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02/09/2010
IEDI na Imprensa - 2004
         

IEDI na Imprensa - Produtor de Insumos Amplia a Recuperação de Margens
DCI - 27/07/2004

Gabriel Attuy

O movimento de recuperação de margens de lucro do setor produtivo brasileiro, iniciado há alguns meses pelos fabricantes de produtos básicos como insumos petroquímicos e alumínio, agora começa a atingir fabricantes intermediários e mais próximos do consumidor final.

A Hydro Alumínio Acro , fabricante de produtos de alumínio extrusado para o setor automobilístico e de construção civil, por exemplo, prevê dobrar faturamento até 2006 com aumento de rentabilidade. Segundo Adilson de Souza Molero, gerente de marketing da empresa, a Hydro pretende elevar as vendas para R$ 480 milhões em três anos aumentando seu mix com produtos de maior valor agregado. “Neste ano esperamos crescer 10% sobre faturamento de R$ 240 milhões de 2003”, diz.

A expectativa dos fabricantes de alumínio, segundo dados da Associação Brasileira do Alumínio (Abal), é crescer 6% neste ano, atingindo produção de 1,4 milhão de toneladas.

No segmento de embalagens plásticas, terceira geração do setor petroquímico, fabricantes prevêem retomar seu nível de rentabilidade até o final do ano após sucessivos aumentos de matéria-prima no primeiro semestre. Segundo Rogério Mani, vice-presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief), os reajustes de insumos chegaram a 37,5% nos primeiros seis meses do ano e as empresas ainda precisam repassar cerca de 24,5%. “Estamos repassando parte dos aumentos neste mês e o restante em agosto”, diz Mani.

Ele afirma que, com a previsão de estabilização do preço das resinas e os reajustes, fabricantes de embalagens flexíveis devem recuperar sua rentabilidade até o final do ano e crescer cerca de 10%. “O setor de flexíveis espera atingir faturamento de cerca de US$ 3 bilhões neste ano. Creio que a terceira geração irá se recuperar no segundo semestre.”

Topo da cadeia

Empresas no topo da cadeia produtiva já registram incremento de lucro no primeiro semestre deste ano, como a Companhia Petroquímica do Sul (Copesul), fabricantes de insumos petroquímicos básicos a partir da nafta. A central atingiu lucro líquido de R$ 234 milhões, resultado cerca de 220% maior comparado com o primeiro semestre de 2003, e 15% maior do que o lucro total da empresa no ano passado.

De acordo com José Arnaldo Ribeiro Soares, controller da Copesul, as principais razões para o incremento no lucro foram a recuperação dos preços ao longo da cadeia e o aumento da capacidade ocupada. “Operamos com 95% no último semestre, comparado com 89% em 2003. Nos próximos seis meses devemos atingir níveis próximos a 97%”, afirma Soares. Segundo ele, o preço da nafta praticado pela Petrobras subiu cerca de 31%, passando de R$ 895,50 a tonelada em janeiro para R$ 1.173,20, em junho. “O preço das resinas de segunda geração teve boa recuperação no semestre, o que alavancou o lucro”, diz.

Para Julio Gomes de Almeida, diretor executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), o aumento da rentabilidade do setor produtivo se deu principalmente pelo fim do efeito cambial, que proporciona valorização da moeda nacional e diminuição de despesas financeiras. “No primeiro trimestre deste ano a taxa de rentabilidade foi um pouco menor por conta da alta de insumos, mas mesmo assim atingiu níveis muito mais representativos que nos últimos dez anos”, diz Almeida.

Segundo ele, a alta de insumos atinge principalmente empresas na ponta da cadeia, que têm dificuldade em repassar por estarem próximas do consumidor final. “Esse processo irá se normalizar ao longo do ano. Eventualmente as etapas intermediárias e da ponta irão efetuar os repasses e recuperar suas margens”, afirma.
 

 
 

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