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                          IEDI na Imprensa - Em dois anos, Bra­sil des­penca em ran­king de pro­du­ção indus­trial

                          Publicado em: 22/07/2026

                          O Globo

                          Bra­sil saiu da 33ª posi­ção em 2024 para 69ª neste ano. Ana­lis­tas citam tri­butação, juros e falta de aber­tura comer­cial

                          Mayara Castro e Roberto Malfacini 

                          A indús­tria de trans­for­ma­ção, que deve ser o setor mais afe­tado pelo tari­faço, já vem se redu­zindo. Em dois anos, o Bra­sil caiu de 33º para 69º num ran­king de 90 paí­ses com base em dados da Unido. Tri­bu­ta­ção, juros e câm­bio altos e falta de aber­tura são fato­res.

                          Ain­dús­tria de trans­for­ma­ção do Bra­sil, o seg­mento mais afe­tado pelo tari­faço que entra em vigor hoje, já atra­vessa um pro­cesso de desin­dus­tri­a­li­za­ção ques e arrasta há déca­das. Na ava­li­a­ção de espe­ci­a­lis­tas, os juro sal tosse somam a pro­ble­mas estru­tu­rais e fazem o país per­der espaço no ran­king mun­dial.

                          Levan­ta­mento do Ins­ti­tuto de Estu­dos para o Desen­vol­vi­mento Indus­trial (IEDI), com base em dados da Orga­ni­za­ção das Nações Uni­das para o Desen­vol­vi­mento Indus­trial (Unido), ante­ci­pado pelo Valor, mos­tra que o Bra­sil ocu­pou a 69ª posi­ção em um ran­king de 90 paí­ses no pri­meiro tri­mes­tre deste ano, ficando entre o terço com pior desem­pe­nho. O estudo com­para o cres­ci­mento do setor por tri­mes­tres. No iní­cio do ano, a pro­du­ção da indús­tria de trans­for­ma­ção bra­si­leira teve recuo de 0,1% frente ao igual perí­odo do ano ante­rior.

                          Ape­sar de ter melho­rado em rela­ção à 80ª colo­ca­ção do quarto tri­mes­tre de 2025, o Bra­sil teve um aqueda sig­ni­fi­ca­ti­va­nos dois últi­mos anos. O país pas­sou do33ºlugarn oprime iro tri­mes­tre de 2024, para o 47º em 2025, até che­gar à atual 69ª posi­ção.

                          Para o pro­fes­sor de Macro­e­co­no­mia do Ibmec-SP, Renato Veloni, a queda no desem­pe­nho da indús­tria de trans­for­ma­ção reflete, em parte, uma taxa­de­ju­rosde14,25%aoano.

                          — Depois dos insu­mos, os juros repre­sen­tam um dos mai­o­res cus­tos para a indús­tria de trans­for­ma­ção, que depende de inves­ti­men­tos de longo prazo. O ciclo longo de juros ele­va­dos reduz a com­pe­ti­ti­vi­dade das empre­sas.

                          NO PIB, FATIA É DE SÓ 11,8%

                          A cota­ção do dólar, diz Veloni, tam­bém afeta a com­pe­ti­ti­vi­dade da indús­tria: quando o real está valo­ri­zado, fica mais barato impor­tar pro­du­tos, aumen­tando a con­cor­rên­cia coma indús­tria naci­o­nal. Quando o câm­bios e des­va­lo­riza,os impor­ta­dos ficam mais caros, e a pro­du­ção domés­tica ganha com­pe­ti­ti­vi­dade.

                          Para o pro­fes­sor, o novo tari faço ame­ri­cano não deve alte­rar sig­ni­fi­ca­ti­va­mente as pers­pec­ti­vas dain­dúst ri abra­si­leira, mas piora uma situ­a­ção de estag­na­ção. Os seto­res mais depen­den­tes dos EUA serão os mais afe­ta­dos, e as medi­das anun­ci­a­das pelo governo podem ali­viar o caixa, mas somente no curto prazo:

                          —Se a diplo­ma­cia não con­se­guir nego­ciar aqueda ou redu­ção das novas tari­fas ou as empre­sas não con­se­gui­rem diver­si­fi­car seus des­ti­nos de expor­ta­ção, o finan­ci­a­mento apena sadia as difi­cul­da­des por alguns tri­mes­tres.

                          Dados da Fede­ra­ção das Indús­tri­asdo Esta dodo R iode Janeiro( Fir­jan) indi­cam que a pro­du­ção indus­trial bra­si­leira opera cerca de 15% abaixo do pico regis­tra doem 2011 e, nos cinco pri­mei­ros meses de 2026, o cres­ci­mento do setor ficou con­cen­trado prin­ci­pal­mente na indús­tria extra­tiva, enquanto a trans­for­ma­ção per­ma­ne­ceu estag­nada.

                          — Esse con­traste evi­den­cia que o desem­pe­nho do setor tem sido sus­ten­tado por ati­vi­da­des liga­das à extra­ção de recur­sos natu­rais, sem uma recu­pe­ra­ção equi­va­lente dos seg­men­tos de maior valor agre­gado, o que se reflete no enco­lhi­mento da par­ti­ci­pa­ção da indús­tria de trans­for­ma­ção no PIB, que saiu de 35,9% em 1985, o maior nível da série, para 11,8% em 2025 — disse Ger­lane Andrade, da Fir­jan.

                          Para Ser­gio Vale, eco­no­mista-chefe da MB Asso­ci­a­dos, a perda de com­pe­ti­ti­vi­dade do setor vem da falta de inser­ção inter­na­ci­o­nal por meio da aber­tura comer­cial e da cele­bra­ção de acor­dos. O eco­no­mista afirma que o Bra­sil per­ma­ne­ceu rela­ti­va­mente fechado e man­teve um ele­vado nível de pro­te­ção tari­fá­ria:

                          — Pre­ci­sa­mos aumen­tar o inves­ti­mento, atrair capi­tal, con­clui­ra­Re­for­ma­Tri­bu­tá­ria, melho­rar a infra­es­tru­tura e ampliar acor­dos comer­ci­ais, espe­ci­al­mente com nações desen­vol­vi­das. É isso que per­mi­tirá aumen­tar a pro­du­ti­vi­dade e recu­pe­rar a com­pe­ti­ti­vi­dade da indús­tria bra­si­leira.

                          TRIBUTAÇÃO ALTA

                          Clau­dio Con­si­dera, pes­qui­sa­dor asso­ci­ado do FGV Ibre, ava­lia que o prin­ci­pal desa­fio é jus­ta­mente abusca por novos mer­ca­dos para expor­tar, em um momento em que outros paí­ses seguem o mesmo movi­mento. Ele acre­dita que, embora o Bra­sil tenha man­tido expor­ta­ções rele­van­tes diante do tari­faço de

                          Trump, a con­cen­tra­ção da pauta em com­mo­di­ties limita o dife­ren­cial do país.

                          Para com­pen­sa­ras per­das da indús­tria e con­quis­tar novos mer­ca­dos, ele con­si­dera neces­sá­rio aumen­tara pro­du­ti­vi­dade para tor­nar o país mais com­pe­ti­tivo no cená­rio mun­dial.E isso passa por come­çara repen­sar ques­tões estru­tu­rais, como a desin­dus­tri­a­li­za­ção pre­coce que já acon­tece desde a década de 1980. O eco­no­mista tam­bém cita como cen­tral a ques­tão dos impos­tos sobre a indús­tria de trans­for­ma­ção. Segundo ele, quanto mais ele­vado o imposto, menor a par­ti­ci­pa­ção do setor no Pro­duto Interno Bruto (PIB):

                          —A razão prin­ci­pal da indús­tria estar as si mé a falta de inves­ti­mento. Isso leva a uma pro­du­ti­vi­dade menor da indús­tria e à sua perda de par­ti­ci­pa­ção no PIB —apon­tou.

                          Con­si­dera diz que, nos paí­ses euro­peus, de maneira geral, onde a taxa­ção é menor sobre a indús­tria, a par­ti­ci­pa­ção no PIB é maior do que em outros paí­ses, como o pró­prio Bra­sil:

                          —Nomun­do­in­teiro,háme­nos taxa­ção sobre pro­du­tos indus­tri­ais. A tri­bu­ta­ção recai mais sobre o setor de ser­vi­ços do que sobre a indús­tria.

                          Con­si­dera acre­dita que a Reforma Tri­bu­tá­ria pode favo­re­cer a indús­tria ao redu­zir a carga sobre o setor, bara­tear pro­du­tos e esti­mu­lar a demanda e a pro­du­ti­vi­dade, mas res­salta que os efei­tos serão gra­du­ais e deve­rão ser acom­pa­nha­dos pelo con­trole dos gas­tos públi­cos para com­pen­sar even­tu­ais per­das de arre­ca­da­ção.

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