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                          IEDI na Imprensa - Recu­pe­ra­ções judi­ci­ais devem cres­cer em 2027

                          Publicado em: 02/11/2026

                          O Estado de São Paulo

                          Sob forte estresse finan­ceiro, empre­sas espe­ram defi­ni­ções sobre a polí­tica eco­nô­mica da nova ges­tão petista

                          Luiz Guilherme Gerbelli Renée Pereira

                          Nos últi­mos meses, Cláu­dio Damas­ceno, sócio das con­sul­to­rias RGF-Biz­doc, se debru­çou sobre oito cadeias pro­du­ti­vas para pro­je­tar a expan­são das recu­pe­ra­ções judi­ci­ais até o fim do ano que vem. São elas: agro­ne­gó­cio, comér­cio vare­jista, quí­mica e petro­qu­í­mica, trans­por­tes e logís­tica, ali­men­tos e bebi­das, cons­tru­ção e enge­nha­ria, ener­gia elé­trica e gás e meta­lur­gia e pro­du­tos de metal.

                          O estudo apon­tou que, nes­sas oito cadeias, havia 4.581 empre­sas em recu­pe­ra­ção judi­cial até 30 de junho. E esse número deve alcan­çar 5.554 no fim de 2027 no cená­rio base – em que a Selic cai para 13,25%, em dezem­bro, e para 11,5% em dezem­bro de 2027. A alta deve ser impul­si­o­nada sobre­tudo pelo seto­res de trans­por­tes e logís­tica, seguido de meta­lur­gia e pro­du­tos de metal e agro­ne­gó­cio.

                          Para o eco­no­mista José Roberto Men­donça de Bar­ros, sócio da MB Asso­ci­a­dos, as empre­sas devem che­gar ao fim do ano sob forte estresse finan­ceiro, em um cená­rio de cré­dito já res­trito. Segundo ele, a pers­pec­tiva para a con­ces­são de emprés­ti­mos depende, antes de tudo, das expec­ta­ti­vas em rela­ção à eco­no­mia. “A con­ces­são de cré­dito, assim como o res­tante das ati­vi­da­des da eco­no­mia, depende, antes de qual­quer coisa, da expec­ta­tiva futura sobre o que vai acon­te­cer. Se a expec­ta­tiva é de melhora, por­que tem um pro­grama (fis­cal) que per­mite pen­sar que a taxa de juros vai bai­xar, rolar a dívida a um custo razo­á­vel fica muito mais fácil do que esta­mos vendo hoje”, diz.

                          ALTERNATIVAS DIFÍCEIS. Na ava­li­a­ção do eco­no­mista, as empre­sas enfren­tam duas alter­na­ti­vas difí­ceis: con­se­guir rene­go­ciar ou ape­nas reno­var suas dívi­das a juros muito ele­va­dos, o que man­tém os negó­cios sob risco finan­ceiro, ou não obter cré­dito e aca­bar recor­rendo à recu­pe­ra­ção judi­cial.

                          Nesse cená­rio, o que empre­sá­rios e inves­ti­do­res dis­cu­tem hoje é como será a for­ma­ção da equipe eco­nô­mica do pró­ximo governo Lula e as medi­das que se espera que sejam anun­ci­a­das para as con­tas públi­cas. Por ora, dois nomes apa­re­cem como os mais cota­dos para ocu­par o posto de minis­tro da Fazenda: o do gover­na­dor ree­leito no Piauí, Rafael Fon­te­les (PT), e o do vice-pre­si­dente Geraldo Alck­min (PSB).

                          Em entre­vista na semana pas­sada ao Esta­dão, Fon­te­les disse que não con­ver­sou com o pre­si­dente Lula sobre car­gos no governo e que a pró­xima ges­tão petista fará equi­lí­brio fis­cal com corte em pri­vi­lé­gios, mas sem mexer em pro­gra­mas soci­ais.

                          “A eco­no­mia é uma ciên­cia social, não é ciên­cia exata. Então, a gente tem de res­pei­tar todas as opi­ni­ões de todo mundo. Obvi­a­mente, a tra­je­tó­ria da dívida pública tem de ser sus­ten­tá­vel em algum hori­zonte de tempo. Então, esse é o ponto prin­ci­pal para que a gente con­siga redu­zir a taxa de juros e para que haja cres­ci­mento eco­nô­mico”, disse Fon­te­les, na entre­vista.

                          A pos­si­bi­li­dade de rene­go­ciar as dívi­das a um custo menor, porém, depende tam­bém das expec­ta­ti­vas em rela­ção à polí­tica eco­nô­mica do pró­ximo governo. Nesse sen­tido, o resul­tado da elei­ção

                          “A con­ces­são de cré­dito, assim como outras ati­vi­da­des da eco­no­mia, depende, antes de tudo, da expec­ta­tiva sobre o que vai acon­te­cer. Se a expec­ta­tiva é de melhora, por­que tem um pro­grama que per­mite pen­sar que a taxa de juros vai bai­xar, rolar a dívida a um custo razo­á­vel fica muito mais fácil do que vemos hoje” José Roberto Men­donça de Bar­ros Sócio da MB Asso­ci­a­dos

                          “Nós advo­ga­mos por uma estra­té­gia mais gra­du­a­lista (no ajuste fis­cal) jus­ta­mente pelos efei­tos nega­ti­vos que isso pode ter sobre o cres­ci­mento eco­nô­mico e, con­se­quen­te­mente, sobre a demanda das empre­sas. O ideal é fazer um mix para que não se deprima demais a demanda, mas redu­zindo custo de capi­tal” Rafael Cag­nin Eco­no­mista-chefe do IEDI

                          pre­si­den­cial pegou boa parte das empre­sas e do mer­cado finan­ceiro no con­trapé. Com o sena­dor Flá­vio Bol­so­naro (PL) favo­rito na dis­puta do segundo turno, havia uma expec­ta­tiva de que os juros pudes­sem recuar de forma mais ace­le­rada caso ele saísse vito­ri­oso da dis­puta.

                          Embora tenha feito uma série de pro­mes­sas públi­cas para ampliar os gas­tos do governo, a equipe eco­nô­mica que acom­pa­nha Flá­vio defen­dia em con­ver­sas reser­va­das com empre­sá­rios e inves­ti­do­res um ajuste das con­tas públi­cas, o que, na visão de eco­no­mis­tas, pode­ria aju­dar a der­ru­bar os juros de maneira mais rápida.

                          A ree­lei­ção do pre­si­dente Lula, no entanto, deve alte­rar as expec­ta­ti­vas para a tra­je­tó­ria dos juros no País. Nesta semana, o Comitê de Polí­tica Mone­tá­ria (Copom) se reúne para defi­nir se corta ou não a Selic, atu­al­mente em 13,75% ao ano. Antes da elei­ção, a aposta era de uma redu­ção de 0,25 ponto por­cen­tual, mas a vitó­ria de Lula na dis­puta pre­si­den­cial tem levado parte do mer­cado a rever a pos­si­bi­li­dade de queda.

                          “Nós advo­ga­mos por uma estra­té­gia um pouco mais gra­du­a­lista (no ajuste fis­cal) jus­ta­mente pelos efei­tos nega­ti­vos que isso pode ter sobre o cres­ci­mento eco­nô­mico e, con­se­quen­te­mente, sobre a demanda das empre­sas”, afirma Rafael Cag­nin, eco­no­mista-chefe do Ins­ti­tuto de Estu­dos para o Desen­vol­vi­mento Indus­trial.

                          “O ideal é fazer um mix para que não se deprima demais a demanda, reti­rando receita ope­ra­ci­o­nal das empre­sas, mas que ocorra de tal modo a redu­zir custo de capi­tal. O que ainda não ficou claro é como esse tema vai cor­rer den­tro do governo à medida que forem se for­ma­tando os minis­té­rios”, acres­centa.

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