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02/09/2010
Análise IEDI
         

27 de maio de 2009

Crédito e Juros
As diferenças entre as
instituições financeiras


  

 
As informações divulgadas hoje pelo Banco Central do Brasil possibilitam a avaliação do desempenho do crédito à indústria no primeiro quadrimestre de 2009, ou seja, na comparação de abril com dezembro de 2008. Neste período, as operações de empréstimos ao setor industrial aumentaram somente 0,9%, percentual inferior às taxas de variação do crédito total e do crédito ao setor privado (ambas +1,7%) e, principalmente, ao ritmo de expansão das modalidades de crédito às famílias. Essa é uma sinalização de que de fato o crédito para o setor continua escasso. Ainda assim, em relação às demais modalidades de crédito empresarial, este desempenho foi relativamente mais favorável, ficando atrás somente do crédito ao setor rural (+4,1%). No caso dos setores de comércio e outros serviços, houve retração do volume nominal do estoque de crédito. Significa isso dizer que nesses demais segmentos o crédito está ainda mais difícil.

A análise da distribuição do crédito por propriedade de capital revela que foram os bancos públicos que sustentaram a expansão do crédito à indústria, cujo valor cresceu 4,2% em abril na comparação com dezembro, frente à taxa muito baixa de +0,2% no sistema privado nacional e à variação negativa de 5% no sistema privado estrangeiro. A mesma conclusão se aplica aos empréstimos aos setores de comércio e outros serviços, que registraram crescimento no sistema financeiro público e forte contração nos sistemas privados nacional e estrangeiro. Diante do efeito-contágio da crise internacional, as instituições privadas privilegiaram os empréstimos às famílias, de mais fácil avaliação e maior rentabilidade, vis-à-vis o crédito às empresas. Portanto, do lado do crédito empresarial, a restrição de crédito teria sido muito mais grave, não fosse a parcial compensação pelas instituições públicas.

Os dados do BCB também permitem a análise da evolução do crédito por origem de recursos. Na mesma base de comparação (abril contra dezembro), o crédito com recursos livres cresceu 0,6% e aquele com recursos direcionados 4,6% (como já mencionado, o crédito total expandiu 1,7% no período). No segmento de recursos livres, a expansão ancorou-se nos empréstimos às pessoas físicas, que aumentaram 4,4%, enquanto, no caso das pessoas jurídicas, houve contração de 2,6% (resultado de uma queda de 0,9% no estoque de crédito com recursos domésticos e de 9,7% nas operações com recursos externos).
   

 
As informações divulgadas hoje pelo Banco Central do Brasil (BCB) possibilitam a avaliação do desempenho do crédito à indústria no primeiro quadrimestre de 2009, ou seja, na comparação de abril com dezembro de 2008. Nesse período, as operações de empréstimos ao setor industrial aumentaram somente 0,9%, percentual inferior às taxas de variação do crédito total e do crédito ao setor privado (ambas +1,7%) e, principalmente, ao ritmo de expansão das modalidades de crédito às famílias (10% no crédito habitacional e 4,3% no crédito às pessoas físicas, exclusive habitação e rural), que foram favorecidas por medidas governamentais (como o pacote habitacional e redução do IOF sobre empréstimos para aquisição de veículos) e pelo crescimento do rendimento médio real. Já em relação às demais modalidades de crédito empresarial, este desempenho foi relativamente mais favorável, ficando atrás somente do crédito ao setor rural (+4,1%), que também foi beneficiado por essas medidas. No caso dos setores de comércio e outros serviços, houve retração do volume nominal do estoque de crédito (de 4,3% e 2,2%, respectivamente).

Todavia, os dados agregados das operações de crédito por setor de atividade (que incluem recursos livres e direcionados) encobrem importantes diferenças na evolução dessas operações entre as diferentes instituições financeiras (públicas, privadas nacionais e privadas estrangeiras). A análise da distribuição do crédito por propriedade de capital revela que foram os bancos públicos que sustentaram a expansão do crédito à indústria, cujo valor este cresceu 4,2% em abril na comparação com dezembro, frente à taxa irrisória de +0,2% no sistema privado nacional e à variação negativa de 5% no sistema privado estrangeiro. A mesma conclusão se aplica aos empréstimos aos setores de comércio e outros serviços, os quais registraram crescimento no sistema financeiro público e forte contração nos sistemas privados nacional e estrangeiro. Nesses sistemas, os destaques em termos de taxa de crescimento foram as modalidades de crédito habitacional e às pessoas físicas. Assim, diante do efeito-contágio da crise internacional, as instituições privadas privilegiaram os empréstimos às famílias, de mais fácil avaliação e maior rentabilidade, vis-à-vis o crédito às empresas.

 

 
Os dados do BCB também permitem a análise da evolução do crédito por origem de recursos. Na mesma base de comparação (abril contra dezembro), o crédito com recursos livres cresceu 0,6% e aquele com recursos direcionados 4,6% (como já mencionado, o crédito total expandiu 1,7% no período). No segmento de recursos livres, a expansão ancorou-se nos empréstimos às pessoas físicas, que aumentaram 4,4%, enquanto, no caso das pessoas jurídicas, houve contração de 2,6% (resultado de uma queda de 0,9% no estoque de crédito com recursos domésticos e de 9,7% nas operações com recursos externos).

Vale mencionar também a evolução das condições das operações de crédito referencial para taxa de juros no segmento de recursos livres no período considerado. Enquanto o custo do crédito recuou de 43,3% em dezembro para 38,6% em abril, em razão da queda tanto da taxa de captação como do spread (que foi mais pronunciada no segmento de pessoas físicas), a inadimplência aumentou um pouco (0,8 p.p, de 4,8% para 5,2%) devido, quase que exclusivamente, ao crescimento do percentual dos créditos em atraso acima de 90 dias no segmento de pessoas jurídicas (de 1,8% para 2,9%, maior patamar desde novembro de 2004), já que, no caso das pessoas físicas, este percentual ficou praticamente estável (passou de 8% para 8,2%). As condições de prazo também se deterioraram, sobretudo, no caso das pessoas jurídicas (recuo de 29 dias contra 3 dias nas operações com pessoas físicas).

Assim, os dados por setor de atividade e origem de recursos mostram que os bancos públicos e o segmento de crédito dirigido foram os principais responsáveis pela manutenção da trajetória de expansão do indicador crédito total em percentual do PIB nos primeiros quatro meses do ano, que passou de 41,3% em dezembro de 2008 para 42,6% em abril de 2009. Ademais, no segmento de recursos livres, a expansão ocorreu, exclusivamente, em função das operações realizadas com as famílias. Neste segmento, o crédito às empresas foi o mais penalizado pelo efeito-contágio da crise internacional sobre o sistema financeiro brasileiro.

Taxa de Juros. A taxa de juros total incidida nas operações de crédito com recursos livres o mês de abril foi de 38,6% a.a., o que representou um decréscimo de apenas 0,6 p.p. em comparação ao mês imediatamente anterior, e uma alta de 1,2 p.p. frente o mesmo mês de 2008. A taxa de juros referente às operações com pessoas jurídicas fechou o mês em 28,8% a.a., registrou estabilidade frente ao mês imediatamente anterior e aumento de 2,5 p.p. frente a abril do ano passado. Por outro lado, a taxa de juros sobre pessoa física, ao ficar em 48,8% a.a., recuou 1,3 p.p. em comparação a março e obteve alta de 1,1 p.p. em comparação a abril do ano anterior.

Dentre as modalidades de crédito para a pessoa física, podemos destacar a aquisição de bens – outros, cheque especial e crédito pessoal. A taxa de juros para aquisição de outros bens assinalou o maior recuo frente a março (3,4 p.p. ficando em 60,4% a.a.) e obteve acréscimo de 4,0 p.p. frente a abril de 2008. Em relação às taxas do cheque especial, houve diminuição em relação ao mês anterior (2,8 p.p.), porém alta de 13,6 p.p. em comparação a abril do ano passado, fechando o mês em 166,3% a.a. A modalidade crédito pessoal também apresentou, na passagem entre março e abril, decréscimo (2,0 p.p.), ficando em 48,8% a.a., além de ter sido observado um recuo de 1,8 p.p. na comparação com mesmo mês 2008. A taxa que incide sobre a aquisição de veículos, por sua vez, registrou relativa estabilidade tanto frente ao mês anterior quanto em comparação a abril de 2008, atingindo 29,9% ao ano.

O spread bancário registrou pequena queda entre março e abril (–0,3 p.p.), porém assinalou crescimento de 3,2 p.p. na comparação mensal, ao fechar o mês em 28,2 p.p.. Esse foi o resultado da retração de 1,3 p.p. nas operações com pessoas físicas e da elevação de 0,3 p.p. na carteira de pessoas jurídicas. A taxa de captação total, que representa o custo de obtenção dos recursos financeiros para os bancos comerciais, foi de 10,4% a.a., o que significou uma retração de 0,3 p.p. contra março e de 2,0 p.p. na comparação mensal (mês/mesmo mês do ano anterior).

Inadimplência. A inadimplência no segmento de crédito referencial, considerando os atrasos superiores a 90 dias, apresentou alta de 0,2 p.p. em relação a março, chegando a 5,2%. Na comparação abril de 2009 e abril de 2008, a ampliação foi de 1,0 p.p. O resultado refletiu o comportamento no segmento de pessoas jurídicas, que cresceu 0,3 p.p. frente a março e 1,1 p.p. frente a abril de 2008. O segmento de pessoa física, por sua vez, registrou pequena queda da inadimplência em abril frente a março (–0,2 p.p.), enquanto em relação a abril de 2008 cresceu 1,0 p.p.

 

 

 

 

 

 

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e entre 8% e 9% em 2009.


 
 

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