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Os dados divulgados hoje pelo IBGE permitem traçar um perfil dos setores industriais regionais do País no que diz respeito à distância que cada um deles guarda com relação aos níveis de produção do período pré-crise. Ao se considerar a série dessazonalizada do índice de produção industrial, observa-se que a indústria brasileira como um todo ainda apresenta, em janeiro de 2010, um nível de produção 4,9% abaixo do registrado em setembro de 2008 – mês em que ocorreu o agravamento da crise internacional. Pode-se afirmar que esse resultado reflete muito mais particularidades regionais do que a dinâmica da indústria nacional propriamente dita. Um indicador disso é o que vem ocorrendo com a indústria mais estruturada, diversificada e encadeada do Brasil, qual seja, a indústria de São Paulo, cujo nível de produção superou, em janeiro último, o patamar pré-crise: a produção paulista é 0,6% maior do que a produção correspondente a setembro de 2008. Nesse sentido, uma análise apoiada no centro industrial do país permite afirmar que a indústria brasileira superou a crise internacional.
Mas, como foi observado, algumas dinâmicas industriais regionais ainda puxam para baixo, de modo pontual, o resultado global da indústria brasileira. São os casos das regiões cujas indústrias são especializadas. O primeiro exemplo é o da indústria do Amazonas, onde a queda da produção de motocicletas e aparelhos eletrônicos ainda faz com que a indústria local opere, em janeiro de 2010, num nível 8,0% menor daquele registrado em setembro de 2008. As indústrias do Sul, como Santa Catarina, com grande especialização em vestuário, e Rio Grande do Sul, com forte relação com equipamentos agrícolas, também apresentam níveis de produção inferiores aos de setembro de 2008 – respectivamente, –3,8% e –1,1%.
O caso mais destacado é o de Minas Gerais, estado onde, apesar de a indústria ser muito forte, a produção industrial ainda está, em janeiro deste ano, 9,0% abaixo do nível de setembro. Isso se deve ao fato de a indústria mineira apresentar grande vinculação com segmentos muito prejudicados pela crise internacional, como a indústria extrativa (por exemplo, ferro) – a qual, vale dizer, já recuperou seu dinamismo; a indústria automobilística, que minimizou o impacto da crise a partir do programa de redução de impostos sobre a venda de veículos; e a siderurgia, que também se recupera, embora não tenha ainda neutralizado inteiramente os reveses sofridos com a crise.
Em suma, os resultados da Pesquisa Industrial Mensal Regional do IBGE permitem afirmar que agora é só uma questão de tempo para a indústria brasileira retomar integralmente o padrão de produção anterior à crise.
Por fim, dois outros pontos são dignos de nota. Primeiro, pode-se observar que a produção os estados do Nordeste apresentou recuperação bem antes do que em outras regiões do País. São os casos de Ceará, Bahia e Pernambuco. Nos dois primeiros, a indústria retomou seu nível de produção de pré-crise já em novembro de 2009. Em janeiro de 2010, os patamares da produção industrial nos estados do Ceará e da Bahia são 10,6% e 1,6%, nessa ordem, superiores aos de setembro de 2008. Em Pernambuco, a recuperação foi anterior: em agosto de 2009, a produção pernambucana superava o nível registrado em setembro de 2008. Como já foi salientado nesta Análise, os estados do Nordeste estão, em grande medida, se valendo de “estabilizadores automáticos”, os quais atuam como fatores anticíclicos e que estão consubstanciados nas políticas de renda – como, por exemplo, o Bolsa Família. Segundo, pelas razões ditas acima, o resultado de janeiro da indústria de São Paulo (crescimento de 3,0% com relação a dezembro, na série com ajuste sazonal) aponta, uma vez mais, para uma tendência positiva da indústria brasileira em geral. Ou seja, a evolução recente da indústria de São Paulo continua trazendo boas perspectivas para a produção industrial nacional.
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Na passagem de dezembro de 2009 para janeiro de 2010, já descontados os efeitos sazonais, a indústria brasileira assinalou alta de 1,1%. Cabe salientar que nos dois meses anteriores houve recuo de 0,8% e 0,2%. Regionalmente, nessa mesma comparação, das catorze regiões contempladas pela pesquisa, treze apresentaram variações positivas, sendo que onze acima da média nacional. Os destaques positivos foram: Espírito Santo (5,6%), Ceará e Pernambuco (ambos com 5,4%) e Paraná (4,0%). As demais taxas positivas foram as seguintes: região Nordeste (3,7%), Rio Grande do Sul (3,2%), São Paulo (3,0%), Pará (3,0%), Bahia (2,5%), Goiás (2,2%), Minas Gerais (1,7%), Santa Catarina (1,1%) e Rio de Janeiro (0,3%). Apenas o Amazonas (0,0%) assinalou estabilidade nesta comparação.
Na comparação mensal (mês/mesmo mês do ano anterior), a indústria nacional avançou 16,0%. Ainda nessa base de comparação, regionalmente não se verificou nenhum resultado negativo. Acima da média nacional se encontram: Espírito Santo (48,5%), Amazonas (33,9%), Minas Gerais (28,8%), Bahia (23,6%), Rio Grande Sul (20,9%), Goiás (19,8%) e
Ceará (16,7%). As demais taxas positivas ocorreram em São Paulo (15,6%), região Nordeste (11,5%), Rio de Janeiro (10,7%), Paraná (10,4%), Santa Catarina (7,9%), Pará (5,8%) e Pernambuco (1,2%).
A variação acumulada nos últimos 12 meses da produção industrial brasileira foi de –5,0%, uma clara melhora em comparação ao resultado de dezembro de 2009 (–7,4%). Dentre as regiões pesquisadas, todas apresentaram melhora entre dezembro e janeiro, com destaque para: Espírito Santo (de –14,6% para –9,3%), Minas Gerais (de –13,1% para –9,2%), Amazonas (de –8,8% para –4,9%), Bahia (–4,8% para –1,7%), Rio Grande do Sul (de –7,2% para –4,3%) e São Paulo (de –8,4% para –6,1%).

São Paulo. Em janeiro frente a dezembro, a produção industrial paulista apresentou uma alta, superior à média nacional (1,1%), na ordem de 3,0%, com dados já livres de efeitos sazonais. Em comparação com janeiro de 2009, por sua vez, houve uma expansão de 15,6%, terceira taxa positiva consecutiva nesta comparação. As principais influências positivas vieram dos setores de veículos automotores (45,0%), influenciado pela baixa base de comparação, por conta da concessão de férias em importantes empresas do setor, máquinas e equipamentos (32,7%), produtos de metal (62,9%), outros produtos químicos (23,1%), borracha e plástico (27,8%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (25,7%). Dentre os setores que assinalaram recuo na produção, a maior pressão negativa veio de outros equipamentos de transporte (–29,3%),
Espírito Santo. Em relação ao mês imediatamente anterior, com ajuste sazonal, a indústria capixaba cresceu 5,6%, variação semelhante a dezembro (5,4%). No confronto com igual mês de 2009, a produção industrial no Espírito Santo cresceu 48,5%, maior variação positiva desde o início da série histórica. Esta variação foi influenciada principalmente pela produção do setor extrativo (158,4%) e pela metalurgia básica (52,7%). Nos últimos 12 meses a variação acumulada atingiu –9,3%, uma melhora do resultado de dezembro, quando a produção do estado decresceu 14,6%.
Minas Gerais. Na comparação de janeiro de 2010 com dezembro de 2009, na série ajustada sazonalmente, a produção da indústria mineira cresceu 1,7%. Cabe salientar que foi a primeira alta após dois meses consecutivos de recuos (–1,1% em novembro e –0,1% em dezembro). No confronto com o mesmo mês do ano anterior, verificou-se uma alta de 28,8%, localizando-se bem acima da média nacional de 16,0%. As maiores pressões positivas vieram tanto da indústria extrativa (59,3%) quanto da indústria de transformação (24,8%). Nesta última, os principais impactos na formação do índice global vieram da metalurgia básica (72,7%), máquinas e equipamentos (227,2%), outros produtos químicos (30,7%), veículos automotores (11,2%) e alimentos (8,0%). Por outro lado, o único impacto negativo veio da indústria de fumo (–9,8%).




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