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                          Carta IEDI

                          Edição 519
                          Publicado em: 11/05/2012

                          Indústria no Primeiro Trimestre: Produção e Emprego em Queda

                          Sumário

                          O momento adverso pelo qual a indústria brasileira passa fica evidente com os resultados da atividade industrial regional e do emprego industrial no primeiro trimestre deste ano. De acordo com os dados mais recentes divulgados pelo IBGE, observar-se que o desempenho negativo da indústria no primeiro trimestre deste ano (–3,0%) decorreu da retração da produção nos três principais parques industriais do País. Em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais a produção industrial recuou, respectivamente, 6,2%, 6,8% e 1,4% no acumulado dos três meses iniciais deste ano com relação a igual período de 2011.

                          No Estado paulista, em doze dos vinte setores industriais pesquisados a produção foi negativa no primeiro trimestre. Quem mais puxou para baixo a produção foram os setores de Veículos automotores (–24,4%), Máquinas, aparelhos e materiais elétricos (–16,0%), Material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicações (–30,5%), Outros produtos químicos (–7,2%) e Farmacêutica (–7,7%).

                          No Rio de Janeiro, o número de setores cuja produção recuou no primeiro trimestre foi, em termos relativos, maior que o de São Paulo: dez dos treze setores pesquisados pelo IBGE. As influências mais negativas para a indústria fluminense vieram das atividades de Veículos automotores (–39,0%), Refino de petróleo e produção de álcool (–8,1%) e Farmacêutica (–14,9%).

                          Em Minas, os resultados são menos desfavoráveis. A queda de 1,4% da produção industrial mineira no primeiro trimestres do ano decorreu da retração das atividades produtivas em seis dos treze setores pesquisados. Os impactos mais negativos vieram dos setores de Metalurgia básica (–10,0%), Veículos automotores (–4,7%) e Indústrias extrativas (–4,4%).

                          Vale notar também que, nesses três estados, houve uma piora da produção industrial na passagem do quarto trimestre do ano passado para o primeiro trimestre deste ano. Em São Paulo, de uma queda de 4,4% no último trimestre de 2011 passou-se para a retração supracitada de 6,2% nos primeiros três meses deste ano. No Rio, de –2,5% para –6,8%; e em Minas, de –1,3% para –1,4% – todas as taxas calculadas com relação a igual período do ano anterior.

                          Com relação ao emprego, o número de ocupados na indústria voltou a cair em março (–0,4% frente a fevereiro, com ajuste sazonal) e, na série que compara mês com o mesmo mês do ano anterior, a trajetória de queda ficou mais acentuada: –0,3%, –0,5%, –0,4%, –0,4%, –0,7%, –1,2 %, nessa ordem, de outubro de 2011 a março deste ano.

                          Com esses resultados, o emprego industrial acumula retração de 0,8% no primeiro trimestre deste ano com relação a igual período do ano passado – um dos piores resultados de sua série histórica para um primeiro trimestre.

                          Um dos pontos agravantes desse cenário da indústria nacional é o que vem ocorrendo com o emprego industrial em São Paulo. O número de ocupados na indústria paulista vinha recuando a taxas expressivas de maio do ano passado até fevereiro deste ano (–0,6%, –1,2%, –1,7%, –1,4%, –2,1%, –3,3%, –3,5%, –3,1%, –3,0%, –2,9%) e, em março último, o resultado não foi diferente: –3,5% (todas as taxas calculadas com relação ao mesmo mês do ano anterior). No primeiro trimestre, o emprego industrial em São Paulo caiu 3,1% frente ao mesmo trimestre de 2011.

                          Em termos setoriais, o emprego industrial recuou, no primeiro trimestre, em dez dos dezoito setores investigados pelo IBGE. A ocupação caiu em setores mais tradicionais – como vestuário (–6,5%), têxtil (–5,1%), calçados e couro (–7,0%) e madeira (–10,2%) –, em setores produtores de commodities – papel e gráfica (–3,8%), minerais não-metálicos (–1,1%) e metalurgia básica (–2,9%) – e em outros como produtos de metal (–5,5%), borracha e plástico (–4,2%) e fumo (–5,7%).

                          A desaceleração da economia brasileira é mais um fator que explica (e, talvez, hoje de modo preponderante) esse quadro do setor. Não está claro qual será o comportamento tanto da produção industrial quanto dos ocupados na indústria neste segundo trimestre. É mais provável que, no período abril-junho, ambos não apresentem resultados favoráveis que possam sinalizar uma inequívoca recuperação. Tudo indica que uma possível recuperação só virá no segundo semestre do ano – como pode ser visto pelo número de horas pagas na indústria (um indicador antecedente de desempenho do emprego), que recuou 1,2% em março frente a fevereiro, com ajuste sazonal, e que vem caindo desde setembro de 2011 na série que compara mês com mesmo mês do ano anterior.

                           
                          Produção Industrial Regional. De acordo com os dados divulgados pela Pesquisa Industrial Mensal Regional do IBGE, na passagem de fevereiro para março, com ajuste sazonal, a produção industrial avançou em cinco dos catorze locais pesquisados. Os estados da Bahia (–1,3%), Minas Gerais (–0,7%), Santa Catarina (–0,7%), São Paulo (–0,3%) e região Nordeste (–0,5%) apresentaram queda na produção industrial. Já os estados do Paraná (9,8%), Goiás (6,7%), Amazonas (6,5%), Rio Grande do Sul (2,6%), Rio de Janeiro (2,5%), Ceará (1,9%), Pará (0,9%), Pernambuco (0,4%) e Espírito Santo (0,3%) apresentaram movimento contrário, isto é, apresentaram crescimento da produção industrial na passagem de fevereiro para março.

                          Na base de comparação mês contra mesmo mês do ano anterior, os estados de São Paulo (–6,2%), Santa Catarina (–6,0%), Rio de Janeiro (2,4%), Espírito Santo (–2,4%) registraram quedas superiores à média nacional (–2,1%). As demais taxas negativas foram assinaladas por região Nordeste (–1,4%), Minas Gerais (–0,7%) e Bahia (–0,7%). Por outro lado, o destaque positivo foi registrado no estado de Goiás, cuja produção cresceu 24,7%, refletindo, em grande parte, a maior produção do setor de produtos químicos (70,2%). Também registraram resultados positivos: Paraná (15,0%), Pará (5,5%), Rio Grande do Sul (1,5%), Ceará (1,3%), Amazonas (0,3%) e Pernambuco (0,1%).

                          A produção industrial acumulada entre janeiro e março apresentou queda em oito das quatorze localidades. Quatro locais recuaram acima da média nacional (-3,0%): Rio de Janeiro (–6,8%), São Paulo (–6,2%), Santa Catarina (–5,9%) e Ceará (–4,3%). As demais taxas negativas foram: Espírito Santo (–2,4%), Amazonas (–2,0%), Minas Gerais (–1,4%) e Pará (–1,2%). Nesses locais, o menor dinamismo foi influenciado por fatores relacionados à redução na fabricação de bens de consumo duráveis (automóveis, motos, aparelhos de ar condicionado e telefones celulares) e de bens de capital (especialmente os caminhões), além da menor produção dos setores extrativos (minérios de ferro), têxtil, vestuário e metalurgia básica. Por outro lado, os estados que obtiveram alta em seu crescimento foram: Goiás (18,8%), Bahia (8,0%), Paraná (7,4%), Pernambuco (5,6%), região Nordeste (4,0%) e Rio Grande do Sul (2,1%).

                          A redução no ritmo de crescimento do setor industrial no índice acumulado nos últimos doze meses na passagem de fevereiro para março (–1,1%) refletiu em 7 dos 14 locais pesquisados. Com destaque para queda no crescimento nos estados do Ceará (–10,4%) e em Santa Catarina (–6,6%). As principais expansões foram assinaladas em Goiás (11,4%), Paraná (7,7%) e Amazonas (4,1%).

                          Paraná. Em março, frente fevereiro, com dados já descontados dos efeitos sazonais, a produção industrial paranaense apresentou avanço de 9,8%. No confronto com março de 2011, constatou-se avanço de 15,0%, taxa influenciada pelos setores: edição, impressão e reprodução de gravações (89,2%), refino de petróleo e produção de álcool (17,7%) e veículos automotores (14,0%). Em sentido oposto, o único setor a apresentar queda foi o de máquinas e equipamentos (–11,7%). No acumulado no ano de 2012, a produção industrial obteve alta de 7,4%. Os setores de edição, impressão e reprodução de gravações (60,9%), madeira (22,8%) e refino de petróleo e produção de álcool (12,3%), apresentaram alta. Por outro lado, o setor de veículos automotores (–11,5%) apresentou queda em sua produção.

                          Goiás. Em março, frente fevereiro, com dados já descontados dos efeitos sazonais, a produção industrial goiana apresentou avanço de 6,7%. No confronto com março de 2011, constatou-se avanço de 24,7%, taxa influenciada pelos setores: produtos químicos (70,2%), minerais não metálicos (28,3%) e metalurgia básica (23,7%). Já a principal contribuição negativa foi observada pelo setor de indústria extrativa (–4,0%). No acumulado no ano de 2012 até março, a produção industrial atingiu (18,8%), com destaque para o crescimento nos setores de produtos químicos (84,7%) e minerais não metálicos (18,1%).

                          São Paulo. Em março, a indústria paulista apresentou queda de (0,3%), com dados livres de efeitos sazonais. Na comparação mensal (mês/ mesmo mês do ano anterior), o estado registrou queda de 6,2%, taxa influenciada pelos setores de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (–16,0%), produtos de metal (–14,2%) e edição, impressão e reprodução de gravações (–13,7%). Por outro lado, as principais contribuições positivas podem ser observadas pelos setores de material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicações (31,9%) e outros equipamentos de transporte (16,4%).











                          Emprego Industrial. Em março, o total dos ocupados na indústria geral recuou 0,4% em relação ao mês anterior, a partir de dados livres dos efeitos sazonais, após apontar variação positiva de 0,1% em fevereiro. No confronto entre março 2012 e março 2011, verificou-se queda dos ocupados assalariados em 1,2%, a sexta variação negativa consecutiva. No acumulado em 2012 até março, a variação foi negativa em 0,8%. Em doze meses terminados em março, frente aos 12 meses imediatamente anteriores, a ocupação na indústria total cresceu apenas 0,2%, e prosseguiu com a trajetória descendente iniciada em fevereiro de 2011 (3,9%).

                          Regionalmente, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, houve decréscimo do pessoal assalariado ocupado na indústria em nove dos quatorze locais pesquisados. O principal impacto negativo sobre a média global foi observado em São Paulo (–3,2%), com destaque para a redução no total do pessoal ocupado nas indústrias de produtos de metal (–14,3%). Acompanharam tal tendência a região Nordeste (–2,4%), Santa Catarina (–1,4%) e Ceará (–3,2%). Por outro lado, o número de ocupados no Paraná cresceu 3,2%, com destaque setor de alimentos e bebidas (8,8%). Já, no estado de Minas Gerais, o emprego industrial aumentou 1,9%.

                          No primeiro trimestre, frente o mesmo período de 2011, 8 locais apresentaram queda da ocupação industrial, com destaque São Paulo (–3,1%), região Nordeste (–1,4%), Santa Catarina (–1,4%), Ceará (–3,2%) e Bahia (–2,3%). Por outro lado, Paraná (4,0%) e Minas Gerais (1,9%) exerceram as maiores pressões positivas.

                          Em março na comparação com março de 2011, onze dos dezoito setores industriais pesquisados pelo IBGE assinalara queda no total de ocupados. Destacam-se as pressões negativas vinda de vestuário (–6,8%), produtos de metal (–6,2%), calçados e couro (–6,5%), têxtil (–5,7%), madeira (–9,9%), borracha e plástico (–3,8%) e papel e gráfica (–3,7%). Por outro lado, os setores de alimentos e bebidas (3,3%), máquinas e equipamentos (2,7%) e indústrias extrativas (4,5%), exerceram os principais impactos positivos sobre o total da indústria.

                          Número de Horas Pagas. O número de horas pagas na indústria, na passagem de fevereiro para março, apresentou resultado negativo (–1,2%), após registrar alta de 1,3% em fevereiro último. No confronto com igual mês do ano anterior, o número de horas pagas recuou 1,5% em março (a sétima taxa negativa consecutiva nesse tipo de confronto). No acumulado no ano, frente o mesmo período de 2011, a queda foi na ordem de 1,2%. No índice acumulado nos últimos doze meses, ao assinalar variação de –0,4% em março de 2012, apontou a queda mais intensa desde junho de 2010 (–0,9%) e permaneceu com a trajetória descendente iniciada em fevereiro de 2011 (4,5%).

                          Folha de Pagamento Real. Na passagem entre fevereiro para março de 2012, a folha de pagamento real registrou queda de 0,7%. O indicador mensal (mês/mesmo mês do ano anterior) assinalou acréscimo de 4,2%, 27º resultado positivo consecutivo nesse tipo de comparação. O índice acumulado no ano apontou avanço de 4,6% frente a igual período do ano anterior. Já o índice acumulado nos últimos doze meses cresceu 3,9% em março de 2012, prosseguindo com a redução no ritmo de crescimento iniciada em maio de 2011 (7,3%).









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