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                          Análise IEDI

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                          Publicado em: 23/12/2016

                          O peso dos juros

                          Os dados apurados pela pesquisa de crédito do Banco Central, cobrindo o período de janeiro a novembro de 2016, mostram que as concessões de novos financiamentos pelo sistema bancário brasileiro caíram pelo segundo ano consecutivo. A queda fora de 3,6% em termos reais em 2015 e sobe para -7,9% até novembro de 2016. Acumula, desta forma, um retrocesso de 11%, revelando claramente a magnitude da crise de crédito que vive a economia brasileira e que constitui um dos principais determinantes da forte recessão pela qual passamos. 

                          Entretanto, o resultado resumido acima não revela a acentuada diferença de trajetória entre o crédito para as pessoas físicas e o crédito para as empresas. Neste último caso, a crise vem sendo muito mais dramática: o recuo em 2016 sobe a 14,6%, perfazendo uma variação de nada menos do que -19% nos dois anos de crise econômica. No caso das famílias, a queda em 2016 até novembro chega a 2,1% e a 4,3% no conjunto dos dois anos de 2015 e 2016. 

                          A queda do crédito, tanto no caso das famílias como no das empresas, decorre de um duplo movimento: a) a queda da demanda por parte dos agentes econômicos diante do baixo nível de atividade e das expectativas ainda desfavoráveis para o futuro; e b) as restrições de oferta, devido ao risco percebido pelos financiadores. Estes vêm aumentando intensamente os spreads, vale dizer, a diferença entre a taxa de juros cobrada nos financiamentos e a taxa que obtêm os recursos para serem emprestados. 

                          Os spreads bancários subiram, no caso de pessoas jurídicas, de 9,7% ao ano em dezembro do ano passado, para 12,4% a.a. em outubro último, caindo para 11,6% a.a. em novembro. No caso das famílias, o spread salta de 26,6% a.a. para 33,1% a.a. em novembro último. 

                          Tais evoluções do spread são responsáveis por aumentos das taxas de juros do crédito nada desprezíveis, mesmo quando o Banco Central passou a reduzir as taxas básicas de juros da economia. O caso dos créditos para as famílias é ilustrativo: a taxa de juros média neste caso sobe de um nível já tão alto quanto 37,9% a.a. em dezembro de 2015, para 42,7% a.a. em novembro de 2016. 

                          Esta dinâmica de juros têm efeitos devastadores sobre o desempenho econômico, não só por encarecer o crédito corrente, o que deprime as compras a prazo, mas também por dificultar o ajuste dos balanços de empresas e famílias. As taxas de juros muito altas não permitem a queda das dívidas na mesma proporção dos esforços que empresas e famílias dedicam à redução das dívidas através do corte de investimentos e da compra de bens duráveis. 

                          O quadro do endividamento e comprometimento de renda das famílias pode ser dado como exemplo. No final de 2014, segundo ainda os dados do BC, o endividamento das famílias (sem considerar o financiamento imobiliário) correspondia a cerca de 30% da renda familiar acumulada em 12 meses. Nos dois anos de crise até outubro de 2016 tal nível de endividamento se reduz para 24%. Mesmo diante desta redução, o comprometimento da renda para pagamento de amortização e juros da dívida não cai, mantendo-se praticamente no mesmo nível equivalente a 19,6% da renda das famílias. Fosse outro o comportamento dos juros – ao invés de subirem, terem baixado ou ao menos estacionado ao longo dos últimos dois anos –, o desendividamento familiar já teria alcançado um estágio muito mais avançado, aproximando-se, em consequência, o momento de retorno desses agentes à contratação de novos créditos para ampliação de seu consumo.

                          Os dados de crédito, divulgados hoje pelo Banco Central, indicaram que o saldo das operações alcançou R$3.104 bilhões em novembro, que corresponde a uma participação no PIB de 49,5%. As operações de crédito realizadas com recursos livres responderam por 27,7% do PIB e a parcela com recursos direcionados, por 24,8% do PIB.

                          A carteira de crédito com recursos livres atingiu R$1.548 bilhões, o que representou uma expansão de 0,3% frente ao mês anterior, em termos nominais. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, a retração nominal foi de 4,1%. O valor destas operações realizadas junto a pessoas físicas correspondeu a R$809 bilhões, elevação nominal de 0,7% frente ao mesmo mês do ano anterior. Já as operações junto a pessoas jurídicas somaram R$740 bilhões, uma diminuição de 0,1% frente a outubro.

                          O estoque de crédito com recursos direcionados atingiu em novembro R$1.556 bilhões, o que representou, em termos nominais, alta de 0,3% frente ao mês anterior e de redução de 0,4% frente a novembro de 2015. O saldo referente a pessoas físicas foi de R$742 bilhões (aumento nominal de 0,6% sobre o mês anterior), enquanto que, para pessoas jurídicas, foi de R$814 bilhões (permanecendo estável no mês).

                          No mês de novembro foram concedidos R$286,9 bilhões em novas operações de crédito, frente a R$299,3 bilhões no mesmo mês do ano passado, uma variação real negativa de 4,1%. Deste volume, R$ 258,4 bilhões foram originados de recursos livres (redução de 2,6%frente ao mesmo mês do ano anterior).

                          Dentre as concessões de crédito às pessoas físicas a partir de recursos livres, destacaram-se as operações de cartão de crédito (R$97,6 bilhões), cheque especial (R$30,7 bilhões) e crédito pessoal (R$16,2 bilhões). Junto às empresas, as principais modalidades foram cheque especial (R$17,8 bilhões), conta garantida (R$17,0 bilhões), capital de giro (R$17,1 bilhões) e desconto de duplicatas (R$11,2 bilhões).

                          Quanto às concessões com recursos direcionados, a variação foi de -15,9% frente a novembro de 2015, atingindo R$ 28,5 bilhões.

                          Nas novas concessões de crédito realizadas com recursos direcionados destacaram-se, para pessoas físicas, as modalidades de crédito rural (R$ 6,0 bilhões) e financiamento imobiliário (R$ 7,0 bilhões). Para as empresas, as principais modalidades foram crédito rural (R$ 5,7 bilhões), BNDES (R$ 5,7 bilhões) e financiamentos imobiliários (R$ 1,2 bilhões). 

                          Setores. Do saldo total de crédito do sistema financeiro nacional, a carteira de operações para indústria alcançou R$ 760,3 bilhões, o que representa uma retração nominal de 7,2% frente a novembro de 2015. No caso da indústria de transformação, a redução do saldo nominal de crédito foi de 9,6% nesta mesma comparação, atingindo o valor de R$ 420,6 bilhões. O setor agropecuário respondeu por R$23,8 bilhões do montante, valor 3,5% menor, em termos nominais, do que o registrado em novembro de 2015. O saldo do setor de serviços foi de R$ 735,8 bilhões, redução nominal de 6,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

                          Juros e Inadimplência. A taxa média de juros total atingiu 33,3% a.a. em novembro. Nas operações originadas a partir de recursos livres, a taxa média foi de 53,9% a.a. (avanço de 5,8 p.p. em relação a novembro de 2015): 73,6% para pessoas físicas e 29,9% para pessoas jurídicas. Já no âmbito das operações de crédito oriundo de recursos direcionados, a taxa média foi de 10,6 % a.a. (aumento de 0,3 p.p. frente ao mesmo mês do ano passado): média de 10,2% para pessoas físicas e 11,1% para pessoas jurídicas.

                          A inadimplência total de novembro fica estável em 3,8%, um aumento de 0,4 p.p. em relação a novembro passado. Nas operações feitas com recursos livres, a taxa de inadimplência média registrada foi de 5,8%: 6,1% para pessoas físicas e 5,4% para pessoas jurídicas. Para os contratos feitos com recursos direcionados, a taxa média foi de 1,9%: 1,9% para as famílias e 1,8% para empresas.


                           


                           


                           


                           

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                          O ano de 2025 terminou com a indústria de volta ao vermelho, freada pelos ramos produtores de bens de capital e de consumo duráveis, mais sensíveis às elevadas taxas de juros.

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