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Carta IEDI n. 401 - Produção Industrial: Queda Histórica em 2009, Mas Recuperação no Final do Ano

 

A produção física industrial brasileira retraiu 7,4% em 2009, a maior queda desde 1990 (contração de 8,9%). A crise global e seus efeitos sobre as expectativas dos empresários e sobre a demanda externa foi o principal determinante da queda da atividade industrial, que teve perfil generalizado e atingiu as quatro categorias de uso e vinte e três dos vinte e sete ramos pesquisados pelo IBGE.

O colapso do investimento doméstico e das exportações de manufaturados e commodities afetou mais duramente o setor produtor de bens de capital, cuja produção encolheu 17,4% no acumulado no ano. A reação desse setor no segundo semestre de 2009, quando assumiu a liderança do crescimento da indústria, não foi suficiente para neutralizar o forte impacto inicial.

O forte retrocesso das exportações também afetou o setor produtor de bens intermediários, que registrou a segunda maior queda (–8,5%) entre os setores da categoria de uso. Ademais, esse segmento, que é o de maior peso na estrutura industrial brasileira, sofreu o impacto negativo da retração da demanda doméstica por insumos industriais.

Igualmente afetado pela retração da demanda externa, o segmento produtor de bens de consumo duráveis registrou queda de produção da ordem de 6,4% em 2009, a despeito de ser diretamente beneficiado pelas medidas de política anticíclica, notadamente a desoneração tributária para automóveis e eletrodomésticos de “linha branca” – que ajudou a sustentar o consumo das famílias.

Já o setor de bens semiduráveis e não-duráveis praticamente não foi afetado pela crise, já que o emprego e a massa de rendimentos reais da população foram preservados por políticas de renda. Certamente devido ao impacto da queda da exportação em alguns ramos de alimentos e pela retração doméstica da produção em segmentos como vestuário e têxtil, esse setor teve queda de 1,6% em 2009.

Na passagem de novembro a dezembro, descontados os efeitos da sazonalidade, após queda de 0,8% em novembro (dados revistos), a produção física industrial brasileira retraiu 0,3%. Nessa base de comparação, três dos quatro segmentos da indústria por categoria de uso registraram variação positiva: bens intermediários (1,0%), bens de consumo semiduráveis e não-duráveis (0,4%) e bens de capital (0,2%). A única exceção foi o segmento produtor de bens de consumo duráveis, que, pelo segundo mês consecutivo, registrou queda (–4,9%), sugerindo uma acomodação após crescimento ao longo de 2009, influenciado principalmente pelos incentivos fiscais para automóveis e eletrodomésticos da “linha branca”.

Frente a dezembro de 2008, a indústria geral registrou crescimento de 18,9%, em um quadro de recuperação disseminado entre os setores e produtos pesquisados, como mostra o índice de difusão: 66% dos 755 produtos apresentaram avanço na produção. Todas as quatro categorias de uso registraram crescimento, confirmando o perfil generalizado da recuperação no setor industrial, com destaque para o setor produtor de bens de consumo duráveis. Todavia, esse resultado foi bastante influenciado pela baixa base de comparação.

Na avaliação do IEDI, não obstante a retração da produção industrial em dezembro, em consequência de uma grande e pertinente onda de antecipações de consumo de bens duráveis, motivada pela redução de impostos, a expectativa de um bom resultado de crescimento da indústria em 2010 se mantém. Todavia, para isso, ela deverá contar com um comportamento positivo e compensatório da produção de bens de capital e de bens intermediários. Também ajudaria um esforço de redução das taxas de juros do crédito para compensar os efeitos antecipação de consumo sobre a indústria.

No que se refere ao grau de utilização de capacidade instalada da indústria de transformação, o indicador sem ajuste sazonal, elaborado pela FGV, mostra que indústria terminou o ano de 2009 com o nível médio de utilização de capacidade no patamar de 84,2% ou seja, 3,6 pontos percentuais acima do nível verificado em dezembro de 2008. Não obstante essa recuperação, o NUCI médio ainda está longe do patamar recorde da série histórica (87,2% em novembro de 2007), indicando que a indústria opera com folga para crescer sem pressões inflacionárias.

No plano internacional, a comparação da economia brasileira com economias periféricas com semelhante grau de desenvolvimento revela que o desempenho da indústria de transformação brasileira em dezembro (18,9%) foi superior ao da grande maioria dos nove países da amostra, ficando atrás apenas da Tailândia, que registrou variação positiva de 35,7% em dezembro frente igual mês do ano anterior.

 

 

A Indústria em 2009. De acordo com os dados do IBGE, a produção física industrial brasileira retraiu 7,4% em 2009, a maior queda desde 1990 (contração de 8,9%). A queda da atividade industrial teve perfil generalizado, atingindo as duas classes da indústria, as quatro categorias de uso e vinte e três dos vinte e sete ramos pesquisados pelo IBGE, com destaque para as reduções verificadas na produção de máquinas e equipamentos (–18,5%), veículos automotores (–12,4%), metalurgia básica (–17,5%) e material eletrônico e equipamentos de comunicações (–25,5%).

O principal determinante para esse resultado foi crise global e seus efeitos sobre as expectativas dos empresários e sobre a demanda externa de manufaturados e de commodities minerais. Embora o impacto da crise na indústria tenha se concentrado no último trimestre de 2008 e primeiro trimestre de 2009, o setor ainda não se recuperou do “tombo”. A indústria de transformação encerrou o ano com queda de 7,3%, enquanto a indústria extrativa mineral acumulou decréscimo de 8,8%.

O colapso do investimento doméstico e das exportações de manufaturados e de commodities afetou mais duramente o setor produtor de bens de capital, cuja produção encolheu 17,4% no acumulado no ano. A reação desse setor no segundo semestre de 2009, quando assumiu a liderança do crescimento da indústria, não foi suficiente para neutralizar o forte impacto inicial.

O forte retrocesso das exportações também afetou o setor produtor de bens intermediários, que registrou a segunda maior queda (–8,5%) entre os setores da categoria de uso. Ademais, esse segmento, que é o de maior peso na estrutura industrial brasileira, sofreu o impacto negativo da retração da demanda doméstica por insumos industriais, decorrente, sobretudo, da desaceleração de atividades nos segmentos associados ao complexo automotivo.

Igualmente afetado pela retração da demanda externa, o segmento produtor de bens de consumo duráveis registrou queda de produção da ordem de 6,4% em 2009, a despeito de ser diretamente beneficiado pelas medidas de política anticíclica, notadamente a desoneração tributária para automóveis e eletrodomésticos de “linha branca” – que ajudou a sustentar o consumo das famílias.

Já o setor de bens semiduráveis e não-duráveis praticamente não foi afetado pela crise, já que o emprego e a massa de rendimentos reais da população foram preservados por políticas de renda. Certamente devido ao impacto da queda da exportação em alguns ramos de alimentos e pela retração doméstica da produção em segmentos como vestuário e têxtil, esse setor teve queda de 1,6% em 2009, bem abaixo da média global da indústria.

Na avaliação do IEDI, a política econômica anticíclica de estímulo à antecipação do consumo adotada pelo governo ajudou a economia brasileira a sair mais rapidamente da crise. No entanto, o sucesso cobra um preço. Se houve êxito em antecipar o consumo das famílias e se essa antecipação se deu majoritariamente em bens duráveis, cujo consumo foi incentivado por redução de impostos, isso desequilibrou, em alguma medida, os ciclos de produtos próprios a cada dos segmentos de bens duráveis. Em outras palavras, antecipar o consumo de geladeiras em 2009 – para dar um exemplo – poderá deprimir o crescimento do consumo desse bem em algum momento no futuro, provavelmente no ano seguinte, ou seja, em 2010.

Desempenho da Indústria em Dezembro. Após queda de 0,8% em novembro (dados revistos), a produção física industrial brasileira retraiu 0,3% em dezembro, descontados os efeitos da sazonalidade, com o patamar de produção retornando ao nível de setembro de 2007. Para esse segundo declínio consecutivo contribuiu a redução do nível de produção em nove dos vinte e sete ramos pesquisados, com destaque para material eletrônico e equipamentos de comunicações (–12,2%) e de 1,2% em veículos automotores (–1,2%).

Na comparação com dezembro de 2008, a indústria geral registrou crescimento de 18,9%, em um quadro de recuperação disseminado entre os setores e produtos pesquisados, como mostra o índice de difusão: 66% dos 755 produtos apresentaram avanço na produção. Todavia, esse resultado foi bastante influenciado pela baixa base de comparação. Em dezembro de 2008, por conta dos impactos da crise global, importantes setores haviam interrompido a produção, concedendo as férias coletivas e/ou realizando paralisações não programadas.

Os sinais de recuperação da indústria ao longo de 2009 também são evidenciados nos indicadores trimestrais. Na série ajustada sazonalmente, a produção industrial avançou 3,6% no quarto trimestre frente ao trimestre imediatamente anterior, na terceira expansão consecutiva nesse tipo de comparação, período em que o setor industrial acumulou ganho de 13,0%. Na comparação com mesmo período do ano anterior, a indústria cresceu 5,8% no último trimestre de 2009, interrompendo a sequência de quedas ao longo dos três primeiros trimestres do ano.

Nas demais classes da indústria, descontadas as influências sazonais, em dezembro houve aumento do nível de produção na comparação com o mês anterior. A indústria de transformação registrou incremento de 0,2% enquanto a indústria extrativa mineral avançou 1,0%.

Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, não obstante o arrefecimento do ritmo, ambas as classes da indústria registraram a terceira expansão consecutiva, descontadas as influencias sazonais. A indústria de transformação avançou 4,0% frente ao terceiro trimestre, enquanto a indústria extrativa mineral subiu 2,5%.

Frente a dezembro de 2008, ambas as classes da indústria registraram taxas fortemente positivas, em parte explicadas pela base fraca de comparação. A produção da indústria de transformação subiu 18,9% e da indústria extrativa mineral cresceu 19,1%.

Na comparação com mesmo período do ano anterior, interrompendo a sequência de quedas ao longo dos três primeiros trimestres do ano, a indústria de transformação cresceu 6,0% no quarto trimestre de 2009. Já a indústria extrativa mineral elevou a produção em 3,0%.

Na avaliação do IEDI, não obstante a retração da produção industrial em dezembro, em consequência de uma grande e pertinente onda de antecipações de consumo de bens duráveis, motivada pela redução de impostos, a expectativa de um bom resultado de crescimento da indústria em 2010 se mantém. Todavia, para isso, ela deverá contar com um comportamento positivo e compensatório da produção de bens de capital e de bens intermediários. Também ajudaria um esforço de redução das taxas de juros do crédito para compensar os efeitos antecipação de consumo sobre a indústria.

Fonte: IBGE - Pesquisa Industrial Mensal. Elaboração Própria.
Fonte: IBGE - Pesquisa Industrial Mensal. Elaboração Própria.

Fonte: IBGE - Pesquisa Industrial Mensal. Elaboração Própria.
Fonte: IBGE - Pesquisa Industrial Mensal. Elaboração Própria.

Fonte: IBGE - Pesquisa Industrial Mensal. Elaboração Própria.
Fonte: IBGE - Pesquisa Industrial Mensal. Elaboração Própria.

Resultado por Categoria de Uso. Na passagem de novembro a dezembro, descontados os efeitos sazonais, à exceção do setor de bens de consumo duráveis, todos os demais segmentos da indústria por categoria de uso registraram variação positiva. O segmento produtor de bens intermediários, o de maior peso na estrutura industrial brasileira, cresceu pelo 12º mês consecutivo, avançando 1,0%, enquanto o setor produtor de máquinas e equipamentos registrou aumento de 0,3%. Já segmento de semiduráveis e não-duráveis voltou a crescer (0,4%), após recuo de 0,5% em novembro. Pelo segundo mês consecutivo, o segmento de produtor de bens de consumo duráveis registrou queda (–4,9%), sugerindo uma acomodação após crescimento ao longo de 2009, influenciado principalmente pelos incentivos fiscais para automóveis e eletrodomésticos da “linha branca”.

Ainda na série com ajuste sazonal, os quatro segmentos da indústria por categoria de uso registraram taxas positivas no quarto trimestre ante ao trimestre imediatamente interior. Os segmentos de bens de capital (de 6,9% para 13,3%) e de bens de consumo semiduráveis e não duráveis (de 0,6% para 1,4%) registraram aceleração na passagem do terceiro para o quarto trimestre. Já o setor de bens intermediários praticamente manteve o ritmo de produção entre os dois períodos (de 4,6% para 4,5%), enquanto os bens de consumo duráveis reduziram o ritmo de avanço (de 9,0% para 2,6%).

Frente a dezembro de 2008, todas as quatro categorias de uso registraram crescimento, confirmando o perfil generalizado da recuperação no setor industrial. O destaque ficou por conta do setor de bens de consumo duráveis (72,1%), particularmente influenciados pela maior fabricação de automóveis (164,7%) e de eletrodomésticos (45,2%), tanto da “linha branca” (50,2%) como da “linha marrom” (41,0%). Ressalte-se, contudo, a influência nesse resultado da baixa base de comparação por conta dos ajustes de estoques ocorridos no final de 2008.

No segmento produtor de bens de capital, que avançou 23,0%, a recuperação teve perfil generalizado. À exceção do subsetor de bens de capital para energia elétrica (–29,7%), por conta do recuo na fabricação de transformadores, todos os demais registraram taxas positivas, com destaque para os subsetores de bens de capital para uso misto (40,2%), para transporte (24,5%) e para fins industriais (18,2%).

Com variação superior à da média global da indústria, o setor produtor de bens intermediários cresceu 21,0%. Segundo o IBGE, as principais contribuições positivas vieram de produtos associados à produção de veículos automotores (106,5%), metalurgia básica (25,1%), borracha e plástico (50,2%) e outros produtos químicos (20,7%). Também se destacaram os insumos para construção civil (12,2%) e as embalagens (17,8%).

Bem abaixo da média da indústria, o setor produtor de bens semiduráveis e não-duráveis registrou incremento de 6,0%. Contribuíram para o resultado positivo os subsetores outros não duráveis (9,9%), alimentos e bebidas elaborados para consumo doméstico (5,0%) e semiduráveis e não duráveis (8,9%), com destaque, respectivamente, dos itens medicamentos, refrigerantes e cervejas e chope, e calçados. A principal influência negativa originou-se no subsetor de carburantes, que, puxado pela redução da produção de álcool, recuou -4,6%.

No último trimestre de 2009, três das quatro categorias de uso mostraram igualmente crescimento na comparação com igual período de 2008. O destaque ficou com o setor de bens de consumo duráveis, que registrou incremento de 25%, seguido pelos segmentos de bens intermediários (6,7%) e de bens de consumo semiduráveis e não duráveis (2,2%). Embora com redução significativa no ritmo de queda, o segmento de bens de capital (–1,6%) foi o único que registrou queda na produção nessa comparação.

Fonte: IBGE - Pesquisa Industrial Mensal. Elaboração Própria.
Fonte: IBGE - Pesquisa Industrial Mensal. Elaboração Própria.

Fonte: IBGE - Pesquisa Industrial Mensal. Elaboração Própria.
Fonte: IBGE - Pesquisa Industrial Mensal. Elaboração Própria.

Por Dentro da Indústria de Transformação: Gêneros e Subsetores. Em dezembro frente a novembro, descontados os efeitos sazonais, a indústria geral recuou 0,3% enquanto a indústria de transformação registrou incremento de 0,2%. Esse resultado foi fortemente influenciado pela retração no nível de produção de nove dos vinte e sete ramos pesquisados, o que superou os efeitos positivos dos dezoito ramos em expansão. Dentre os ramos que reduziram a produção, as contribuições de maior importância para o índice global originaram-se em material eletrônico e equipamentos de comunicações (–12,2%), veículos automotores (–1,2%), alimentos (–1,0%), têxtil (–4,0%) e outros equipamentos de transportes (–4,2%). Em contrapartida, os principais impactos positivos resultaram de produtos de metal (11,3%), farmacêutica (6,2%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (3,3%) e outros produtos químicos (1,3%).

Na comparação com dezembro de 2008, a indústria geral e de transformação registram, ambas, expansão de 18,9%. Esse resultado refletiu o crescimento da maioria (22) dos vinte e sete setores pesquisados, com destaque para veículos automotores (129,6%), seguido por máquinas e equipamentos (33,9%), outros produtos químicos (20,7%), borracha e plástico (48,8%) e indústrias extrativas (19,1%). Nesses segmentos, destacaram-se, segundo o IBGE, os itens automóveis e caminhões; fornos microondas e refrigeradores; etileno e polipropileno; pneus; e minérios de ferro. Entre os setores que registram queda de produção, a principal contribuição negativa veio de outros equipamentos de transporte (–24,9%), pressionada, sobretudo, pelo recuo na fabricação de aviões.

A recuperação generalizada da indústria em dezembro de 2009 ante a igual mês do ano anterior também é evidenciado na série mais desagregada divulgada pelo IBGE. Dentre os 76 subsetores, cinquenta e nove registraram aumento de produção na comparação com dezembro de igual mês de 2008 (quarenta e nove em novembro e apenas trinta em outubro). Dentre os subsetores com aumento no nível de produção, destacam-se, pela magnitude das taxas àqueles do complexo automotivo – automóveis (161,2%), caminhões e ônibus (113%), material elétrico para veículos (106,1%), artefatos diversos de borracha (94,3%), fabricação de pneus (66,8%) e vidros (51,7%) –, petroquímicos básicos (69,5%), eletrodomésticos, da “linha branca” (50,2%) e da “linha marrom” (41,3%), extração de minerais não-ferrosos (50,1%), peças fundidas de ferro (65,5%), estrutura metálica (55,8%), ferro-gusa e semiacabados de aço (54,9%), adubos e fertilizantes (47,1%) e laminados de aço (41,5%). Dentre os setores com redução da produção, as taxas negativas mais expressivas foram registradas em outros equipamentos de transporte (–41,0%), tubos de ferro e aço (–38,2%), defensivos agrícolas (–31,3%), construção e montagem de vagões ferroviários (–30,6%), óleo de soja (–24,2%) e construção e montagem de aeronaves (–21,5%).

No fechamento do ano de 2009 frente a igual período do ano anterior, a indústria geral recuou 7,4% e a indústria de transformação retraiu 7,3%. A queda teve perfil generalizado atingindo vinte e três dos vinte e sete ramos pesquisados. Dentre as atividades em queda, os recuos mais expressivos ocorreram em máquinas e equipamentos (–18,5%), veículos automotores (–2,4%), metalurgia básica (–17,5%) e material eletrônico e equipamentos de comunicações (–25,5%). Nesses segmentos, sobressaíram os itens máquinas e equipamentos para fins industriais; caminhões; lingotes, blocos e tarugos de aços ao carbono; e telefones celulares. Dentre quatro atividades em alta, o destaque foi a indústria farmacêutica, que registrou aumento de 7,9%, puxado pela maior produção de antibióticos e vacinas veterinárias, seguido por bebidas (7,1%), sob influência dos itens cervejas, chopes e refrigerantes.

No acumulado do ano, o perfil generalizado de retração da produção industrial pode ser, igualmente, observado na série mais desagregada do IBGE. Nessa série, cinquenta e seis dos 76 subsetores industriais pesquisados assinalaram recuo em 2009 na comparação com 2008. As quedas mais expressivas foram registradas, dentre outros, na produção de máquinas e equipamentos para extração mineral e construção (–44,7%), peças fundidas de ferro (–37,7%), outros veículos e equipamentos de transporte (–32,5%), caminhões e ônibus (–29,9%), tratores máquinas e equipamentos agrícola (–28,4%), material eletrônico e equipamentos de comunicações (–27,4%), construção e montagem de vagões ferroviários (–27,0%), carrocerias e reboques (–25,8%), equipamento de produção e distribuição de energia elétrica (–25,1%), ferro-gusa, ferroligas e semiacabados de aço (–25,0%). Dentre os ramos com aumento de produção, as maiores variações positivas foram registradas na montagem e construção de aeronaves (17,5%), eletrodomésticos da “linha branca” (11,5%) e petroquímicos básicos (6,8%).

Fonte: IBGE - Pesquisa Industrial Mensal. Elaboração Própria.
Fonte: IBGE - Pesquisa Industrial Mensal. Elaboração Própria.

Fonte: IBGE - Pesquisa Industrial Mensal. Elaboração Própria.
Fonte: IBGE - Pesquisa Industrial Mensal. Elaboração Própria.

Fonte: IBGE - Pesquisa Industrial Mensal. Elaboração Própria.
Fonte: IBGE - Pesquisa Industrial Mensal. Elaboração Própria.

Fonte: IBGE - Pesquisa Industrial Mensal. Elaboração Própria.
Fonte: IBGE - Pesquisa Industrial Mensal. Elaboração Própria.

Utilização de Capacidade. A indústria terminou o ano de 2009 com o nível médio de utilização de capacidade no patamar de 84,2%, ou seja, 3,6 pontos percentuais acima do nível médio de utilização capacidade verificado em dezembro de 2008. Não obstante essa recuperação, o NUCI médio ainda está longe do patamar recorde da série verificado em novembro de 2007 (87,2%).

O nível médio de utilização de capacidade instalada na indústria de transformação, sem ajuste sazonal, medido pela FGV, interrompeu uma sequencia de sete aumentos consecutivos. Após atingir em novembro o patamar mais elevado do ano (84,5%), o NUCI registrou decréscimo de 0,3 ponto percentual em dezembro. À exceção do segmento de bens de capital que elevou em 2,9 p.p. o grau de utilização de capacidade, todos os demais segmentos da indústria por categoria de uso reduziram o nível médio de utilização de capacidade. O maior recuo (–2,6 p.p.) ocorreu no segmento produtor de material de construção.

Na maioria (nove) dos gêneros industriais, houve igualmente diminuição do grau médio de utilização, com destaque para produtos veterinários e farmacêuticos (–3,7 p.p) e têxteis (–3,7 p.p), matérias plásticas (–2,6%) e minerais não-metálicos (–2,1 p.p). Em contrate, entre os gêneros com elevação no nível de utilização, a maior alta ocorreu em mecânica (+4,5 p.p).

Fonte: FGV/BCB. Elaboração própria.
Fonte: FGV/BCB. Elaboração própria.

Comparação Internacional: Brasil e Países Selecionados. Não obstante as diferenças metodológicas e da defasagem na divulgação dos dados, a comparação do desempenho da indústria brasileira com a indústria dos países membros da OCDE e de economias periféricas com grau semelhante de desenvolvimento é sempre muito ilustrativa.

Em dezembro, descontados os efeitos sazonais, a indústria brasileira recuou 0,3% frente ao mês de novembro. Esse resultado foi pior do que o verificado em doze países da amostra de dezessete países na série com ajuste sazonal da OCDE. Registraram taxas de crescimento mais expressivas que a da indústria brasileira, entre outras, as indústrias da Coreia (3,5% em dezembro), Estados Unidos (0,6%), Rússia (6,0% em novembro), Índia (2,7% em novembro) e Japão (2,2% em novembro). Com variações negativas mais intensas que a observada no caso brasileiro: Polônia (–2,8% em dezembro), Turquia (–8,3% em novembro) e Irlanda (–8,0%), todos na mesma base de comparação.

No cotejo da indústria de transformação brasileira com as indústrias de economias periféricas com semelhante grau de desenvolvimento, observa-se que o desempenho da produção manufatureira brasileira em dezembro de 2009 frente a igual mês do ano anterior (18,9%) foi superior ao da grande maioria (7) dos países da amostra. A única exceção foi a indústria de transformação da Tailândia, cuja produção registrou incremento da ordem de 35,7% em dezembro na comparação com igual mês de 2008.

Fonte: IBGE-PIM (Brasil) e <EM>OCDE - Main Economic Indicators</EM>. Elaboração Própria.
Fonte: IBGE-PIM (Brasil) e OCDE - Main Economic Indicators. Elaboração Própria.

Fonte: IBGE e Órgãos Nacionais de Estatísticas. Elaboração Própria.
Fonte: IBGE e Órgãos Nacionais de Estatísticas. Elaboração Própria.

Publicada em: 05/02/2010 Versão para impressão:
 

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