Mapa do Site  |  Ajuda  | 
10/09/2010
IEDI na Imprensa - 2010
         

Indústria Fraca Adia Alta da Taxa Selic
Valor Econômico - 07/01/2010

Luiz Sérgio Guimarães
Por Dentro do Mercado

Os juros só caíram no mercado futuro da BM&F nos três primeiros pregões do ano. A taxa do contrato mais negociado, que vence na virada do ano, cedeu no período de 10,48% para 10,34%. Não faltam motivos para as instituições continuarem queimando o grosso manto de gordura que reveste os prêmios da curva futura. Apesar do declínio recente, a estrutura a termo ainda embute a expectativa de um aperto monetário levemente superior a 4,5 pontos, com Selic a 13,25%. A justificativa para a baixa sofrida ontem foi a confirmação das suspeitas levantadas na véspera, de que a produção industrial de novembro não iria subir o 1% projetado pelo mercado. Veio mais negativa que isso. Na verdade, caiu 0,2%, interrompendo sequência de 10 altas mensais. Negativa do ponto de vista dos "comprados" em taxa, os que apostam num Copom ultraconservador. Mas positiva para os "vendidos" e os que não veem condições para a proliferação de pressões insuportáveis sobre a inflação. Os dados do IBGE mostram que não há hiperexcitação generalizada da atividade fabril capaz de requerer pronta resposta monetária por parte do Banco Central.

O economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, vê diversas boas notícias na pesquisa do IBGE. "A aceleração do crescimento da produção de bens de capital e de insumos típicos de construção civil, aliada ao menor crescimento dos bens de consumo, é um bom vaticínio para a relação entre oferta e demanda agregadas, uma grande preocupação à medida que o Brasil sai de vez da recessão", observa ele. Essa variável deve se refletir no mercado de juros futuros, fazendo-os cair.

O setor de bens de capital cresceu a uma taxa significativa pelo terceiro mês consecutivo. Depois de avanços de 5,1% em setembro e 4,8% em outubro, a produção de bens de capital cresceu 6,1% em novembro. "Essa evolução reflete a melhora das expectativas com relação aos investimentos na economia brasileira e, caso ela seja mantida, é um forte indício de que o país não sofrerá pressões inflacionárias devido a um descompasso entre demanda e oferta", nota o IEDI. Dos 27 setores pesquisados, 15 mostraram produção em queda. O destaque negativo foi o de bens de consumo, liderado pela indústria automobilística, com queda de 2,2%. Ou seja, a demanda só se mostra extravagante quando movida por redução de IPI e sinais de supressão do estímulo. Torna-se ridículo combater isso com juro alto.

Enquanto o juro cai, o dólar sobe. Mas não é ameaça à inflação, mesmo com economia aquecida. Será se subir para a faixa entre R$ 1,80 e R$ 1,90. Nessa hipótese, o IPCA estoura o centro da meta de 4,5%. Irá superar facilmente os 5%. O câmbio viaja hoje em via ascendente própria, sem se importar com a onda de alta das commodities e das ações. Segue apenas o viés de valorização vindo de fora. Mas ainda está bem longe de representar perigo. Fechou ontem cotado a R$ 1,7390, com avanço de 0,46%. Apesar disso, nesses três primeiros pregões do ano, o BC não abandonou sua estratégia de compras diárias de moeda. Mesmo que o fluxo seja negativo. Como o BC adquiriu em dezembro (US$ 3,49 bilhões) mais do que sobrou no mercado (superávit cambial de US$ 1,986 bilhão), os bancos viram suas posições compradas à vista ser reduzidas quase na mesma proporção do apetite da autoridade por dólar. Elas recuaram de US$ 4, 29 bilhões em novembro para US$ 3, 39 bilhões em dezembro. A alta de ontem do dólar frente ao real não teve nada a ver com a crise institucional gerada pela briga entre o governo argentino e o seu banco central. Tal divergência seria incabível no Brasil, não só porque o país é triplamente grau de investimento e porque as reservas são suficientes para cobrir toda a dívida externa. Mas sobretudo porque há muita sintonia entre Lula e Meirelles.

Divulgada ontem à tarde, quando no Brasil já estavam fechados os mercados de câmbio e juros, a ata da última reunião do ano do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) conseguiu desanuviar um pouco o ambiente carregado de Wall Street. Na visão dos seus 10 membros votantes, a economia do EUA se recupera, mas a retomada não é tão intensa a ponto de alterar o prognóstico de que o juro permanecerá baixo por longo período. O diagnóstico do Fed foi confirmado pelo primeiro dado de emprego da semana. Pela pesquisa da ADP (apenas setor privado) em dezembro foram extintos 84 mil empregos, mais do que os 75 mil previstos pelos analistas. E o ISM não-manufaturado, embora tenha voltado à zona de expansão, veio aquém das expectativas. Subiu de 48,7 em novembro para 50,1 em dezembro, para consenso de 50,5.

 
 

Versão para impressão:

   

   Novo Estudo do IEDI
 

A Formação de Engenheiros no Brasil: Desafio ao Crescimento e à Inovação

 


   Análise IEDI
  Breves comentários e notas sobre temas da conjuntura industrial e econômica brasileira. Leia na seção Economia e Indústria as publicações da Análise IEDI de 2005.
 

   Carta IEDI
 

Publicação eletrônica que apresenta temas relevantes da indústria em um contexto local e global. Cadastre-se e receba semanalmente a Carta IEDI em seu correio eletrônico.

 

| Nova Política Industrial | Carta IEDI da Semana | Mapa do Site