IEDI na Imprensa - Produção industrial varia 0,1% em outubro, abaixo do esperado
O Estado de São Paulo
Em relação a outubro de 2024, produção caiu 0,5%; no acumulado em 12 meses, houve alta de 0,9%, ante aumento de 1,5% até setembro
Daniela Amorim
Em meio ao cenário de política monetária contracionista, a indústria brasileira manteve em outubro a tendência de pouco fôlego. A produção cresceu apenas 0,1% em relação a setembro, após uma queda de 0,4% registrada no mês anterior. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal, divulgados nesta terça-feira, 2, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado, que veio abaixo da mediana das projeções, de alta de 0,3%, com intervalo entre queda de 0,1% e avanço de 1,5%, corrobora a visão de desaceleração esperada para o segundo semestre de 2025, considerando a taxa básica de juros em nível restritivo, mas não altera a visão de que o Banco Central (BC) só terá espaço para cortar juros a partir de 2026, avaliou a analista de Macroeconomia da InvestSmart XP, Sara Paixão.
“Porém, o mercado permanece dividido entre as reuniões de janeiro ou de março. Vale ressaltar alguns fatores que podem ter influência positiva na atividade econômica durante o próximo ano, como o aumento na faixa de isenção de imposto de renda”, ponderou Paixão.
Em relação a outubro de 2024, a indústria mostrou recuo de 0,5%. No acumulado nos últimos 12 meses, a produção arrefeceu de uma alta de 1,5% em setembro para 0,9% em outubro.
A indústria brasileira caminha para encerrar 2025 quase sem crescimento, resumiu o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI).
“O elevado patamar de taxas de juros no país permanece como um obstáculo de grande proporção aos investimentos no setor, que, ademais, também vem enfrentando as mudanças no comércio global, restringindo mercados externos, como no caso do tarifaço dos EUA, e ampliando a concorrência com importados no mercado interno”, apontou o IEDI, em nota. “Mais uma vez, uma conjuntura macroeconômica desfavorável joga contra o anseio do país por modernização de sua estrutura produtiva. A viabilização do investimento é um caminho incontornável para termos uma indústria mais produtiva, mais verde e mais competitiva. O custo de capital elevado é um muro que se ergue no meio deste caminho.”
A política monetária contracionista explica a perda de dinamismo exibida pelo setor industrial brasileiro ao longo de 2025, concorda André Macedo, gerente da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE.
“Claro que a política monetária acaba justificando de alguma forma esse comportamento de menor intensidade do setor industrial nesse ano”, afirmou o pesquisador.
Na comparação com o mês imediatamente anterior, a produção industrial oscila com redução de fôlego desde abril deste ano, como mostra o gráfico abaixo:
De acordo com Macedo, ainda ajudam a indústria o mercado de trabalho aquecido, com avanço na ocupação e na renda, e alguma recuperação nas exportações, especialmente para a Argentina. Por outro lado, o juro elevado impõe dificuldades tanto para a indústria quanto para a atividade econômica como um todo.
“Isso traz consigo uma maior dificuldade não só para a atividade industrial, mas também para a economia”, disse ele, lembrando que o setor tem apresentado resultados muito próximos à estabilidade. “O patamar de produção outubro tem um avanço de apenas 1% ante o patamar que encerrou o ano passado, dezembro de 2024.”
Quanto ao tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a exportadores brasileiros, Macedo disse que o impacto permanece mais localizado em setores específicos, como o de produtos de madeira. Houve menções a perdas decorrentes do tarifaço também por empresas dos setores de granito em minerais não metálicos, em calçados e em alguns nichos de máquinas e equipamentos.
“A indústria de transformação fica muito mais sensível à questão das taxas de juros mais elevadas”, disse.
Na passagem de setembro para outubro, houve aumentos em 12 dos 25 ramos industriais pesquisados.
“Considerando a indústria como um todo, a leitura é melhor”, declarou. “A gente tem de fato uma volta ao território positivo. Claro que isso é uma sinalização positiva. Mas a produção industrial gira em torno desse mesmo patamar que ela está marcando mês a mês.”
No mês, houve influência positiva relevante também de produtos alimentícios (0,9%), veículos (2,0%), produtos químicos (1,3%), equipamentos de informática (4,1%) e artigos do vestuário e acessórios (3,8%).
“O resultado positivo é melhor do que se fosse negativo, mas, em termos de disseminação por atividades, não é muito satisfatório. São 13 atividades com perdas, 12 mostrando avanços. Muito desse campo positivo é explicado por poucas atividades, mais especificamente, muito desse crescimento está diretamente atrelado ao setor extrativo”, frisou.
Na direção oposta, entre as 13 atividades com perdas, os principais impactos negativos foram de produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-3,9%) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-10,8%).
Com Caroline Aragaki
