, a indústria de transformação mundial continuou a apresentar tendências distintas conforme a intensidade tecnológica, com os setores de média-alta e alta tecnologia (MHT) mantendo um desempenho forte. Desde meados de 2024, essas indústrias registraram consistentemente avanços trimestrais expressivos, chegando a +2,0% no 2º trim/26. O crescimento trimestre/mesmo trimestre do ano anterior também superou +5% nos últimos seis trimestres.
Em contrapartida, as indústrias de menor intensidade tecnológica continuaram a ficar para trás, com aumento da produção de +0,4% em relação ao trimestre anterior e de +1,5% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.
A maioria dos setores de maior intensidade tecnológica registrou crescimento trimestral da produção de pelo menos +1%, sendo a indústria química a única exceção, com contração de -0,5% e manutenção de uma trajetória volátil ao longo de vários trimestres.
Outros equipamentos de transporte, incluindo navios, aeronaves e veículos militares, registraram o maior crescimento trimestral, de +3,8%, e expansão interanual de +8,9%, refletindo parcialmente o aumento mundial da produção de equipamentos relacionados à defesa desde o início de 2025.
Computadores e eletrônicos também apresentaram desempenho forte, com altas de +3,4% na comparação trimestral e de +13,3% na comparação interanual, sustentadas pelo aumento dos investimentos em infraestrutura relacionada à inteligência artificial, pela modernização tecnológica contínua e pela acumulação de estoques.
Em contrapartida, as indústrias de menor intensidade tecnológica apresentaram resultados heterogêneos no 2º trim/26, com cinco atividades registrando quedas na produção. Coque e produtos de refino de petróleo apresentaram a contração mais acentuada (-2,5%), provavelmente afetados pela escalada das tensões no Oriente Médio.
Ao mesmo tempo, várias atividades obtiveram avanços expressivos nas comparações trimestral e interanual, incluindo borracha e plástico (+1,6% no trimestre e +3,6% ante o 2º trim/25), têxteis (+1,5% e +2,0%) e produtos de metal (+1,1% e +3,2%, respectivamente). Os produtos do fumo (+2,0% e -2,0%) também cresceram trimestralmente, apesar de uma queda interanual acentuada e de uma tendência predominantemente descendente nos últimos anos.
Na análise desagregada dos setores por grupo de países, tanto as economias industrializadas quanto as economias em industrialização registraram resultados heterogêneos, embora a maioria das indústrias de maior intensidade tecnológica tenha alcançado crescimento expressivo, com a indústria química como principal exceção entre as economias industriais.
Além disso, as economias em industrialização apresentaram desempenho particularmente forte em máquinas e outros equipamentos de transporte.
Apesar das contrações em algumas indústrias de menor intensidade tecnológica, as economias em industrialização geralmente registraram crescimento mais forte em uma gama mais ampla de setores do que as economias industriais. Destaca-se o forte aumento da produção de coque e produtos de refino de petróleo nas economias em industrialização, enquanto houve queda nas economias industriais. Essa divergência, de acordo com a UNIDO, reflete provavelmente os impactos desiguais dos choques energéticos em curso.
O relatório da UNIDO também mostra uma perspectiva de mais longo prazo, examinando as tendências de crescimento sob diferentes ângulos. A análise considera três horizontes temporais: uma perspectiva de cinco anos para captar movimentos estruturais, além do crescimento anual e trimestral para destacar os resultados mais recentes.
Com base em indicadores de crescimento de longo e curto prazo e na trajetória de cada atividade desde 2020, o relatório mostra que a indústria de transformação mundial cresceu +13,3% nos últimos cinco anos, com os setores de maior intensidade tecnológica registrando crescimento mais forte, de +22,2%, frente a +5,3% nos demais setores.
As indústrias de maior intensidade tecnológica superaram as de menor intensidade tecnológica, registrando aumentos expressivos desde 2021 e mantendo um desempenho recente robusto, impulsionando assim o crescimento industrial geral.
Em particular, computadores e eletrônicos, outros equipamentos de transporte, equipamentos elétricos e veículos automotores foram os principais responsáveis pelo crescimento em cinco anos, além de apresentarem resultados expressivos no curto prazo.
Em contrapartida, as indústrias de menor intensidade tecnológica apresentaram tendências distintas e mais variáveis. Apenas a metalurgia teve desempenho superior à média mundial da indústria de transformação, enquanto a maioria dos demais setores ficou muito abaixo. O desempenho mais fraco foi registrado por produtos de madeira e móveis, com quedas na produção nos últimos cinco anos de +9,5% e +12,7%, respectivamente.
Em relação aos setores de menor intensidade tecnológica, das seis atividades que mais cresceram nesse grupo, produtos alimentícios, metalurgia e produtos de metal também cresceram nos últimos trimestres, enquanto bebidas e vestuário apresentaram padrões mais voláteis, incluindo várias contrações. Coque e produtos de refino de petróleo foram particularmente afetados pelas tensões geopolíticas, contribuindo para uma contração acentuada no 2º trim/26. Ainda assim, a produção dessa atividade manteve uma trajetória geral positiva nos últimos anos, embora com elevada variabilidade.
Desempenho da Indústria no Brasil e no Mundo
No 2° trim/26, o desempenho divulgado pela UNIDO com ajuste sazonal para a indústria de transformação do Brasil aponta para uma queda de -0,1% frente ao 1° trim/26. Nesta comparação, a indústria brasileira ficou muito abaixo do resultado para o agregado do setor no mundo (+1,5%).
O Brasil tem ficado sistematicamente abaixo do agregado global desde o início de elevação da taxa de juros pelo Banco Central brasileiro (Selic) no último quarto de 2024. Isso rompeu com o breve período de performance superior que a antecedeu.
Em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, o setor manufatureiro brasileiro apresentou pequeno avanço, de +0,5% no 2° trim/26, enquanto a indústria global cresceu +3,7%, como mencionado anteriormente.
Nesta comparação, a sequência de resultados desde a entrada de 2025 tem mostrado o Brasil aquém da indústria no mundo, diferentemente do que ocorria em 2024.
Ranking Indústria de Transformação Mundial
A partir da base de dados da UNIDO, o IEDI elaborou rankings internacionais de crescimento interanual da produção da indústria de transformação com 87 países para o 2° trim/26.
Cabe observar que as séries empregadas pela UNIDO possuem ajuste sazonal, embora usualmente o IBGE use dados sem ajuste nas comparações frente ao mesmo período do ano anterior. Por esta razão, pode haver pequena alteração em relação aos resultados divulgados pelo IBGE.
Dentre os 87 países da amostra de dados disponíveis da UNIDO, considerado apenas a variação do 2° trim/26 frente o 2° trim/25, o Brasil apresentou pequena melhora em relação à posição do trimestre anterior: aparecemos na 62ª colocação, após termos ficado na 65ª posição no 2° trim/25 (+0,3%). Em contraste com a posição que ocupamos no 1° trim/26 (66ª posição), também houve melhora marginal.
Mesmo com esse resultado modesto, a indústria de transformação no Brasil superou economias como África do Sul, México Alemanha e Chile dentre os selecionados abaixo no 2° trim/26.
Entre as primeiras posições do ranking ficaram Angola, Cazaquistão, Uzbequistão, Israel e Vietnã, todos com variações de dois dígitos.
No acumulado de primeiro semestre de 2026, por sua vez, o Brasil ficou na 59ª colocação, com variação positiva de +0,2%, após termos ficado na 64ª posição em 2025.
Os primeiros colocados no ranking do acumulado de 2026 até junho foram os mesmos que na variação frente ao mesmo trimestre de 2025.


















