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                          Análise IEDI

                          Economia Internacional
                          Publicado em: 20/10/2016

                          Cenários para 2016 e 2017

                          A Carta IEDI que será divulgada ainda hoje trata das perspectivas da economia mundial para o corrente e o próximo ano, segundo as projeções recentemente realizadas pelo FMI, OCDE e Unctad. 

                          A dinâmica internacional exerce influência fundamental sobre a economia brasileira por diversos canais, dentre os quais o comercial (demanda externa e preços das commodities) e o financeiro (disponibilidade e condições de custo e prazo dos fluxos de capitais). Assim, é importante acompanhar a evolução recente e as perspectivas para a economia global em 2016 e 2017, que podem agravar ou aliviar o atual quadro recessivo do Brasil. 

                          A nova projeção do FMI, divulgada agora no mês de outubro no World Economic Outlook - WEO, prevê uma expansão de 3,1% da economia mundial em 2016. Esta cifra é 0,1 ponto percentual (p.p.) inferior à divulgada em abril (3,2%), mas equivalente à atualização de julho. Assim, de acordo com o cenário básico do Fundo, a atividade econômica global apresentará uma pequena desaceleração frente a 2015, quando o crescimento foi de 3,2%.

                          Já as estimativas de outros organismos multilaterais, divulgadas em setembro, são menos otimistas. A OCDE aponta para um desempenho global de 2,9% em 2016, cifra também 0,1 p.p menor que a projeção anterior, divulgada em junho (3%). Por sua vez, a estimativa da Unctad, realizada somente uma vez ao ano, no Trade and Development Report, aponta para um crescimento ainda mais fraco da economia mundial, de apenas 2,3%. 

                          É importante frisar que, mesmo se o cenário mais otimista do FMI se confirmar, a atividade econômica mundial registrará em 2016 o pior desempenho desde 2009, quando houve retração de 0,1% em função da crise financeira global. Em outras palavras, 2016 apresentará o menor ritmo de crescimento do período pós-crise (5,4% em 2010, 4,2% em 2011, 3,5% em 2012, 3,3% em 2013, 3,4% em 2014 e 3,2% em 2015). Assim, a média de crescimento mundial seguirá bem inferior àquela registrada no período pré-crise: 3,7% entre 2010 e 2016 contra 5,1% entre 2003 e 2007. 

                          Para 2017, em contrapartida, as projeções tanto do FMI como da OCDE indicam uma pequena aceleração de 0,3 p.p.. Para o FMI, 2017 terminará com alta de 3,4% e, para a OCDE, de 3,2%. Ou seja, no primeiro caso, equivalente ao desempenho de 2014 e no segundo ao de 2015.  Vejamos, a seguir, com mais detalhe o cenário recentemente traçado pelo FMI tanto para 2016 como para 2017.

                          A deterioração do cenário do Fundo para 2016 decorreu da redução da projeção de crescimento para as economias “avançadas”, de 1,9% na estimativa divulgada em abril para 1,6% em outubro (mesma estimativa da OCDE). Em contrapartida, as economias emergentes e em desenvolvimento devem crescer 4,2%, segundo a estimativa mais recente, contra 4,1% na projeção de abril. Notar que nas duas edições anteriores do WEO (out/2015 e abr/2016), a revisão para baixo das projeções do FMI envolveu os dois grupos de países. 

                          Assim, o título do WEO de out/2016, “Subdued demand” (ou seja, Demanda moderada), refere-se, sobretudo, à situação das economias avançadas, cuja desaceleração será de 0,5 p.p. frente à 2015 (2,1%) no cenário atual do FMI. Esse resultado reflete, sobretudo, a significativa redução do crescimento estimado para os Estados Unidos, que passou de 2,4% na projeção de abril para 1,6% em outubro de 2016 (-0,8 p.p.). 

                          Para o Reino Unido, a previsão mais recente é de uma expansão de 1,8% em 2016 contra 2,2% em 2015 e para a área do euro de 1,7% contra 2,0%. Vale destacar que, embora a estimativa para a região da moeda única continue inferior à do Reino Unido, a diferença tornou-se bem menor que a prevista no cenário de abril (-0,1 p.p contra -0,4 p.p.) em função da revisão para baixo das projeções do Fundo para economia britânica após o Brexit ter recebido a maioria dos votos no referendo realizado em 23 de junho de 2016. 

                          No caso da área do euro, considerando as principais economias, o cenário mais favorável ancora-se no aumento das projeções de crescimento da Alemanha, França e Espanha (0,2 p.p. para os dois primeiros e 0,5 p.p. para o terceiro). Já para a Itália, houve corte na projeção, de 1% para 0,8% (mesmo patamar de 2015). Por sua vez, no caso do Japão, que continua ocupando a posição de lanterninha nesse grupo, a projeção atual é a mesma de abril (0,5%), apontando para a manutenção do patamar de expansão de 2015. 

                          Se as projeções do fundo se confirmarem, a economia americana interromperá a trajetória de aceleração traçada desde 2013 e apresentará o menor ritmo de expansão desde 2012. Ademais, a perda de ritmo dos EUA frente a 2015 (-1 p.p.) será maior que as previstas para o Reino Unido e para a área do euro (-0,4 p.p. e -0,3 p.p., respectivamente), o que resultará numa conjuntura inédita no período pós-crise, qual seja, um crescimento ligeiramente maior nesses dois últimos em comparação com os Estados Unidos, bem como numa menor assimetria de desempenho no âmbito das economias avançadas (exclusive o Japão). Todavia, essa situação não perdurará em 2017, quando se estima uma desaceleração na área do euro e no Reino Unido (ainda mais forte que em 2016, para 1,1%, também reflexo do Brexit) e recuperação da economia americana.   

                          De acordo com FMI, o desempenho modesto das economias avançadas nos últimos anos, que se repetirá em 2016, está associado a quatro principais fatores, quais sejam:

                          •  Após oito anos da eclosão da crise financeira global, seus impactos negativos sobre as economias avançadas ainda não foram totalmente superados e continuam dificultando uma retomada mais forte da atividade econômica, dentre os quais o estoque ainda elevado de ativos depreciados dos bancos da área do euro e o espectro da deflação.

                          •  O baixo crescimento da produtividade após a crise, cujas causas continuariam incertas. Possíveis explicações seriam o próprio legado da crise, sobretudo os investimentos em patamares deprimidos, bem como o esgotamento dos ganhos de produtividade da revolução tecnológica nas áreas de informática e comunicação

                          •  As tendências demográficas desfavoráveis nas economias avançadas associadas às baixas taxas de natalidade e ao envelhecimento da população, com repercussões negativas sobre os sistemas públicos de aposentadoria e saúde.

                          •  A desaceleração e as mudanças no perfil de crescimento da China (com aumento da importância do consumo frente ao investimento e do mercado interno frente ao externo), que resultam numa menor demanda pelas exportações de bens manufaturados das economias avançadas e da Ásia emergente, bem como em menores preços das commodities, com efeitos negativos sobre os países exportadores desses bens. A China também tem afetado as economias emergentes pelo canal financeiro: o apetite dos investidores globais pelos ativos dessas economias passou a ser afetado pelas avaliações sobre o sucesso (ou fracasso) da estratégia em curso de redirecionamento do eixo do crescimento para o mercado interno.

                          No âmbito das economias emergentes, pela primeira vez após quatro anos de desaceleração, o cenário do FMI projeta ritmo maior do crescimento, passando de 4% em 2015 para 4,2% em 2016. Este percentual que responderá por 75% (3/4) do crescimento global de 2016. Para tanto, conta-se com a recuperação das respectivas demandas domésticas, já que as perspectivas para o volume do comércio internacional se deterioraram, como será visto a seguir. A revisão frente ao cenário de abril (4,1%, previsão mantida em julho) decorreu, sobretudo, das perspectivas menos sombrias para as economias russa e brasileira.

                          No caso da Rússia, o desempenho esperado recuou de -1,8%, na projeção de abril, para -0,8%, na projeção de outubro, e no caso do Brasil, de -3,8% para -3,3%. Com isso, o resultado do PIB desses dois países do chamado “BRICS” será menos adverso do que em 2015. 

                          Contudo, a recessão mais amena no Brasil não se refletiu na projeção para a América Latina (retração de 0,6% frente a 0,5% em abril, depois da estagnação em 2015) devido à deterioração das projeções para outros países, dentre os quais o México, cujo crescimento do PIB esperado para 2016 foi reduzido de 2,4%, na projeção de abril, para 2,1% em outubro, implicando uma desaceleração mais intensa frente aos 2,5% registrados em 2015. 

                          Já no caso das duas principais economias asiáticas, a revisão do cenário para 2016 foi positiva (+0,1 p.p. frente à projeção de abril), o que resultará numa menor desaceleração da China em relação à 2015 (6,6% contra 6,9%) e na manutenção do mesmo ritmo de expansão na Índia (7,6%). Com isso, pelo segundo ano consecutivo, o crescimento indiano superará o chinês. 

                          Para 2017, o FMI projeta aceleração da trajetória ascendente (para 4,6%) das economias emergentes e em desenvolvimento, ancorada na saída da recessão da Rússia (1,1%) e do Brasil (0,5%), retomada no México (2,3%), manutenção do crescimento indiano no mesmo patamar de 2016 (7,6%), mas uma nova desaceleração da China (6,2%).

                          Em relação ao volume do comércio internacional, as perspectivas do FMI se deterioraram desde o WEO de abril. A projeção atual do Fundo indica um crescimento de 2,3% frente a 2,7% estimado em julho e 3,1% em abril. Com isso, se confirmado esse resultado, será o terceiro ano consecutivo de desaceleração das quantidades transacionadas em âmbito mundial. Esse baixo dinamismo é reflexo do próprio desempenho modesto das economias avançadas, da mudança na composição do crescimento chinês, bem como do ritmo mais lento de fragmentação da produção após a crise de 2008. 

                          Em contrapartida, as projeções para os preços das commodities melhoraram entre as edições do WEO de 2016. A deflação da cotação do petróleo passou de 31,6% em abril para 16,9% em julho e 15,4% em outubro e das commodities metálicas e agrícolas de 9,4% para 4,2% e 2,7%. Já para 2017, as perspectivas são positivas tanto para o volume do comércio (3,8%), como para os preços das commodities. Assim, no próximo ano, se o cenário básico do FMI se confirmar, a evolução da economia global favorecerá a economia brasileira e deve contribuir para a superação da crise atual.

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