IEDI na Imprensa - O Preço do Investimento
O Preço do Investimento
Brasil Econômico – 05/01/2012
Julio Gomes de Almeida
Investir é uma decisão complexa, pois envolve inúmeras avaliações difíceis que correspondem a antecipações sobre o futuro que ninguém é capaz de prever. Implicitamente o empresário leva em conta uma previsão de crescimento da demanda do produto cuja produção o investimento irá facilitar. Considera também os custos de produção futuros, a concorrência que lhe permitirá maior ou menor condição de fixação de preços, o desenvolvimento tecnológico, dos mercados e muitos outros fatores que influenciarão o rendimento provável da nova inversão.
Os determinantes acima formam na maioria dos casos o núcleo que leva à decisão positiva ou negativa sobre o investimento, mas o preço que se paga para investir é outro componente a ser levado em conta, podendo ser fator decisivo em várias ocasiões. Quanto mais baixo o preço relativo que o empresário pagará pelos bens de investimento, maior será o retorno esperado e maior o volume de investimento contratado. O economista Mauro Thury, da Universidade Federal do Amazonas, realizou estudos em que avaliou o preço relativo do investimento no Brasil e em outros países. O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI) concluiu um trabalho recentemente em que atualizou essas avaliações e os resultados são muito ilustrativos para uma reflexão sobre o custo da inversão no Brasil. O preço do investimento em nossa economia vem caindo segundo os últimos dados de 2010.
Duas considerações, no entanto, devem ser feitas a esse respeito. A primeira delas é que tal queda esteve muito dependente da valorização do real, que barateou os equipamentos importados, um fator que pode a qualquer momento ser revertido, como ocorreu em 2011. O caminho ideal é o que torna mais barato o custo da construção e dos bens de capital produzidos no país. Ou seja, o Brasil precisará de políticas que reduzam o preço dos insumos utilizados na produção de bens de inversão e menor tributação sobre esses bens. Além disso, os esforços passam pela maior oferta doméstica de mão-de-obra qualificada - a redução do conhecido déficit de engenheiros, por exemplo; pela ampliação e aprimoramento em serviços de apoio necessários para a produção de bens de capital; modernização e avanço tecnológico no setor de construção; sem citar a premência de se melhorar a infraestrutura.
O segundo ponto diz respeito ao que ocorre no Brasil em comparação a outros países. Nesse caso nossa posição em termos de preço do investimento fica especialmente desfavorável e reforça a necessidade de políticas como as acima mencionadas. Medindo o preço dos bens de investimento relativamente ao nível de preços do PIB dos EUA (PIB dos EUA igual a 100 para todos os anos) cabem as seguintes considerações. Primeiramente, o nível de preços do investimento no Brasil cresceu nos últimos anos atingindo o ápice em 2009, de 85,5; em 1985, este deflator ficara em 35,4; e, no ano de 2000, foi de 48,1. Assim, superou o próprio preço da inversão dos EUA, bem como dos Tigres Asiáticos (Coreia do Sul, Cingapura, Hong Kong e Taiwan), dos demais BRICS e mesmo de países latino-americanos, a exemplo de Argentina, Chile e México, ficando somente menor do que o de países avançados, como Japão e países europeus.
Julio Gomes de Almeida é professor da Unicamp e economista do IEDI
