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                          IEDI na Imprensa - De Paciente na UTI a Atleta Olímpico

                          Publicado em: 04/04/2012

                          De Paciente na UTI a Atleta Olímpico
                          Folha de São Paulo - 04/04/2012

                          Frederico Fleury Curado

                          O Brasil não precisa escolher entre ser potência industrial ou produtor de commodities, mas precisa vencer o seu anacrônico sistema tributário

                          A indústria foi o setor econômico no Brasil que mais sofreu com os movimentos macroeconômicos que o país e o mundo experimentaram nas últimas décadas.

                          A participação da indústria de transformação brasileira na formação do Produto Interno Bruto retrocedeu de 35% para 15% nos últimos 30 anos e a situação atual poderia ser metaforicamente classificada como a de um paciente na UTI.

                          Para uma maior clareza da dimensão do problema, a Coreia viu seu PIB industrial evoluir de 9% para 38% no mesmo período, a China de 27% para 52%, e a Indonésia de 9% para 30%.

                          O governo brasileiro não está contemplativo diante desse quadro negativo e tem utilizado três estratégias para criar um ambiente que permita a preservação e recuperação da indústria nacional: o Plano Brasil Maior, a redução dos juros associada a medidas prudenciais que tentam se contrapor ao processo de supervalorização do real e a sólida capacidade de investimentos do BNDES.

                          O Brasil precisa, entretanto, perenizar os meios e as condições para que sua indústria possa não apenas sobreviver, mas ter alta hospitalar, explorar todo seu potencial e vigor físico e evoluir para uma condição de atleta olímpico.

                          Isso se dará através de uma política industrial inteligente, arrojada e longeva, que necessariamente deve se apoiar nos pilares da produtividade, do estímulo aos investimentos e da competitividade global da economia brasileira.

                          A questão da produtividade envolve a qualificação da mão de obra, a inovação lato sensu, o desenvolvimento tecnológico e a modernização do parque industrial. Estado e empresas têm papéis complementares nesse esforço, sintonizando as suas prioridades, investindo de forma contínua, crescente e compartilhando riscos.

                          No que tange à competitividade global da economia brasileira, além de enfrentar a concorrência de importados no mercado doméstico, é preciso que a nossa indústria conquiste mercados de exportação.

                          Os fatores sistêmicos são complexos, como câmbio, infraestrutura e custo de capital, mas é no anacrônico sistema tributário que reside o maior empecilho ao desenvolvimento econômico e social do país.

                          Não é uma agenda simples, por certo, mas é rigorosamente necessária para fazer o Brasil deslanchar em definitivo.

                          Assim como um atleta não consegue competir em todas as modalidades, o Brasil não será competitivo em todos os setores da indústria. Por outro lado, uma vez estabelecidas as condições de longo prazo, o foco nos segmentos industriais com real capacidade de competir globalmente surgirão naturalmente.

                          O momento é propício para se iniciar uma firme reversão das adversidades que afligem a indústria brasileira. Um país com a dimensão geográfica e populacional do Brasil não precisa fazer uma opção entre ser uma potência produtora de commodities e uma potência industrial, tendo todas as condições de ser ambos.

                           

                          FREDERICO FLEURY CURADO, 50, é engenheiro e presidente da Embraer.
                          É vice-presidente Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI).

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