IEDI na Imprensa - A Fraqueza da Economia
A Fraqueza da Economia
Brasil Econômico - 23/04/2012
Julio Gomes de Almeida
Era esperada uma melhora do desempenho da economia brasileira no início de 2012, após um terceiro e quarto trimestres de 2011 fracos. O principal motivo do otimismo era o fim de um ciclo de estoques que juntamente com a concorrência das importações deprimira o crescimento do setor industrial. Não se antecipava uma recuperação brilhante, mas sim algo que indicasse o início de uma reativação da indústria com desdobramentos para outros setores.
Nada disso aconteceu, como os principais indicadores da economia mostram com clareza. No comércio, após uma expansão significativa em janeiro (+3,3% frente a dezembro de 2011), as vendas reais caíram 0,5%. O dinamismo do varejo foi mantido na média dos dois primeiros meses do ano graças às vendas de alimentos e bebidas que, turbinadas pela elevação do salário mínimo, acusaram acréscimo de 10,1% sobre igual período do ano anterior, mais do que compensando os índices ruins em ramos como o de produtos têxteis, vestuário e calçados (-0,9%) e veículos (-1,5%).
No emprego formal, os setores de serviços e construção civil ainda sustentam índices globais que não são de todo adversos, mas nem mesmo esses segmentos estão conseguindo reproduzir o êxito do ano passado, em uma indicação de contágio de uma crise que nasceu na indústria. Já o emprego no comércio e, sobretudo, na manufatura, está em franco declínio. Nesse último caso, a contratação líquida no primeiro trimestre chegou a 52 mil empregados contra 128 mil em 2011, uma queda de 59%.
As importações brasileiras também evidenciam a fraqueza da economia. As compras de bens de capital mecânico, que evoluíam a uma taxa de 34,2% no primeiro trimestre de 2011, contra igual período do ano anterior, tiveram um crescimento bem menor em 2012: 9,9%. Em bens de capital elétrico a evolução passou de 32,4% para apenas 4,9%. Nas exportações de produtos industriais, o aumento de 20% no primeiro trimestre de 2011 deu lugar a uma taxa de 5,7% nesse ano.
Finalmente, a indústria, longe de completar o reequilíbrio de estoques, deu sequência ao seu encolhimento, de forma que no primeiro bimestre do corrente ano teve queda de 3,4% relativamente ao mesmo período de 2011. Em bens de capital e bens duráveis o recuo foi de 14,6% e 15,4%, respectivamente. Refletindo a debilidade da economia, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central registrou duas quedas sucessivas nesse início de 2012 na comparação com o mês anterior: 0,18% em janeiro e 0,23% em fevereiro.
O quadro da economia, portanto, não é bom já que há sinais de interrupção dos ciclos de investimento e de bens duráveis que sustentaram a expansão nos últimos sete anos e, ainda, porque, através da indústria a demanda efetiva "vaza" para o exterior, restringindo o crescimento doméstico. O governo adotou medidas para aliviar problemas setoriais e vem sustentando a taxa de câmbio em um nível mais favorável para a agropecuária e a indústria. Além disso, se empenha em reduzir a taxa básica de juros e as taxas do crédito. Essas ações levam tempo para surtirem efeito, mas com elas a perspectiva é de que o crescimento econômico seja maior ao longo do ano.
Julio Gomes de Almeida é ex-secretário de política econômica
do Ministério da Fazenda e economista do IEDI
