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Só na aparência os resultados da indústria em março, divulgados hoje pelo IBGE, podem ser considerados positivos. Houve de fato um aumento da produção industrial com relação a fevereiro com ajuste sazonal, sendo este o terceiro aumento consecutivo, mas o desse último mês foi o menor, e, além disso, foi muito pouco expressivo, de apenas 0,7%. Nos meses anteriores a variação positiva tinha chegado a 2,1% em janeiro e 1,9% em fevereiro. Houve também uma redução expressiva na queda da produção industrial de março último com relação a março do ano passado, -10,0%, contra reduções de 17,5% e 16,8% em janeiro e fevereiro. Contudo, essa “melhora” decorreu muito mais de um fator calendário ou de um fator estatístico do que qualquer outra coisa. É que no corrente ano o mês de março contou com dois dias úteis a mais do que março do ano passado e, ademais, o resultado da produção industrial nesse último mês fora muito baixo, portanto formando uma base baixa de comparação.
Os dados relevantes para se aferir o estado da produção industrial do país não são esses, mas sim, o que informa que na média dos últimos 3 meses a indústria opera em um nível de produção quase 15% inferior ao do mesmo período do ano passado. A outra informação relevante é que o coração de um sistema produtivo, ou seja, a sua indústria de bens de capital, que espelha a intenção de investir da economia, não pára de aprofundar sua queda. Com ajuste sazonal, a comparação da produção desse setor em março com fevereiro apresentou recuo de 4,7%, acumulando dois meses de mega retrações, já que em fevereiro o declínio chegara a 7,1%. Isso significa que esse setor desde o início da crise já perdeu, em seis meses, 33% de sua produção, sem que apresente qualquer sinal de reação. Em si, esse é um desempenho que deprime os resultados da indústria como um todo, que caiu 16%, também comparando-se a produção de março com o auge anterior à crise verificado em setembro do ano passado. Mas, mais do que isso, o colapso em bens de capital é revelador de que o investimento na economia brasileira está tendo um declínio de grandes proporções. As variações do investimento têm o poder de determinar à frente os aumentos de renda e emprego, razão pela qual os negativos indicadores em bens de capital devem ser tomados com extrema preocupação.
No momento atual, a economia brasileira vem acumulando resultados favoráveis. Tem sido assim na área do emprego, do comércio varejista, do comércio exterior, na conta de transações correntes do balanço de pagamentos, na inflação, denotando que sob muitos critérios a crise internacional não afeta o Brasil tão negativamente como em outras épocas, o que pode ser indicativo de que a economia do país desfruta de capacidade para superar a atual etapa adversa com antecedência a outras economias. Tudo isso é verdadeiro, menos com relação ao eixo central da dinâmica econômica, que no Brasil, assim com em qualquer outro lugar do mundo, tem no investimento o seu centro irradiador. E o investimento no Brasil vai muito mal.
O governo tem realizado reduções de impostos em segmentos de bens duráveis, o que contribuiu para minimizar a queda de vendas e de produção nesses setores. Mas até agora não instituiu nenhum mecanismo adicional de incentivo para as empresas que, mesmo diante do horizonte incerto causado pela crise internacional, venham a se aventurar em projetos de investimento. Não deve ser minimizado o conjunto de medidas, extremamente relevantes, para ampliação dos recursos para o BNDES. Elas asseguraram que por falta de financiamento não haverá descontinuidade dos investimentos na economia. Mas não somente por falta de financiamento os investimentos deixam de ser realizados, se, como é o caso no presente momento econômico, há uma queda generalizada e profunda nas expectativas, deprimindo a demanda por novos investimentos. Reduções de impostos na compra de bens de capital ajudariam nessa direção, mas seria importante um incentivo extra, tal como a redução de tributos (IR e outros impostos e contribuições federais) em contrapartida aos gastos com investimentos realizados, digamos nesse e no próximo ano.
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Em março, segundo dados divulgados pela pesquisa PIM do IBGE, a produção da indústria brasileira, quando comparada a de fevereiro e já descontados os efeitos sazonais, apresentou um avanço de 0,7%, completando o terceiro mês consecutivo de avanços (2,1% em janeiro e 1,9% em fevereiro). Em relação a março de 2008, houve um recuo na ordem de 10,0%, o quinto seguido nessa comparação. Trimestralmente, tanto em relação ao trimestre imediatamente anterior, com dados dessazonalizados, quanto frente ao mesmo trimestre de 2008, verificou-se decréscimo da produção de –7,9% e –14,7%, respectivamente. Nos últimos 12 meses, a variação acumulada foi de –1,9%.
Ao se analisar a evolução da produção industrial por categoria de uso, observa-se que apenas a categoria Bens de Capital apresentou decréscimo em relação a fevereiro, sem efeitos sazonais, de –6,3%. Dentre as demais categorias, o maior avanço foi visto em Bens de Consumo Duráveis (1,7%), seguido por Semiduráveis (0,7%) e Intermediários (0,3%). Seguindo a taxa global da indústria, com queda de 10%, todas categorias uso, com exceção de Bens de Consumo Semiduráveis e não duráveis (2,9%), apresentaram declínio frente a março de 2008. Os recuos foram: –23,0% no setor de Bens de Capital; –13,4% no de Bens de Consumo Duráveis; e –13,3% no de Bens Intermediários. No ano, frente ao mesmo período de 2008, todas as categorias assinalaram recuo da produção. Os mais acentuados ocorreram em Bens de Consumo Duráveis (–22,5%), Bens de Capital (–20,8%) e Bens Intermediários (–18,1%).

Setorialmente, na passagem de fevereiro para março, com dados dessazonalizados, dos 27 setores pesquisados, em onze a produção variou positivamente. Os destaques foram: veículos automotores (7,0%), farmacêutica (9,0%), outros produtos químicos (3,5%), equipamentos de instrumentação médico-hospitalar e óticos (20,8%) e indústrias extrativas (2,4%). Em sentido contrário, os maiores declínios tiveram origem em: outros equipamentos de transporte (–15,2%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (–15,3%), máquinas e equipamentos (–3,3%) e material eletrônico e equipamentos de comunicações (–5,5%). Na comparação mensal (mês/mesmo mês do ano anterior), 20 dos vinte e sete ramos pesquisados assinalaram recuo em março. Os principais impactos negativos sobre o índice global vieram de: máquinas e equipamentos (–27,2%), veículos automotores (–18,5%), metalurgia básica (–29,2%), material eletrônico e equipamentos de comunicações (–38,9%). Em sentido oposto, os avanços vieram de fumo (80,4%), farmacêutica (48,3%) e vestuário e acessórios (24,6%).
Na relação primeiro trimestre de 2009/primeiro trimestre de 2008, o declínio da taxa global, na ordem de 14,7%, foi causado pelo recuo generalizado em todos os setores industriais. Na comparação, dos 27 setores, apenas em três observaram-se elevações: outros equipamentos de transporte (26,2%), farmacêutica (13,7%) e bebidas (5,6%). As quedas mais significativas, ordenadas pela contribuição na taxa global, foram: veículos automotores (–27,2%), máquinas e equipamentos (–28,3%), metalurgia básica (–30,8%) e outros produtos químicos (–21,1%).




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