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Os dados do IBGE divulgados hoje permitem analisar o desempenho da produção industrial ao longo de todo o ano de 2009 sob o prisma regional e avaliar qual a tendência que vem prevalecendo no comportamento da indústria brasileira. No ano de 2009, o encolhimento de 7,4% da produção da indústria nacional deveu-se à retração das atividades industriais em treze dos catorze locais pesquisados pelo IBGE – em Goiás, a produção ficou estável (0,0%).
Pode-se observar que, em alguns estados, a produção sofreu mais os reveses causados pela crise internacional, pelo fato de concentrarem setores da indústria altamente vulneráveis a tal crise. São os casos do Espírito Santo, cuja produção industrial caiu 14,6%, principalmente, devido aos resultados negativos nos segmentos de commodities (aço e celulose); de Minas Gerais, queda de 13,1% da produção, devido, sobretudo, às retrações ocorridas nos segmentos automobilístico, de aço e ferro; e do Amazonas, cuja produção recuou 8,9%, muito marcada pela retração na fabricação de motocicletas e celulares.
No Nordeste e no Rio de Janeiro, os resultados foram, relativamente, “melhores”. No primeiro, a produção industrial recuou 4,9% e, no segundo, 3,8%. Isso, como já se observou aqui nesta Análise, está relacionado ao fato de essas localidades apresentarem “estabilizadores” diante dos ciclos econômicos. No caso do Rio, a indústria de extração de petróleo e, no Nordeste, o peso das políticas de renda, como o Bolsa Família. Ou seja, tais especificidades tornaram esses locais menos cíclicos, de tal modo que eles sofreram menos os efeitos da crise e, portanto, não acompanharam o processo negativo mais geral de evolução da indústria.
É muito importante salientar, no entanto, que foi em São Paulo onde se deu a queda que mais contribuiu para o resultado global brasileiro, a indústria paulista caiu 8,4% em 2009. Por outro lado, ao se avaliar o que vem ocorrendo na margem, ou melhor, o que vem ocorrendo com a produção industrial mês a mês, pode-se observar que São Paulo passou, nos últimos meses de 2009, a liderar a recuperação dos níveis de produção da indústria nacional. E, dado que a indústria paulista é a mais estruturada do País, esse resultado é um bom sinal e permite traçar tendências mais positivas para a indústria em 2010. Ou seja, São Paulo liderou a queda no ano de crise de 2009, mas já é também a localidade que vem comandando a recuperação em curso da produção industrial brasileira.
A avaliação, na margem, aponta para uma evolução consistente de recuperação da indústria paulista, a despeito do recuo de 0,3% da produção registrado em dezembro de 2009. Isso, pois, o último mês de 2009 repetiu o que ocorreu em novembro: retração da produção no Brasil com avanço da indústria mais diversifica e estruturada do País. Ou ainda, as quedas de produção se devem a fatores pontuais, e não a fatores gerais da indústria, e estão concentradas em alguns segmentos do setor de bens duráveis (como a desaceleração na produção de automóveis).
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Os dados divulgados pelo IBGE assinalam para recuo da indústria brasileira em 0,3% em dezembro relativamente a novembro de 2009, na série dessazonalizada, refletindo a queda da atividade fabril em seis das catorze localidades analisadas. Esse é o segundo resultado negativo consecutivo, visto que em novembro a indústria brasileira registrou retração de 0,8%. As principais pressões negativas ficaram em: Pernambuco (–3,5%), Goiás (–3,1%), Amazonas (–2,2%) e Bahia (–0,8%). As demais variações negativas foram: região Nordeste (–0,3%) e Minas Gerais (–0,1%). Dentre as localidades que apresentaram crescimento da produção em dezembro, destacaram-se: Paraná (5,9%) e Espírito Santo (4,1%), seguidos de Rio de Janeiro (2,2%), Rio Grande do Sul (2,1%), Ceará (1,8%), Santa Catarina (1,3%), São Paulo (0,6%) e Pará (0,5%).
No confronto entre dezembro de 2009 e dezembro de 2008, a produção nacional assinalou alta expressiva de 18,9%, devido, principalmente, a baixa base de comparação. Nessa comparação, todas as localidades assinalaram variações positivas. Espírito Santo (37,2%) e Minas Gerais (28,9%) registraram os maiores avanços. Os demais resultados foram: Paraná (28,2%), Rio Grande do Sul (25,2%), Bahia (22,4%), São Paulo (20,8%), Rio de Janeiro (14,5%), Ceará (12,8%), Santa Catarina (12,4%), Nordeste (9,6%), Goiás (6,3%), Pernambuco (6,2%), Amazonas (5,7%) e Pará (1,0%).

No confronto entre o quarto trimestre de 2009 e igual período de 2008, treze localidades apresentaram acréscimos, contribuindo para a alta de 5,8% da indústria brasileira nessa comparação. Espírito Santo (18,6%), Paraná (9,7%), Bahia (8,1%), Rio Grande do Sul (7,6%) e Minas Gerais (6,7%) foram as localidades cujas produções mais cresceram. O único resultado negativo no quarto trimestre de 2009 foi verificado no Pará (–4,8%).
No acumulado entre janeiro e dezembro de 2009, todos os locais analisados, exceto Goiás (0,0%) assinalaram recuos na produção fabril. As maiores pressões negativas ocorreram no Espírito Santo (–14,6%), Minas Gerais (–13,1%), Amazonas (–8,9%), São Paulo (–8,4%) e Santa Catarina (–7,7%), graças à queda de produtos exportados, especialmente as commodities e ajuste na produção de bens duráveis e bens de capital.
São Paulo. No confronto entre novembro e dezembro de 2009, a produção industrial do estado avançou 0,6% na série sem efeitos sazonais, o sexto resultado positivo consecutivo. Na comparação mensal (mês / mesmo mês do ano anterior), foi observado acréscimo de 20,8%, com alta de dezessete das vinte atividades pesquisadas, com destaque para veículos automotores (121,1%), máquinas e equipamentos (27,5%), borracha e plástico (55,8%), produtos de metal (53,8%), outros produtos químicos (16,9%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (30,0%). Em sentido oposto, entre os setores que assinalaram queda na produção, aparecem: outros equipamentos de transporte (–21,7%), material eletrônico e equipamentos de comunicações (–24,8%) e alimentos (–1,9%). Na análise trimestral frente a igual período de 2008, a alta foi de 4,3%, apontando para uma retomada do ritmo industrial, visto que é a primeira variação positiva após quatro trimestres de queda. No ano de 2009, o recuo de 8,4% deveu-se, principalmente, à retração da produção de máquinas e equipamentos (–26,1%), de material eletrônico e equipamentos de comunicações (–51,7%), veículos automotores (–11,0%) e metalurgia básica (–24,4%). Do lado oposto, farmacêutica (8,4%) e outros equipamentos de transporte (15,7%) foram as contribuições positivas mais significativas.
Minas Gerais. O mês de dezembro apontou estabilidade (–0,1%) da indústria mineira frente ao mês imediatamente anterior na série livre de efeitos sazonais. Frente a dezembro de 2008, a produção fabril desse estado ficou 28,9% maior, graças ao desempenho favorável tanto da indústria extrativa (55,7%) quanto da indústria de transformação (25,4%). Nesta última, as maiores pressões positivas vieram de veículos automotores (102,8%), metalurgia básica (29,3%), outros produtos químicos (44,6%) e máquinas e equipamentos (62,6%). No quarto trimestre do ano, o estado registrou acréscimo de 6,7% frente ao quarto trimestre de 2008, revertendo a trajetória descendente dos demais trimestres do ano. No acumulado de 2009, a produção da indústria mineira decresceu 13,1%, devido, em grande parte, aos resultados de metalurgia básica (–26,3%), indústria extrativa (–25,1%), produtos de metal (–32,9%) e máquinas e equipamentos (–29,9%). Alimentos (6,1%) e celulose (3,8%) representaram as maiores pressões positivas.
Paraná. A produção da indústria paranaense subiu 5,9% em dezembro frente a novembro, na série livre dos efeitos sazonais, a maior dentre as localidades da pesquisa. No indicador mensal, a variação de 28,2% deveu-se ao desempenho de onze das catorze atividades incluídas na pesquisa. Edição e impressão (99,7%) e veículos automotores (110,1%) representaram os impactos positivos de maior importância, enquanto madeira (–16,4%) foi a maior contribuição negativa. Na análise trimestral, o crescimento de 9,7% reflete uma boa melhora do ritmo de produção do estado, visto que no terceiro trimestre a variação foi de –5,7%. No acumulado de 2009 frente a igual período do ano anterior, o recuo observado foi de 2,1%, sendo que, do ramo de veículos automotores (–27,3%), veio o maior impacto negativo, seguido de máquinas e equipamentos (–11,1%), madeira (–22,7%) e alimentos (–4,5%). No sentido contrário, do segmento de edição e impressão (78,9%) veio o impacto positivo mais relevante.




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