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Após 10 Meses de Alta, Produção Cai em Novembro
O Estado de São Paulo - 07/01/2010
Queda de 0,2% no ritmo, segundo técnico do IBGE, não compromete trajetória de recuperação da indústria
Jacqueline Farid
A indústria brasileira interrompeu em novembro uma trajetória de dez meses de alta e apresentou queda de 0,2% na produção ante o mês anterior. O resultado negativo foi puxado pelo mau desempenho dos bens de consumo duráveis (automóveis e eletrodomésticos) e, para analistas, mostra velocidade menor que a esperada no crescimento industrial, mas não compromete a trajetória de recuperação.
Em relação a novembro de 2008, a indústria cresceu 5,1% - o primeiro resultado positivo na comparação com igual mês de ano anterior após 12 meses de recuos seguidos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O economista da coordenação de indústria do IBGE André Macedo avalia que a queda mostra "acomodação em razão de crescimentos anteriores e não altera a trajetória de crescimento do setor". Para ele, houve redução na velocidade da expansão.
Analistas econômicos também observam que o resultado mostra crescimento menos acelerado do que apontavam dados entre agosto e outubro, o que poderá evitar uma alta na taxa básica de juros (Selic) antes do segundo semestre, com manutenção do nível atual, de 8,75%.
Para Bernardo Wjuniski, analista da Tendências Consultoria, os dados indicam que "não surgirão fortes pressões inflacionárias na maior parte do ano, sem haver necessidade, portanto, para que o ciclo de alta da Selic se inicie ainda no primeiro semestre". Segundo ele, a indústria, que acumulou queda de 9,3% na produção entre janeiro e novembro do ano passado, sinaliza para uma recuperação da atividade econômica ''consistente'', mas um pouco mais lenta do que se esperava, em 2010. O estrategista-chefe do BNP Paribas, Alexandre Lintz, vai além e acredita que uma possível alta na Selic ficará para 2011: "Os dados mostram que não há espaço para alta de juros em 2010".
Rogério Souza, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), avalia que os dados de novembro "não são desfavoráveis" e mostram que "não há superaquecimento" no setor, que prossegue com alta nos investimentos. Ele observou que a queda na produção em novembro foi puxada pelo recuo de 2,2% na produção de veículos. Ou seja, esteve praticamente localizada em um único segmento, que teve alta de 103% na produção de novembro em relação a dezembro de 2008, mês que foi o fundo do poço para o setor.
DURÁVEIS
Apesar dos incentivos fiscais concedidos pelo governo, como a manutenção da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos eletrodomésticos, a produção de bens de consumo duráveis caiu 4,8% em novembro, após oito meses seguidos de aumento ante o mês anterior.
Para Macedo, o recuo nos duráveis mostra acomodação. "É preciso esperar novas informações para checar como se comporta essa categoria, mas indicadores de tendência mostram que a trajetória de crescimento não foi alterada."
Já o desempenho de bens de capital mostrou aceleração no ritmo dos investimentos. O aumento de 6,1% na produção dessa categoria em relação a outubro foi o melhor resultado ante o mês anterior desde janeiro de 2009.
COLABOROU LUCINDA PINTO
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