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                          Carta IEDI

                          Edição 572
                          Publicado em: 17/05/2013

                          O Preço do Investimento no Brasil

                          Sumário

                          O ano de 2012 se notabilizou pela baixa expansão do PIB (0,9%) e declínio de 4,0% da formação bruta de capital fixo (FBCF). O período de 2003 a 2008, delineava trajetória favorável, com incremento de 4,2% ao ano em média e de 2,9% do PIB per capita. Com a crise internacional, tal processo foi cessado. A recuperação em 2010-2011 também ocorreu com taxas de inversão elevadas (medidas a preços constantes). Mas 2012 pôs em xeque a consistência dessa aparente retomada, principalmente quanto ao papel da inversão fixa.

                          Na atualidade, a preocupação maior consiste na interrupção nas incertezas sobre a evolução da indústria, evidenciando a premência de que a economia se volte mais para o investimento e menos para o consumo das famílias. Como já exposto pelo IEDI, é necessária uma nova política econômica. Tal política deve ter o investimento como motor da expansão.

                          Vamos analisar o tema do incentivo ao investimento no Brasil do ponto de vista de seu preço relativo, segundo duas dimensões. Uma consiste no preço relativo da FBCF: o empreendedor tende a se arriscar mais havendo perspectivas de maior retorno real em períodos futuros. Se o preço relativo da FBCF declinar, investir se torna mais propício, ao ampliar as chances de se ter uma cesta maior de consumo adiante. O outro ponto se refere ao preço do investimento por si, comparado com o de outros países. Numa economia global, a decisão de imobilizar recursos em maquinaria e instalações envolve confrontar os preços de se instalar em diferentes localidades. Logo, assume papel crucial nas decisões de (re)localização de plantas produtivas.

                          Pode-se olhar para o preço do investimento, mediante as Penn World Tables, versão 7.1 (PWT7.1), que expõe o preço do investimento (FBCF mais variação de estoques) em termos do preço do PIB dos EUA (preço do PIB dos EUA igual a 100 em todos os anos). Assim:

                          • O Brasil registrava em 1985, um dos menores preços do investimento (índice de 30,8, o mais baixo dentre 52 países), menor inclusive que o da China;
                          • Em 2000, o preço do investimento estava em 48,9, já equivalente ao trigésimo nono mais alto de um total de 54 países. O índice era um pouco abaixo do registrado pela África do Sul, mas superava os patamares observados pelos demais países dos BRICS, bem como pelos países do ASEAN-4 – Filipinas, Indonésia, Malásia e Tailândia;
                          • De 2003 em diante o preço do investimento passou a crescer, mesmo com apreciação cambial, que costuma baratear os bens de capital transacionáveis – máquinas e equipamentos, de modo que, em 2008, alcançou 83,4, então o segundo maior patamar registrado desde 1950, ficando aquém apenas do observado em 1953;
                          • Em 2010, o preço da inversão atingiu 94,3, superando o nível de 2008 e colocando o Brasil como “país caro” para se investir, posicionando-se no décimo terceiro mais elevado em 54 países, acima do registrado por quatro países do G7 (EUA, Alemanha, Itália e Reino Unido) e dos Tigres Asiáticos, dos integrantes do ASEAN-4 (exceto Indonésia) e dos demais BRICS.


                          Cabe observar que os dados mais recentes das contas nacionais acusam incremento do deflator da FBCF e mesmo da FBCF em máquinas e equipamentos, indicando que o encarecimento do investimento no Brasil vem tendo continuidade. Como atenuante, de 2009 a 2011, o deflator de M&E tem subido menos do que o da FBCF em geral. Em 2012, o deflator da FBCF em M&E, certamente refletindo a desvalorização do Real, subiu 4,4%, enquanto o da FBCF como um todo, 4,2%. Na média de 2009 a 2012 o deflator de M&E aumentou por ano 2,4% e o da FBCF, 4,9%, denotando a necessidade de que para interromper e reverter o processo de crescente aumento do custo de investir o Brasil deve se debruçar sobre a evolução do preço da FBCF que não máquinas e equipamentos, vale dizer, em construção e instalação. Deve também redobrar esforços para baratear o investimento em máquinas e equipamentos e compensar o Real menos valorizado através de políticas de redução de custos de bens de capital, depreciação acelerada para os investimentos em máquinas e equipamentos e menores custos de financiamento.

                          Quanto ao preço relativo da inversão fixa, os dados do IBGE salientam declínio desde 2010, seja em relação ao deflator do PIB ou ao deflator do consumo final, o que favorece  a decisão de investir. O mesmo declínio relativo vale para o preço relativo de máquinas e equipamentos. Aliás, tirando 2007 e 2008, a diminuição do preço relativo da FBCF vem ocorrendo desde 2005. Este tem sido um dado positivo: se a FBCF do Brasil capitaneou o crescimento de 2003 a 2008, tal processo foi acompanhado de recuo no preço relativo da FBCF em boa parte do período. Porém, ao contrastar tais resultados com aqueles a partir das PMT7.1, o incremento do investimento até 2008 ocorreu com aumento do preço da inversão. Como se viu, o Brasil ficou mais caro para investir do que outros países a exemplo de vários da Ásia e demais integrantes dos BRICS (dados até 2010), embora investir esteja ficando mais barato do que consumir para quem nele reside.

                          Aliás, comparando com outros países (números da ONU até 2011), a redução no preço relativo da FBCF relativamente ao deflator do PIB ou ao deflator do consumo final não é particularidade do Brasil. Isto vem sendo observado no G7, em países latino-americanos, nos BRICS (com exceção da China) e em parte dos Tigres e dos ASEAN-4.

                          Apesar do aprofundamento do capital galgado a partir de 2004, o recuo do investimento no Brasil em 2012 e o claudicante início de 2013 acendem o sinal de alerta.  Mesmo com o cenário internacional adverso, outros países têm logrado dinamismo superior. Assim, resta ao País adequar as políticas econômicas para a FBCF ser protagonista e, dentre outros condicionantes, isto requer baratear seu custo. O investimento deve ser o lastro da retomada do crescimento e esteio da recuperação industrial.

                           
                          O Papel do Preço do Investimento Fixo. O ano de 2012 se notabilizou pela baixa expansão (0,9%) e o declínio de 4,0% da formação bruta de capital fixo (FBCF). O período anterior à crise internacional, de 2003 a 2008, delineava uma trajetória favorável, com incremento de 4,2% ao ano em média, sendo de 2,9% do PIB per capita. O senão era o descompasso entre produção industrial e o avanço do volume de vendas no varejo – este crescendo mais que aquela. Com a crise internacional iniciada em setembro de 2008, tal processo foi cessado. A recuperação em 2010-2011 também ocorreu com taxas de inversão elevadas (medidas a preços constantes). Mas 2012 pôs em xeque a consistência dessa aparente retomada, principalmente no que concerne ao papel da inversão fixa.

                          Quando o processo de expansão tem à frente o investimento, as condições são mais propícias para o maior crescimento industrial. Em contraste, quando é pelo consumo das famílias, parte maior da demanda é em serviços. Ademais, com a FBCF capitaneando as condições são melhores para combinar crescimento com baixo nível de inflação.

                          Neste tocante, o preço da inversão fixa exerce papel de relevo, o que requer a análise de dois pontos. Primeiramente, o preço do investimento por si só importa: investir num país custa requer mais ou menos recursos do que em outro? Numa economia global, a decisão de imobilizar recursos na forma de maquinaria e instalações envolve confrontar os preços de se investir em diferentes localidades. Logo, transnacionais e mesmo firmas que operam a princípio num único país consideram ou passam a considerar distintas opções para (re)localizar suas plantas.

                          O outro ponto consiste no preço relativo da FBCF: o empreendedor tende a se arriscar mais havendo perspectivas de ter maior retorno real em períodos futuros. Assim, se o preço relativo da inversão fixa declinar significa que o momento se mostra mais propício para a empreitada, uma vez que esta irá lhe proporcionar uma cesta maior de consumo mais adiante.

                          Comparando o Nível do Preço do Investimento. O primeiro ponto – o preço do investimento per se – pode ser abordado a partir das Penn World Tables em sua versão 7.1 (PWT7.1). Estas trazem o preço do investimento – FBCF mais variação de estoques – para amplo conjunto amplo de países desde 1950. Porém tal série só vai até 2010. Tal índice toma como parâmetro o preço do PIB dos Estados Unidos (equivale a 100 para todos os anos).

                          Há de se ter certos cuidados nesta análise: como qualquer bem ou serviço, um elevado preço do investimento pode decorrer da alta qualidade das máquinas, equipamentos, instalações bem e de outras construções. Ademais, um recuo do preço do investimento pode ser seguido ou acompanhado de acréscimo no investimento, com a aludida queda propiciando tais aumentos. Mas o incremento da inversão pode ser acompanhado de aumento de seu preço, refletindo simplesmente um fenômeno de procura e oferta. Neste caso, preço do investimento é efeito, não causa. A questão é que tal aumento pode se tornar empecilho adiante, em especial caso não se crie um diferencial (qualidade, ambiente para investir etc.) que valha o preço maior.

                          Mesmo sem contrapor a outros países, é possível ver o quão cresceu tal medida do preço da inversão no Brasil. Em 1985, o nível do preço da formação bruta de capital estava em 30,8 (ante 100 para o preço do PIB dos EUA) e terminou registrando 94,3 em 2010. Tomando-se a série desde 1970, o preço da inversão em 1985 só não foi menor do que em 1983, 1984 e 1986.

                          Não só isto: o preço em 1985 era menor até do que o da China. Todavia este preço abaixo se devia em parte à acumulação de capital do final dos anos 1970 e dos problemas decorrentes da crise da dívida externa. Algo análogo ao preço barato de uma mercadoria quando esta é de baixa qualidade. Depois de recuar ainda mais em 1986, o referido preço subiu até 1989, atingindo 66,7, com a alta inflação do País. Em 1990 declinou para 55,2. Apesar do recuo, tal patamar se encontrava acima do preço da inversão dos integrantes dos ASEAN-4 Malásia, Filipinas e Tailândia, assim como do preço do investimento da China e da Índia. Também superou os de outros países sul-americanos, da Europa Oriental, Costa Rica e do Vietnã.







                          A diminuição em 1990 continuou até 1992 com a recessão do biênio 1991-1992 pela qual o Brasil passou. O preço da inversão cresceu até 1995, para então declinar até 1999. Este período de recuo do preço do investimento coincide em boa medida com o chamado miniciclo do investimento, de 1995 a 1998, após a implementação do Plano Real a subsequente estabilização dos preços. Assim, mesmo a redução do preço da formação bruta de capital não tendo sido elevada, foi concomitante a um incremento da inversão fixa. Neste caso, há indicativo de que o comportamento do preço concorreu para ampliar a FBCF.

                          Em 1999, o Brasil passou para um regime de câmbio flutuante, ocorrendo uma depreciação cambial. Embora em 2000, tenha havido apreciação cambial e aumento no preço do investimento frente ao ano anterior, o patamar do preço do investimento, ficou abaixo daquele observado em 1990. Com tal patamar em 2000, de 48,9, o Brasil apresentou um indicador maior do que o da China, Índia e Rússia.

                          Nos dois anos subsequentes, o preço da inversão declinou, ficando em 38,2 em 2002, o menor nível desde 1987, quando ficara em. Daí em diante o preço do investimento passou a crescer, mesmo com a apreciação cambial, que costuma baratear os bens de capital transacionáveis – máquinas e equipamentos. É provável que, de 2003 a 2008, o incremento da formação bruta de capital, devido ao acréscimo da renda e melhorias na distribuição de renda, concorreu para o aumento no preço da inversão pelo próprio aumento na demanda por maquinário, instalações, construções e habitações. Assim, em 2008, preço do investimento do Brasil atingiu 83,4, o segundo maior patamar registrado desde 1950, ficando aquém apenas do observado em 1953. Ademais, com o decorrer do período, até 2008, o preço do investimento brasileiro foi superando o de outros países.

                          Em 2009, o preço do investimento no Brasil declinou como reflexo da crise internacional e da consequente menor procura para investir. O último ano com disponibilidade de dados, 2010, registrou um incremento no preço da inversão digna de nota, alcançando 94,3. Deste modo, à frente do Brasil, estão apenas países europeus, Japão, Austrália, Venezuela e Indonésia. Os próprios EUA presenciaram um preço do investimento inferior ao brasileiro, de 76,5, o mesmo valendo para o México. Assim, exceto pela Indonésia, os países dos BRICS, da ASEAN-4 e até os Tigres Asiáticos se tornaram mais baratos para investir do que o Brasil.

                          Numa economia global, a decisão de imobilizar recursos na forma de maquinaria e instalações envolve confrontar os preços de se investir em diferentes localidades. Logo, transnacionais consideram distintas opções para a (re)localização de suas plantas. Acresça-se que pesquisa de Ilyas et al., intitulada “The determinants of value added in Pakistan” (Pakistan Economic and Social Review, v. 48, nº 2, inverno de 2010) assinalou uma relação negativa entre nível de preço da inversão e adição de valor na indústria de transformação.

                          Assim os dados até 2010 das PWT7.1 realçam a alta do preço do investimento frente ao de outros países acenando para dificuldades em se recolocar a economia brasileira nos trilhos (trilhos de 2004 a 2008). Aliás, não apenas recolocar, mas também adequar as políticas econômicas às especificidades da redistribuição de renda e melhoria social da população.
                           




                          Incremento do Investimento Fixo e Seu Preço Relativo. Fazer a economia voltar aos trilhos de 2003-2008, tendo o investimento como protagonista, requer uma abordagem mais detida e com dados mais recentes para a economia brasileira, até 2012. Além do próprio deflator da formação bruta de capital fixo (FBCF), devem ser observados o deflator da FBCF em máquinas e equipamentos (M&E), e os preços relativos da FBCF e da FBCF em M&E.

                          Retrocedendo um pouco, é o caso dos anos de 2005 a 2008. Observando inicialmente os deflatores da FBCF deste período acusou, em média, um acréscimo no deflator inferior ao registrado em todos os anos posteriores a 1998, não por coincidência o ano derradeiro do ciclo anterior de inversão. Esse apontamento serve tanto para o deflator do investimento fixo quanto para o deflator da FBCF em máquinas e equipamentos.

                          Como visto, em 2010 o preço do investimento no Brasil já rivalizava com o de países “caros” (porém avançados), atuando no sentido contrário à atração empreendimentos estrangeiros. Em 2010, o deflator da FBCF cresceu 3,3%, enquanto o investimento em M&E, apenas 0,6%. No ano seguinte, ambos os deflatores cresceram 4,0% e 2,6%, respectivamente. Ou seja, os preços das inversões em construção cresceram mais do que os dos bens de capital no biênio. Isto mudou um pouco em 2012, quando o índice de preços da FBCF aumentou 4,2% e o da FBCF em máquinas e equipamentos, 4,4%. Tal comportamento aponta para ampliação do preço do investimento nos moldes como é elaborado no âmbito das PWT7.1.
                           


                          Passando para os preços relativos da FBCF, analisa-los é útil, pois o empreendedor tende a se arriscar mais se houver perspectivas de maior retorno real em períodos futuros. Assim, se o preço relativo da inversão fixa declinar significa que investir ficou relativamente menos oneroso que os outros bens e serviços: o momento se mostra mais propício para a empreitada que lhe proporcionará uma cesta maior de consumo mais adiante. Os preços relativos estão expostos tanto em termos do PIB quanto em termos do consumo final. A razão entre deflatores da FBCF e do consumo final consegue expurgar possíveis interferências do preço das exportações de bens e serviços presentes no caso do deflator do PIB.

                          Levando em conta a hipótese de certa superestimação no comportamento dos preços relativos da FBCF, no final dos anos 1980, estes não mais retornaram aos níveis do início dos anos 1970. Todavia, no passado recente, há inegável alinhamento entre crescimento econômico com aumento da taxa de FBCF e declínio no preço relativo da inversão fixa.

                          Passando para o preço relativo da FBCF, com 1985 como ano-base (preço relativo nele igual a 1), este cresceu praticamente sem interrupções desde 1999 – preço relativo da FBCF de 0,96 – até 2004, quando chegou a 1,10. O preço relativo da FBCF em termos do Consumo Final (CF) se comportou da mesma forma, ficando em 2004 em 1,07. Logo, de 1999 a 2004, investir produtivamente foi ficando relativamente mais caro do que consumir. Se quem investe em instalações e M&E busca um fluxo de renda maior para ampliar sua cesta de consumos, por que fazê-lo? Considerando ainda que tal período teve taxas de juros elevadas, a remuneração dos títulos da dívida se mostrava como opção a rivalizar com a FBCF.

                          Na passagem de 2004 a 2005, o preço relativo do investimento fixo passou a declinar, chegando a 1,05 em 2007. Já a razão entre deflatores da FBCF e do consumo final caiu para 1,01. Em 2008 – ano de expansão, mas também do início da crise internacional – e em 2009, o preço relativo da inversão fixa em termos tanto do PIB quanto do CF aumentou para 1,08 e 1,05, respectivamente. Quanto ao preço relativo da FBCF em maquinaria, no período seguinte ao miniciclo de inversão, teve aumento até 2005 (em termos de PIB) e até 2004 (em termos de CF). Na sequência, a razão entre deflatores da FBCF em M&E declinou até 2007, em relação, seja ao produto agregado, seja ao consumo final. Mas, distinguindo-se do preço relativo da FBCF, o preço relativo da FBCF em M&E voltou a cair já em 2009.

                          Quer o preço relativo do investimento fixo quer o preço relativo da FBCF em M&E declinaram até 2012. Os preços relativos da FBCF em termos do PIB e em termos do CF desceram até 0,99 e 0,97, respectivamente. Tais patamares em 2012 foram os mais baixos desde 1999. A razão entre deflator da FBCF em máquinas e equipamentos e deflator do PIB e a razão entre aquele e o deflator do consumo final declinaram até 1,36 e 1,33, os menores desde 1990. Ou seja, embora o investimento fixo – total e em M&E – tenha recuado em 2012 frente ao ano anterior, os preços relativos continuaram a declinar. Em princípio tais dados parecem apontar para melhores condições para a retomada das inversões em 2013.

                          Um “porém” reside em contrastar tais resultados com aqueles a partir das PMT7.1, da seção anterior. Se o incremento do investimento até 2008 ocorreu com aumento do preço da inversão, de 2004 a 2007, o preço relativo da FBCF, em termos seja do PIB, seja do consumo final, declinou. Assim, para o empreendedor doméstico, foi sinalizado um preço de bens de capital em termos de bens de consumo menor, favorecendo neste sentido o investimento. Depois de 2008, tais preços relativos voltaram a declinar, mesmo com o preço do investimento em expansão até 2010, segundo as PWT7.1. Em suma, o Brasil ficou mais caro para investir do que outras economias a exemplo de vários países asiáticos e demais integrantes dos BRICS, embora investir esteja ficando mais barato do que consumir para quem reside no País (conforme as contas nacionais, com dados até 2012).
                           




                          Comparação Internacional: O Preço Relativo da FBCF em Termos do PIB. Tratando de forma comparada, podem ser contrastadas a razão entre deflatores da FBCF e do PIB do Brasil com o de outros países a partir de base de dados da ONU. O ano-base adotado foi 1985. Logo para este ano todos os países registram o mesmo patamar, de 1,00. Uma limitação é que os dados mais atuais são para 2011.

                          Frisa-se que em 2010 e 2011, o preço relativo da inversão fixa do Brasil declinou em 2010 e 2011, aparentemente retomando o declínio registrado de 2005 a 2007 e interrompido pela crise internacional. Em 2011, o nível desta razão de deflatores ficou em 1,00. Como já visto, em 2012, o preço relativo em questão continuou a diminuir, ficando finalmente abaixo do patamar de 1985, mas ainda acima do observado em 1997, 1998 e 1999. Dentre as economias do G-7, Canadá e Reino Unido também experimentaram descenso no preço relativo em pauta em 2010 e em 2011. Nos EUA, ficou estável. No Japão e nos três países europeus do continente, Alemanha, França e Itália, o indicador cresceu. Todavia todos os integrantes do G-7 chegaram em 2011 com preço relativo da FBCF aquém do brasileiro, tendo 1985 como base.

                          Passando para os Tigres Asiáticos e os ASEAN-4, apenas Cingapura (tigre), Filipinas e Malásia (ambos dos ASEAN-4) experimentaram recuo de seus respectivos preços relativos em 2010 e 2011. Estes três também terminaram a série com preço relativo da FBCF abaixo do brasileiro. Em contraste, os tigres Coréia do Sul, Hong Kong e os demais dos ASEAN-4, Indonésia e Tailândia não só tiveram comportamento distinto no biênio em causa, como também tiveram, em 2011, preço relativo acima do brasileiro.

                          Dentre os BRICS selecionados, África do Sul foi o único país cuja razão entre deflatores da inversão fixa e do PIB recuou tanto em 2010 quanto em 2011. África do Sul e Índia terminaram a série com preço relativo do investimento fixo abaixo do brasileiro. Já a China chegou em 2011 com esse indicador acima daquele do Brasil, lembrando que tais resultados consideram 1985 na condição de ano-base.

                          Já Argentina, Chile, Colômbia e México chegaram em 2011 com um preço relativo da FBCF abaixo do brasileiro. Em todos os quatro casos, houve recuo do indicador tanto em 2010 quanto em 2011.
                           








                          O Preço Relativo do Investimento Fixo em Termos do Consumo Final. Este segundo grupo de comparação possui caráter complementar, pois o preço da formação bruta de capital fixo é contrastado com o preço do que é gasto pelas famílias e pelo governo, sem a influência que preço das exportações pode exercer no deflator do PIB.

                          Obtendo-se o preço relativo da FBCF em termos do consumo final (consumo das famílias mais consumo do governo), consegue-se ver que tal indicador para o Brasil pouco difere da razão entre deflator da FBCF e deflator do PIB. No entanto, por expurgar possíveis impactos dos preços das exportações, permite confrontar melhor as opções de investir e consumir considerando os preços dos dois atos.

                          Neste sentido, pelas comparações internacionais, cabe destacar que a Coréia do Sul e a China registraram, em 2011, uma razão entre deflatores da FBCF e do consumo final abaixo do brasileiro (1985 como ano-base). Pelo preço relativo da inversão fixa em termos do PIB, os dois países terminaram a série com grandeza acima daquela do Brasil.







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                          Estudo analisa a evolução da produtividade e dos salários da indústria nos últimos vinte anos, verificando se apresentam contribuição ao desenvolvimento dos países.

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                          Carta IEDI n. 1362 - Bens de capital: freio da produção industrial no 1º trim/26
                          Publicado em: 15/05/2026

                          No 1º trim/26, a indústria como um todo saiu do vermelho, mas a produção de bens de capital, afetada pelos juros elevados, ficou para trás.

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                          Carta IEDI n. 1361 - A redistribuição regional da indústria no Brasil
                          Publicado em: 12/05/2026

                          Nesta Carta IEDI, chamamos atenção para um aspecto que tem motivado menos debate do que a desindustrialização do Brasil que é a redistribuição da atividade industrial no território nacional.

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                          Carta IEDI n. 1360 - Reação das exportações industriais de alta tecnologia
                          Publicado em: 06/05/2026

                          No 1º trim/2026, o aumento do déficit da indústria de transformação foi amortecido pelo desempenho favorável das exportações de bens de alta intensidade tecnológica.

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                          Carta IEDI n. 1359 - Novo teste à resiliência da economia global
                          Publicado em: 30/04/2026

                          A guerra no Irã é mais um teste à resiliência da economia global, ainda que, segundo o FMI, seu impacto adverso tenda a ser parcialmente mitigado pela acomodação do ímpeto protecionista dos EUA, após decisão da Suprema Corte.

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                          Carta IEDI n. 1358 - 15º Plano Quinquenal da China: aposta redobrada na indústria e tecnologia
                          Publicado em: 24/04/2026

                          O 15º Plano Quinquenal da China coloca a modernização industrial, inovação e autossuficiência tecnológica como espinha dorsal de seu desenvolvimento com implicações para o Brasil e o mundo.

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                          Carta IEDI n. 1357 - A indústria brasileira na entrada de 2026
                          Publicado em: 17/04/2026

                          Embora tenha aumentado produção nos dois primeiros meses de 2026, a indústria do país se encontra em um quadro mais fraco do que de um ano atrás.

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                          Carta IEDI n. 1356 - A performance da indústria global em 2025 e o declínio do Brasil no ranking da produção
                          Publicado em: 14/04/2026

                          Com a desaceleração da indústria brasileira provocada pela alta dos juros e relativa resiliência do setor no mundo, recuamos consideravelmente no ranking global das indústrias mais dinâmicas em 2025.

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                          Carta IEDI n. 1355 - Sinal de inflexão do emprego industrial
                          Publicado em: 10/04/2026

                          Em 2025, a trajetória do emprego industrial se saiu melhor do que no restante do setor privado, ao menos até o último trimestre, quando deu sinal de inflexão.

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