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                          Análise IEDI

                          Economia e Política Econômica
                          Publicado em: 03/02/2012

                          As razões do declínio

                           
                          O IBGE noticiou esta semana a fraca evolução da produção industrial brasileira em 2011, enquanto uma forte expansão ocorria no mercado interno consumidor. As vendas do comércio varejista nacional tiveram variação real de 6,5% no ano passado, mas a produção da indústria cresceu apenas 0,3% e a produção industrial de bens de consumo diminuiu 0,7%. Portanto, trata-se de um desempenho pífio comparativamente a um mercado de consumo dinâmico e que vai sendo abastecido crescentemente pelo produto importado.

                          Está é uma faceta da desindustrialização que se acelera no país. Mas, o que parece ser um problema da indústria corresponde na verdade a um impasse da economia brasileira. A indústria pode e deve procurar melhorar sua competitividade, promovendo avanços em seus níveis de inovação e de produtividade em linha com a trajetória seguida pelos países de maior agressividade industrial. É preciso sublinhar que a indústria brasileira não se notabiliza propriamente por ser um setor onde predomina a ineficiência e a baixa produtividade, mas sem dúvida pode melhorar – e muito – nessas áreas.

                          A propósito, embora tenha sido muito bem elaborada e represente um grande progresso com relação a iniciativas anteriores, a última versão da política industrial (o Plano Brasil Maior) não se preocupou com a produtividade da indústria e não há na política brasileira de desenvolvimento uma decidida orientação de avanço no setor de serviços, onde a produtividade tem grande deficiência. O Brasil precisa urgentemente dedicar incentivos e energias para elevar a produtividade dentro e fora da indústria.

                          Todavia, além do tema da produtividade, não se deve perder de vista outra questão que tem sido ainda mais decisiva como definidora do colapso da competitividade industrial. Trata-se da elevação ao longo da última década e meia dos custos de produzir no país, o que transformou o Brasil em uma das economias mais caras do mundo. Mesmo que a taxa de câmbio compensasse em alguma medida esse processo, seus efeitos negativos sobre o padrão de custos de toda a economia seriam sentidos. Ocorre que o câmbio aprofundou ao invés de amenizar o processo, agravando assim o nosso diferencial de custos relativamente a outros países.

                          Estamos nos referindo a tema conhecidos, como os de tributação, custo de energia, custo de capital de terceiros e de uma logística que é ruim e cara no país. Nada disso afeta só a indústria e é uma ilusão achar que o nosso varejo ou o setor de serviços ou ainda a agropecuária ou a indústria extrativa não tenham seus custos majorados devido aos fatores relacionados acima. Esses setores também sofrem com as consequências dos aumentos de custos sobre suas margens de lucro. O que os diferencia é sua capacidade de eventualmente neutralizarem os impactos adversos através de variações de preços. A agropecuária de exportação e a produção de minérios, por exemplo, vêm contando com favoráveis preços nos mercados internacionais como um automático mecanismo de ajuste ao maior custo doméstico.

                          Na indústria, especialmente se são levadas em conta as condições da concorrência internacional nos mercados industriais no pós-crise de 2008, não há via de escape porque sua produção concorre com a de outras economias que não incorrem nas mesmas elevações de custo e que protegem suas moedas das ondas de valorização causadas por baixas taxas de juros internacionais e pela liquidez mundial frouxa derivada de políticas monetárias como a executada nos Estados Unidos da América e agora na Europa.

                          Portanto, embora não se possa negar que a indústria brasileira tem muito a avançar em seus padrões de produção e de produtividade, não vem majoritariamente dela própria o mal que está levando ao seu encolhimento, mas é nesse setor que as más políticas econômicas se revelam com maior integridade e em primeira mão. Em suma, redução de custos sistêmicos com a ajuda de um impulso decisivo na produtividade da economia e da indústria é o fator determinante para redefinir para o futuro o quadro ruim que atravessa a indústria.
                           

                           

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                          Em abr/26, a indústria cresceu, mas o impulso foi bastante concentrado em uma pequena fração do setor, indicando mais uma vez um quadro de frágil dinamismo.

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                          O ano começou com reação da indústria brasileira, ainda que não tenha compensado os meses e adversidade do final de 2025.

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                          A economia brasileira ficou parada nos dois últimos trimestres do ano passado, registrando o semestre mais fraco desde a pandemia, enquanto o PIB da indústria voltou a se contrair.

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                          O ano de 2025 terminou com a indústria de volta ao vermelho, freada pelos ramos produtores de bens de capital e de consumo duráveis, mais sensíveis às elevadas taxas de juros.

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                          No 3º trim/25, teve continuidade a desaceleração do PIB brasileiro, com o consumo das famílias ficando praticamente estagnado, assim como o setor de serviços.

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                          Na conjuntura atual de elevadas taxas de juros, os avanços industriais tendem a ser pontuais, como indica o resultado de set/25, que anulou maior parte da expansão de ago/25.

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