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                          IEDI na Imprensa - Exportação e Importação

                          Publicado em: 14/05/2012

                          Exportação e Importação
                          Brasil Econômico – 14/05/2012

                          Julio Gomes de Almeida

                          Dois pontos devem ser destacados na análise dos coeficientes de comércio exterior da indústria brasileira: a) a intensa perda de expressão das exportações para as empresas industriais poderá deixar sequelas para a dinâmica da economia; b) a maior dependência de insumos importados na produção de bens industriais brasileiros pode desestruturar cadeias produtivas inteiras, dentre elas as mais representativas das etapas superiores da evolução industrial.

                          O coeficiente de exportação, que avalia a relação entre o quanto o país exporta em valor e o que produz sua indústria de transformação, chegou a alcançar, segundo estimativas da CNI e da Funcex, 21,6% em 2005, o que denotava uma significativa orientação exportadora da indústria brasileira. Desde então um processo intenso de reversão fez com que em 2011 baixasse a 15%, um nível próximo à média do final dos anos 90. Este retrocesso pode levar a uma menor propensão ao investimento e menor inovação por parte da empresa brasileira caso o mercado interno, do qual ela passou a depender excessivamente, diminua seu dinamismo.

                          Já o coeficiente de insumos importados avalia, em valor, o peso do insumo produzido no exterior na produção interna. Em um contexto de valorização do real a maior utilização desses insumos foi uma alternativa que as empresas encontraram para baratear a fabricação de seus produtos. Daí o grande aumento nos últimos anos: de 17,2% em 2005 para 22,4% em 2011. Em alguns setores o processo teve muito mais força.

                          Em produtos de informática e eletrônica os insumos importados passaram a representar 76,7% da produção em 2011, contra 49,0% em 2005; em metalurgia, 46,4% em 2011 (26,2% em 2005); em produtos farmacêuticos, 44,4% (38,8%); em produtos químicos, 44,1% (28,1%) e em aviões e outros equipamentos de transporte, 38,1% (26,4%). Em outros ramos, o coeficiente também aumentou, porém menos, como em produtos têxteis, máquinas e equipamentos e veículos. Possivelmente, um determinante cíclico condicionou em alguns casos o aumento do coeficiente, mas não nos parece ser este o caso geral.

                          A penetração das importações através da produção finca raízes mais profundas do que a penetração do produto importado nos mercados de bens finais, de forma que não é de fácil reversão quando muda o ciclo econômico. Por outro lado, as elevações do coeficiente de insumos importados ocorreram mais em setores de maior tecnologia e mais representativos de revoluções industriais recentes. Somente mudanças mais profundas na economia, em seus padrões de custo, produtividade e competitividade, associadas à execução de políticas industriais, poderão mudar este quadro.

                          Como solução isolada para os problemas vivenciados pela indústria brasileira, o aumento do coeficiente de insumos importados pode ter alcance limitado se os fatores da menor competitividade industrial não forem atacados. Além disso, como a maior importação empobrece as cadeias produtivas domésticas e pode restringir o poder de encadeamento da indústria sobre outros setores econômicos, o potencial de crescimento da economia pode ser reduzido.


                           

                          Julio Gomes de Almeida é Professor da Unicamp e
                          ex-Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda

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