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                          Análise IEDI

                          Comércio Varejista
                          Publicado em: 13/12/2016

                          A restrição do crédito e a crise do varejo

                          Em outubro, as vendas reais do comércio varejista caíram novamente, sendo acompanhadas pela grande maioria de seus segmentos. Não restam dúvidas de que 2016 vem trazendo um agravamento da situação do varejo, especialmente no segundo semestre, a contar por seu desempenho até outubro.

                          O declínio frente a setembro das vendas reais, já descontados os efeitos sazonais, foi de -0,8% no conceito restrito e de -0,3% no conceito ampliado, que inclui automóveis, autopeças e materiais de construção. Em ambos os conceitos, os resultados negativos predominam desde março de 2016, sendo momentaneamente interrompidos por um ou outro mês com crescimento nulo ou muito próximo disso.

                          Dada essa trajetória, o patamar da crise do varejo já ultrapassa em muito aquele do ano passado. No acumulado de janeiro a outubro do presente ano, as vendas reais no conceito restrito recuaram 6,7% frente ao mesmo período do ano anterior. No caso do conceito ampliado a queda chegou a 9,3%. A título de comparação, esses mesmos resultados em 2015 como um todo foram de -4,3% e -8,6%, respectivamente.

                          Dentre seus segmentos, o encolhimento do comércio varejista tem apresentado dois perfis distintos em 2016, cujo elemento crucial parece ser a necessidade de crédito para efetivar as vendas. A forte contração do crédito e os juros em patamares proibitivos estão na origem dos piores desempenhos neste ano.

                          Este é o caso do núcleo dos segmentos do varejo que têm maior associação com o crédito, como as vendas de automóveis, material de construção e móveis e eletrodomésticos, cujos resultados do segundo semestre prometem ser tão ou mais desfavoráveis do que aqueles do primeiro semestre. Aqui, as quedas imperam desde o início do ano.

                          Também estão neste grupo materiais de escritório e informática e outros artigos pessoais e de uso doméstico, que incluem as lojas de departamento. Nestes segmentos o desempenho tem sido mais volátil, porém com retrações expressivas na série com ajuste.

                          Abaixo, o resultado recente das vendas reais de alguns segmentos selecionados do varejo:

                               •  Automóveis e autopeças: -1,4% em julho, -4,7% em agosto, +2,9% em setembro e -0,3% em outubro, sempre frente ao mês anterior com ajuste

                               •  Material de construção: -2,8%, +1,2%, -3,1% e -4,0%, respectivamente

                               •  Móveis e eletrodomésticos: -0,6%, -2,3%, -2,0% e 0%

                               •  Materiais de escritório e informática: +2,9%, -4,4%, +0,7% e -1,5%

                               •  Hiper, supermercado, alimentos, bebidas e fumo: -0,8%, +0,6%, -1,4% e -0,6%

                               •  Tecidos, vestuário e calçados: -6,0%, -0,2%, -0,7% e +0,5%.

                          Em contraste a esses segmentos, estão aqueles cujas vendas dependem menos do crédito. Não é que suas vendas têm sofrido pouco com recessão doméstica em 2016, mas seus resultados oscilam em torno da estabilidade e os declínios, quando ocorrem, são menos acentuados.

                          Este último grupo compreende hiper, supermercado, alimentos, bebidas e fumo e também tecidos, vestuário e calçados. Vale observar, contudo, que a despeito do arrefecimento da inflação de alimentos, o primeiro destes segmentos vem apresentando uma deterioração adicional na segunda metade do ano.

                          Liderado pelos segmentos dependentes das concessões de crédito, mas sem poder contar muito com o desempenho das vendas dos demais, o varejo pode muito bem encerrar o ano com uma queda de 6,5% a 7,0% no conceito restrito e próximo de -10,0% no conceito ampliado.

                          Assim, fica claro que a contração do crédito e os juros altos são componentes decisivos da crise, afetando não apenas a produção industrial, como vimos semana passada, mas também o comércio varejista, como estamos vendo hoje. A parcimônia com que o BC está atuando certamente não ajuda a reversão do quadro desses dois importantes setores da economia.

                          De acordo com dados da Pesquisa Mensal do Comércio de outubro de 2016 divulgados hoje pelo IBGE, o índice de volume de vendas do comércio varejista no Brasil, a partir de dados dessazonalizados, registrou retração de 0,8% em relação a setembro. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, a queda foi de 8,2%, no acumulado do ano de -6,7% e nos últimos 12 meses, de -6,8%.  

                          O comércio varejista ampliado, que inclui vendas de veículos, motos, partes e peças e de materiais de construção, registrou queda de 0,3% sobre setembro, a partir de dados livres de influências sazonais. Na comparação com outubro de 2015, o decréscimo foi de 10,0%, no acumulado do ano foi de -9,3% e nos últimos 12 meses, a variação foi de -9,8%. 

                          A partir de dados dessazonalizados de outubro, frente ao mês de setembro, apresentaram altas os seguintes itens: Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (7,1%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (0,8%), Tecidos, vestuário e calçados (0,5%) e Livros, jornais, revistas e papelaria (0,4%,) enquanto que Móveis e eletrodomésticos teve variação nula. Do lado negativo, as principais variações vieram de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,6%); Combustíveis e lubrificantes (-1,7%) e, em menor medida, Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-0,1%). 

                          Em relação ao mês de outubro de 2015, todos os setores pesquisados continuam apresentando retração. No varejo restrito, o maior recuo foi observado nos segmentos de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-6,5%), seguido por Móveis e eletrodomésticos (-13,3%) e Combustíveis e lubrificantes (-10,4%). Em menor intensidade temos os segmentos Tecidos, vestuário e calçados (-12,1%); Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-7,6%); Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-6,1%), Livros, jornais, revistas e papelaria, (-17,3%); e Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-6,7%). No varejo ampliado, a venda de material de construção retraiu 13,8% enquanto que a de veículos e motos, partes e peças encolheu 13,5 %.

                          No acumulado do ano de 2016, todos os segmentos permanecem apresentando resultados negativos, com destaque para: livros, jornais, revistas e papelaria (-17,0%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-14,1%), móveis e eletrodomésticos (-13,6%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (-11,3%), tecidos, vestuário e calçados (-11,4%), combustíveis e lubrificantes (-9,8%) e hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-3,3%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (-1,5%). No varejo ampliado, a venda de materiais de construção retraiu 12,2% e a de veículos, motos, partes e peças, -14,5%. 

                          Em relação a outubro de 2015, no comercio ampliado apenas o estado de Roraima (7,8%) apresentou expansão do volume comercializado. As demais regiões pesquisadas tiveram retração, puxados por Pará (-16,5%); Tocantins (-14,7%) e Mato Grosso (-14,4%). O estado que apresento o maior impacto negativo foi São Paulo (-10,7%), seguido por Rio de Janeiro (-11,0%).


                           


                           


                           

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