Economia e Indústria
O ano começou com reação da indústria brasileira, ainda que não tenha compensado os meses e adversidade do final de 2025.
A economia brasileira ficou parada nos dois últimos trimestres do ano passado, registrando o semestre mais fraco desde a pandemia, enquanto o PIB da indústria voltou a se contrair.
A despeito do tarifaço americano, nossas exportações de bens industriais voltaram a crescer em 2025, mas sem compensar o avanço das importações, que marcou sobretudo os produtos de maior intensidade tecnológica.
O ano de 2025 terminou com a indústria de volta ao vermelho, freada pelos ramos produtores de bens de capital e de consumo duráveis, mais sensíveis às elevadas taxas de juros.
Os últimos dados divulgados pela UNIDO apontam nova expansão da indústria manufatureira mundial no 3º trim/25, com leve sinal de acomodação, vindo da Ásia e da América Latina.
Em nov/25, o desempenho industrial do país não trouxe novidades: manteve o quadro de estagnação e a maioria de seus ramos reduziu produção.
A indústria de transformação registrou mais um resultado negativo no 3º trim/25, mas os ramos de alta tecnologia conseguiram crescer, embora isso possa não se sustentar.
No 3º trim/25, teve continuidade a desaceleração do PIB brasileiro, com o consumo das famílias ficando praticamente estagnado, assim como o setor de serviços.
No 3º trim/25, as exportações da indústria de transformação brasileira para os EUA tiveram a perda mais intensa desde a pandemia, mas muito concentrada em bens de média e média-baixa intensidade tecnológica.
A indústria brasileira caminha para encerrar 2025 quase sem crescimento, especialmente a indústria de transformação.
Na conjuntura atual de elevadas taxas de juros, os avanços industriais tendem a ser pontuais, como indica o resultado de set/25, que anulou maior parte da expansão de ago/25.
A produção manufatureira mundial apresentou destacada resiliência em meio às tensões comerciais e cresceu bem à frente da indústria brasileira.
Nos últimos anos, o gasto tributário tem crescido expressivamente, sem uma devida avaliação das desonerações e pesando sobre o equilíbrio fiscal, mas também há distorções competitivas e distributivas menos discutidas associadas a eles.
O aumento de tarifas de importação dos EUA mais do que uma guinada protecionista, significa uma aceleração do processo de transformação da governança global.
Em ago/25, a produção industrial voltou a crescer, mas este resultado pode vir a ser pontual, como foi o de mar/25; por isso deve ser visto com cautela.
Embora três dos quatro grupos da indústria por intensidade tecnológica tenham desacelerado no 2º trim/25, aqueles mais intensivos em tecnologia foram os que pisaram mais fortemente no freio.
Ainda que o novo aumento de tarifas pelos EUA venha a prejudicar o desempenho exportador brasileiro, ao menos na primeira metade de 2025, os bens industriais de maior intensidade tecnológica conseguiram ampliar seus embarques.
Para a indústria, o segundo semestre de 2025 começou reproduzindo o mesmo padrão de desaceleração que vínhamos verificando desde a virada do ano.
Fator decisivo para a desaceleração do nosso PIB no 2º trim/25 foi a alta dos juros, restringindo o investimento e o consumo e levando nossas importações ao terreno negativo.
Além da alta informalidade, o aumento de práticas ilegais de certas empresas e a entrada de grupos criminosos em atividades econômicas lícitas colocam em risco a segurança pública, mas também criam um ambiente de concorrência desleal e geram grandes ineficiências econômicas.
