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10/09/2010
Análise IEDI
         

1º de fevereiro de 2010

Comércio Exterior
Um início de ano desfavorável
para manufaturados


  

 
De acordo com os dados divulgados hoje pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), as exportações de manufaturados avançaram 38,2% frente ao mesmo mês do ano anterior, desempenho mais favorável do que o registrado pelas demais classes de produto, mas que decorre, em grande medida, da baixa base de comparação. No início de 2009, a forte retração da demanda mundial decorrente do aprofundamento da crise econômica internacional afetou, especialmente, as vendas externas de manufaturas, que se depararam com a forte retração das economias avançadas de maior poder aquisitivo (e, assim, consumidoras por excelências desses bens).

No entanto, na margem, as exportações de manufaturados recuaram 0,5% frente a dezembro, segundo dados dessazonalizados pelo IEDI. No mesmo período, houve altas de 5,9% dos básicos e 2% dos semimanufaturados. Portanto, as vendas externas de manufaturados não iniciam bem o ano de 2010. Mas não é possível afirmar se este resultado é pontual (isto é, uma acomodação em relação ao desempenho de dezembro, quando essas exportações avançaram 11,7%) ou reflete um efeito negativo da apreciação cambial e do maior dinamismo do mercado interno sobre as exportações, que não está sendo contrabalançado pela recuperação da demanda externa. Se esta última hipótese for verdadeira, a evolução mais favorável da taxa de câmbio a partir de novembro (interrupção da trajetória de queda e alta em janeiro, quando o real depreciou-se em torno de 7%) pode dar algum fôlego às exportações de bens manufaturados nos próximos meses

A evolução positiva das exportações de manufaturas na comparação mensal contribuiu de forma decisiva para o desempenho das exportações totais, que somaram US$ 11,3 bilhões, cifra 21,3% superior à registrada no mesmo mês do ano anterior, como reflexo, em grande medida, da baixa base de comparação – já que a retração do comércio mundial teve, num primeiro momento, efeitos mais intensos sobre as vendas externas brasileiras do que sobre as compras (retrações de 22,8% e 12,6%, respectivamente). Em contrapartida, em janeiro de 2010, a retomada da demanda mundial e os preços favoráveis de várias commodities viabilizaram a recuperação das exportações, enquanto o maior dinamismo da atividade econômica doméstica e o patamar apreciado do real impulsionaram as importações, que cresceram 16,8% na mesma base de comparação, chegando a US$ 11,47 bilhões. Neste contexto, o saldo comercial em janeiro foi negativo em US$ 166 milhões, porém menor do que o registrado em janeiro de 2009 (US$ 529 milhões ou US$ 25 milhões por dia útil).
   

 
De acordo com os dados divulgados hoje pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), as exportações de manufaturados avançaram 38,2% frente ao mesmo mês do ano anterior, desempenho mais favorável do que o registrado pelas demais classes de produto (+31,7% e 18,9% pelos básicos e semimanufaturados, respectivamente). Este crescimento expressivo, contudo, decorre, em grande medida, da baixa base de comparação. No início de 2009, a forte retração da demanda mundial decorrente do aprofundamento da crise econômica internacional afetou, especialmente, as vendas externas de manufaturas, que se depararam com a forte retração das economias avançadas de maior poder aquisitivo (e, assim, consumidoras por excelências desses bens).

Já na série com ajuste sazonal, que permite a comparação com o mês imediatamente anterior (e, assim, a eliminação do efeito da base de comparação), as exportações de manufaturados recuaram 0,5% frente a dezembro, contra as altas de 5,9% dos básicos e 2% dos semimanufaturados. Não é possível afirmar se este resultado é pontual (isto é, uma acomodação em relação ao desempenho de dezembro, quando essas exportações avançaram 11,7%) ou reflete o efeito deletério da apreciação cambial e do maior dinamismo do mercado interno sobre as exportações, que não está sendo contrabalançado pela recuperação da demanda externa. Se esta última hipótese for verdadeira, a evolução mais favorável da taxa de câmbio a partir de novembro (interrupção da trajetória de queda e alta em janeiro, quando o real depreciou-se em torno de 7%) pode dar algum fôlego às exportações de bens manufaturados nos próximos meses.

 

 
Na série sem ajuste sazonal, na comparação com janeiro de 2009, destacaram-se tanto produtos manufaturados derivados de commodities, como produtos de maior valor agregado, dentre os quais: óleos combustíveis (+680,3%, para US$ 327 milhões), óxidos e hidróxidos de alumínio (+142,2%, para US$ 143 milhões), automóveis de passageiros (+72,3%, para US$ 279 milhões), tubos flexíveis de ferro/aço (+66,6%, para US$ 92 milhões), açúcar refinado (+59,6%, para US$ 225 milhões), polímeros plásticos (+56,9%, para US$ 121 milhões), autopeças (+54,5%, para US$ 178 milhões), bombas e compressores (+40,0%, para US$ 88 milhões), aviões (+39,6%, para US$ 258 milhões), papel e cartão (+39,5%, para US$ 93 milhões), pneumáticos (+22,7%, para US$ 90 milhões), laminados planos de ferro/aço (+18,6%, para US$ 131 milhões) e aparelhos transmissores/receptores (+13,2%, para US$ 97 milhões).

A evolução positiva das exportações de manufaturas – que voltaram a responder pela maior fatia das vendas externas a partir de setembro de 2009, a qual atingiu 46% em janeiro – contribuiu de forma decisiva para o desempenho das exportações totais, que somaram US$ 11,3 bilhões (equivalente a uma média diária de US$ 565 milhões), cifra 21,3% superior à registrada no mesmo mês do ano anterior. Todavia, este resultado favorável é reflexo, sobretudo, da baixa base de comparação, como já destacado; em janeiro de 2009, o total exportado totalizou apenas US$ 9,78 milhões. Vale lembrar que a retração do comércio mundial teve, num primeiro momento, efeitos mais intensos sobre as vendas externas brasileiras do que sobre as compras (retrações de 22,8% e 12,6%, respectivamente).

Em contrapartida, em janeiro de 2010, a retomada da demanda externa e os preços favoráveis de várias commodities viabilizaram a recuperação das exportações, enquanto o maior dinamismo da atividade econômica doméstica e o patamar apreciado do real impulsionaram as importações, que cresceram 16,8% na mesma base de comparação, atingindo US$ 11,47 bilhões. Nas séries com ajuste sazonal, que permitem a comparação com o mês imediatamente anterior, os impactos desses fatores sobre as exportações e importações são ainda mais evidentes (altas de 2,8% e 2,3%). Neste contexto, o saldo comercial em janeiro foi negativo em US$ 166 milhões (US$ 8,0 milhões por dia útil), déficit bem menor do que o registrado em janeiro de 2009 (US$ 529 milhões ou US$ 25 milhões por dia útil).

Resultados Gerais. O saldo comercial brasileiro (diferença entre as exportações e as importações), ao longo dos 20 dias úteis de janeiro, foi negativo em US$ 166 milhões (US$ 8,0 milhões por dia útil), contra o resultado positivo de US$ 2,2 bilhões em dezembro. Em comparação com janeiro de 2009, que apresentou um saldo negativo de US$ 529,0 milhões (US$ 25,0 milhões por dia útil), o déficit diário reduziu-se em 67,1%. Na série dessazonalidada, houve avanço de 8% frente ao mês anterior.

Exportações. No primeiro mês de 2010 exportações atingiram o menor montante visto desde fevereiro de 2009 (US$ 9,6 bilhões), ao atingir US$ 11,3 bilhões, o equivalente a uma média diária de US$ 565 milhões. Em comparação a dezembro de 2009 na série livre de efeitos sazonais, a média diária avançou 2,7%. No confronto com janeiro de 2009, quando se verificou uma média diária de US$ 466 milhões, observou-se uma alta de 21,3%, cabendo destacar que em janeiro de 2010 houve um dia útil a mais. Semanalmente, os melhores desempenhos foram vistos nas terceira (US$ 3,1 bilhões ou 621 milhões diários) e quartas semanas (US$ 3,3 bilhões ou US$ 651 milhões diários).

Importações. Em janeiro, foram comprados produtos do exterior no valor de US$ 11,5 bilhões, o equivalente a US$ 574 milhões por dia útil. No mês anterior o volume comprado foi de US$ 12,3 bilhões (US$ 558 milhões por dia). Na série com ajuste sazonal, a variação entre as médias diárias de dezembro de 2009 e janeiro de 2010 foi de 2,3%. Em relação a janeiro do ano anterior, quando a média diária foi de US$ 491 milhões, a importação média por dia útil assinalou alta de 16,8%. Na análise semanal, as importações foram maiores que as exportações na primeira semana (US$ 505 milhões para as exportações contra US$ 580 milhões para as importações) e na segunda semana (US$ 484 milhões exportados contra US$ 602 importados) de janeiro.

 

 

 

 

 

 

 

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e entre 8% e 9% em 2009.


 
 

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