Carta IEDI n. 505 - Produção Industrial em Dezembro de 2011: O Resultado Ainda é Ruim

Publicado em 03/02/2012

Sumário

Em dezembro de 2011, a produção industrial física brasileira avançou 0,9% na passagem de novembro para dezembro, descontados os efeitos sazonais. Essa alta da atividade industrial teve perfil disseminado de taxas positivas, alcançando todas as quatro categorias de uso e a maioria (16) dos 27 ramos pesquisados, com destaque para veículos automotores (5,2%) e alimentos (3,9%).

Frente a dezembro de 2010, a indústria registrou queda de 1,2%. Embora seja o quarto resultado negativo consecutivo, o ritmo de queda diminuiu (–2,2% em outubro, –2,7% em novembro). Essa retração, que teve perfil disseminado, atingindo três das quatro categorias de uso e a maior parte (16) das 27 atividades, 40 dos 76 subsetores e 54% dos 755 produtos pesquisados, reflete em parte o efeito calendário, dado que dezembro de 2011 teve um dia útil a menos (22 dias) que dezembro do ano anterior (23 dias).

No corte trimestral, a indústria registrou variações negativas tanto na comparação com o trimestre imediatamente anterior, descontados os efeitos da sazonalidade, quanto frente a igual trimestre do ano anterior. Na passagem do terceiro para o quarto trimestre, o nível da produção industrial diminuiu 1,4%, registrando, na série sazonal, a terceira variação negativa consecutiva. Na comparação com o quarto trimestre de 2010, a indústria recuou 2,0%, assinalando a primeira taxa negativa desde o terceiro trimestre de 2009 (–8,2%).

Em ambas as bases de comparação, as quatro categorias de uso sinalizaram igualmente variações negativas no último trimestre do ano. Na série dessazonalizada, os recuos mais acentuados na passagem do terceiro para o quatro trimestre foram verificados nos setores produtores de bens de capital (–3,7%) e bens de consumo duráveis (–3,3%). Frente ao quarto trimestre de 2010, a retração mais acentuada ocorreu no setor de bens de consumo duráveis (–9,4%).

Em 2011, o setor industrial brasileiro registrou ligeiro acréscimo de 0,3% na comparação com o ano de 2010. Esse resultado pífio ficou, certamente, abaixo de qualquer projeção feita no início daquele ano. Em última instância, o que levou a indústria a ter tão parco desempenho foram fatores que hoje são indiscutíveis, como a perda de competitividade frente aos bens importados, a qual se deveu ao elevado custo de se produzir no Brasil e ao câmbio valorizado. Não havendo progresso nessas duas áreas pouco se pode esperar em termos de uma recuperação sólida do setor. É verdade também que a indústria refletiu o menor vigor da economia brasileira decorrente da elevação da taxa de juros e das medidas macroprudenciais do Governo iniciadas já no final de 2010 – assim como ocorreu com os demais setores – e o momento difícil pelo qual atravessam as principais economias do mundo, notadamente as da Europa.

Em 2012, a indústria estará em uma encruzilhada. Por um lado, se valerá das medidas de aquecimento da economia que o Governo vem tomando. Isso a levará a obter melhores resultados. No entanto, somente isso poderá não ser suficiente, porque os entraves competitivos para as empresas brasileiras dificilmente serão superados no curto prazo, exceto se o Governo se empenhar fortemente em reformas e em medidas adicionais. A indústria deve redobrar ainda seu esforço de obter maior produtividade, fazendo mais investimentos em capital – que, em geral, aportam novas tecnologias – e qualificando sua mão-de-obra. É o que cabe às empresas brasileiras. Ao Governo, por fim, cabe executar um amplo programa de aumento da produtividade em toda a economia brasileira.

No que se refere ao grau médio de utilização da capacidade instalada, o indicador dessazonalizado calculado pela FGV para a indústria de transformação registrou ligeiro incremento em dezembro, subindo para 83,4% (+0,1 pontos percentuais). Refletindo a redução dos estoques, o grau de utilização voltou a se elevar em janeiro de 2012, quando atingiu 83,7% (+0,3 p.p).

Na comparação da indústria de transformação brasileira com os de economias com semelhante grau de desenvolvimento, observa-se que, com a retração de 1,4% em dezembro frente igual mês de 2010, o desempenho da produção manufatureira brasileira contrasta com os resultados positivos registradas pelas indústrias da quase totalidade dos demais países da amostra, com para Rússia (4,0%) e Argentina (2,1%) também em dezembro. Único país com desempenho industrial pior do que o brasileiro é a Tailândia (–25,8% em dezembro), fortemente atingido por severas inundações nos meses de outubro e novembro de 2011.

 
Desempenho da Indústria.
Em dezembro de 2011, a produção industrial física brasileira avançou 0,9% na passagem de novembro para dezembro, descontados os efeitos sazonais. Após ligeiro incremento de 0,2% em novembro (dado revisto), essa alta da atividade industrial teve perfil disseminado de taxas positivas, alcançando todas as categorias de uso e a maioria (16) dos 27 ramos pesquisados, com destaque para veículos automotores (5,2%) e alimentos (3,9%).

Frente a dezembro de 2010, a indústria registrou queda de 1,2%. Embora seja o quarto resultado negativo consecutivo, o ritmo de queda diminuiu (–2,2% em outubro, –2,7% em novembro). Essa retração que teve perfil disseminado, atingindo três das quatro categorias de uso e a maior parte (16) das 27 atividades, 40 dos 76 subsetores e 54% dos 755 produtos pesquisados, reflete em parte o efeito calendário, dado que dezembro de 2011 teve um dia útil a menos (22 dias) que dezembro do ano anterior (23 dias).

No corte trimestral, a indústria geral registrou variações negativas tanto na comparação com o trimestre imediatamente anterior, descontados os efeitos da sazonalidade, quanto frente a igual trimestre do ano anterior. Na passagem do terceiro para o quarto trimestre, o nível da produção industrial diminuiu 1,4%, registrando, na série sazonal, a terceira variação negativa consecutiva. Na comparação com o quarto trimestre de 2010, a indústria recuou 2,0%, assinalando a primeira taxa negativa desde o terceiro trimestre de 2009 (–8,2%).

O setor industrial encerrou o ano de 2011 com ligeiro acréscimo de 0,3% na comparação com o ano de 2010, refletindo a expansão na produção de duas das quatro categorias de uso, 15 dos 27 setores, 40 dos 76 subsetores e 48% dos 755 produtos investigados pelo IBGE. Esse resultado, bem abaixo do registrado em 2010 (10,5%), foi o pior desde 2003, se for desconsiderada a contração de 7,4% de 2009, reflexo da crise global. Essa pequena variação positiva foi obtida no primeiro semestre do ano, quando a indústria acumulou alta de 1,7% contra igual período do ano anterior, uma vez que no segundo semestre com a desaceleração do setor, o nível de produção encolheu –1,0%.

As demais classes da indústria voltaram a registrar resultados divergentes em dezembro tanto na série dessazonalizada como na série mensal. Na passagem de novembro a dezembro, a indústria de transformação assinalou alta de 1,1%, enquanto a indústria extrativa mineral recuou 0,4%. Na comparação com dezembro de 2010, o nível de produção da indústria de transformação caiu 1,4% enquanto a indústria extrativa mineral avançou 2,1%.

Também nas séries trimestrais, os resultados das demais classes da indústria foram divergentes. A indústria de transformação retraiu no quarto trimestre de 2011 tanto frente ao terceiro trimestre (–1,7%, descontados os efeitos sazonais) como frente ao quarto trimestre de 2010 (–2,3%). Em contraste, em ambas as bases de comparação, a indústria extrativa mineral registrou crescimento: 2,5% frente ao terceiro trimestre de 2011 e 2,0% frente ao quarto trimestre de 2010.

No ano de 2011, ambas as classes da indústria registraram variação positiva. Na comparação com o ano de 2010, a indústria de transformação registrou ligeiro incremento de 0,2% enquanto a indústria extrativa mineral elevou a produção em 2,1%.

Os resultados da indústria em dezembro foram ruins. O pífio desempenho do setor industrial brasileiro em 2011 ficou, certamente, abaixo de qualquer projeção feita no início daquele ano. Em última instância, o que levou a indústria a ter tão parco dinamismo foram fatores que hoje são indiscutíveis, como a perda de competitividade frente aos bens importados, a qual se deveu ao elevado custo de se produzir no Brasil e ao câmbio valorizado. Não havendo progresso nessas duas áreas pouco se pode esperar em termos de uma recuperação sólida do setor. É verdade também que a indústria refletiu o menor vigor da economia brasileira decorrente da elevação da taxa de juros e das medidas macroprudenciais do Governo iniciadas já no final de 2010 – assim como ocorreu com os demais setores – e o momento difícil pelo qual atravessam as principais economias do mundo, notadamente as da Europa.

Em termos das categorias de uso, o bom desempenho do setor produtor de bens de capitais no ano, com crescimento de 3,0%, sinaliza que os investimentos na economia continuaram relativamente firmes. Porém, o baixo dinamismo do setor produtor de bens intermediários, de maior peso na estrutura industrial brasileiro e que funciona como “termômetro” do setor industrial como um todo, é preocupante. A alta de apenas 0,3% no ano indica que as compras dentro da indústria estão muito fracas – em grande parte isso decorre da importação de bens intermediários.

O fato é que o desempenho da indústria em 2011 dependeu mais da evolução dos segmentos produtores de commodities, como os das Indústrias extrativas, cuja produção cresceu 2,1% em 2011, e como os de derivados de petróleo e de celulose e papel. Já os segmentos mais tradicionais da indústria brasileira – e grandes contratantes de mão-de-obra – amargaram quedas acentuadas em 2011, como o Têxtil (–14,9%), o de Calçados e artigos de couro (–10,4%), o de Vestuário e acessórios (–4,4%) e, em menor proporção, o de Borracha e plástico (–1,3%) e o de Madeira (–0,9%). O agravante da evolução da produção em 2011 é que, em qualquer comparação, ela vem desacelerando, ou melhor, vem se retraindo nos últimos trimestres.

Em 2012, na avaliação do IEDI, a indústria estará em uma encruzilhada. Por um lado, se valerá das medidas de aquecimento da economia que o Governo vem tomando. Isso a levará a obter melhores resultados. No entanto, somente isso poderá não ser suficiente, porque os entraves competitivos para as empresas brasileiras (câmbio valorizado, carências de infraestrutura e logística, elevada carga tributária e alto custo do capital) dificilmente serão superados no curto prazo, exceto se o Governo se empenhar fortemente em reformas e em medidas adicionais. A indústria deve redobrar ainda seu esforço de obter maior produtividade, fazendo mais investimentos em capital – que, em geral, aportam novas tecnologias – e qualificando sua mão-de-obra. É o que cabe às empresas brasileiras. Ao Governo, por fim, cabe executar um amplo programa de aumento da produtividade em toda a economia brasileira.
 


 

 

 


Resultados por Categoria de Uso. Em dezembro, descontados os efeitos sazonais, todas as quatro categorias de uso apresentaram aumento na comparação com o mês imediatamente anterior. As taxas de crescimento mais expressivas foram registradas pelos setores de bens de consumo duráveis (7,0%), impulsionado pela forte expansão da indústria automobilística, e de bens de capital (3,7%). Abaixo da média global da indústria, os setores consumo semiduráveis e não duráveis e de bens intermediários registraram incrementos mais modestos na comparação com o mês de novembro: 0,5% e 0,2% respectivamente

Na comparação com dezembro de 2010, três das quatro categorias de uso registraram queda no nível de produção. A taxa negativa mais elevada foi registrada pelo setor produtor de bens de consumo duráveis (–5,5%) pressionado principalmente pela menor fabricação de automóveis (–10,3%), vindo a seguir as influências negativas de telefones celulares (–5,4%), eletrodomésticos da “linha marrom” (–5,5%) e motocicletas (–5,6%). Nessa categoria de uso, os principais resultados positivos vieram da maior produção de eletrodomésticos da “linha branca” (3,5%) e de artigos do mobiliário (2,5%).

Também registraram variação negativa, abaixo, contudo, da média global da indústria (–1,2%), os segmentos de bens intermediários (–0,6%) e de bens de consumo semi e não duráveis (–0,9%). No setor produtor de bens intermediários, o de maior peso, na estrutura industrial, as pressões negativas resultaram da menor fabricação dos produtos associados às atividades de refino de petróleo e produção de álcool (–3,6%), têxtil (–20,2%), borracha e plástico (–7,7%), alimentos (–2,9%), minerais não metálicos (–2,5%) e metalurgia básica (–0,1%). Já as contribuições positivas foram registradas por indústrias extrativas (2,2%), celulose e papel (2,9%), veículos automotores (3,6%), produtos de metal (3,3%) e outros produtos químicos (0,5%). Nessa categoria de uso, vale menciona também as expansões observadas nos grupamentos de insumos para construção civil (1,5%) e de embalagens (1,3%).

A produção de bens de consumo semi e não duráveis foi pressionada pelos grupamentos de semiduráveis (–12,7%), outros não duráveis (–2,9%) e de carburantes (–6,1%), influenciados especialmente pela menor produção de calçados de material sintético e de couro de uso feminino, no primeiro grupo, livros e medicamentos, no segundo, e álcool e gasolina, no último. O grupamento de alimentos e bebidas elaborados para consumo doméstico (4,4%) exerceu o impacto positivo nessa categoria de uso, impulsionado principalmente pelos avanços na fabricação dos itens sucos concentrados de laranja, bombons, cervejas, chope e maionese.

Ainda na comparação com dezembro de 2010, o setor produtor de bens de capital (0,1%) foi o único que registrou resultado positivo entre as categorias de uso. A principal influência positiva foi o subsetor de bens de capital para transportes, que expandiu 17,5%, apoiado em grande parte na maior produção de caminhões, caminhão-trator e chassis com motor para ônibus e caminhões. Vale destacar também a expansão de 35,1% observada em bens de capital agrícola. Os demais subsetores mostraram queda na produção: bens de capital para energia elétrica (–20,6%), para uso misto (–4,7%), para construção (–25,1%) e para fins industriais (–0,9%).

No corte trimestral, as quatro categorias de uso sinalizaram variações negativas no último trimestre do ano. Na série dessazonalizada, os recuos mais acentuados na passagem do terceiro para o quatro trimestre foram verificados nos setores produtores de bens de capital (–3,7%) e bens de consumo duráveis (–3,3%), enquanto os setores de bens semiduráveis e não duráveis (–1,2%) e de bens intermediários (–0,2%) registram variações negativas inferiores a da média da indústria (–1,4%).

Frente ao quarto trimestre de 2010, a retração mais acentuada ocorreu no setor de bens de consumo duráveis (–9,4%). Todos os demais segmentos registraram recuos inferiores ao da média da indústria (–2,0%): –1,5% bens de consumo semiduráveis e não duráveis, –1,4% bens de capital e –0,8% bens intermediários.

No ano de 2011, apenas duas das quatro categorias de uso acumularam aumento de produção na comparação com o ano anterior. Com crescimento bem acima da média da indústria (0,3%), o setor produtor de máquinas e equipamentos apresentou maior dinamismo (3,3%), impulsionado em grande parte pelas expansões observadas em bens de capital para equipamentos de transporte, para construção e para fins industriais. Já o segmento produtor de bens intermediários registrou avanço modesto de 0,3%, em linha com a indústria geral. A produção de bens de consumo duráveis, com queda de 2,0%, assinalou a redução mais intensa entre as categorias de uso, pressionada principalmente pela menor fabricação de automóveis, enquanto o setor de bens de consumo semiduráveis e não duráveis recuou 0,2%.
 

 

 

 

 


Por Dentro da Indústria de Transformação. Na passagem de novembro a dezembro, descontados os efeitos sazonais, a indústria geral registrou aumento de 0,9% enquanto a indústria de transformação avançou 1,1%, refletindo as taxas positivas em 16 dos 27 ramos pesquisados. A principal influência positiva sobre o total da indústria originou-se no ramo de veículos automotores (5,2%), que após recuar 13,0% em setembro de 2011, por conta da concessão de férias coletivas em várias empresas do setor, assinalou o terceiro resultado positivo seguido, acumulando expansão de 11,3% nesse período. Ressaltam-se também os impactos positivos registrados por alimentos (3,9%); equipamentos de instrumentação médico-hospitalares, ópticos e outros (16,8%); máquinas, aparelhos e materiais elétricos (6,4%); máquinas e equipamentos (2,1%); outros equipamentos de transporte (2,4%); e celulose e papel (1,3%). Por outro lado, entre as 11 atividades com queda na produção, as principais influências para a média global foram verificadas em edição e impressão (–4,0%), vestuário e acessórios (–9,4%), têxtil (–4,6%), produtos de metal (–2,0%) e borracha e plástico (–1,8%).

Na comparação com dezembro de 2010, a indústria geral registrou queda de 1,2% enquanto a indústria de transformação recuou 1,4%. Esse desempenho negativo teve perfil disseminado, atingindo a maior parte (16) das 27 atividades, 40 dos 76 subsetores e 54% dos 755 produtos pesquisados. Os impactos negativos de maior importância na formação do índice global vieram de edição e impressão (–8,9%), têxtil (–17,5%), máquinas para escritório e equipamentos de informática (–16,0%), refino de petróleo e produção de álcool (–4,4%), borracha e plástico (–7,2%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (–8,3%), vestuário e acessórios (–21,6%) e calçados e artigos de couro (–19,6%). Nessas atividades segundo o IBGE, os destaques foram, respectivamente, a menor fabricação dos itens: livros, jornais e revistas; fios e tecidos de algodão; computadores e peças e acessórios para processamento de dados; álcool e naftas para petroquímica; pneus para automóveis, caminhões e ônibus; motores elétricos e transformadores; vestidos, calças compridas de uso feminino e camisas de malha de uso masculino; e calçados de material sintético e de couro de uso feminino e tênis de couro.

Dentre os 11 ramos que registraram crescimento na produção, a principal pressão sobre a média da indústria ficou com o setor de alimentos (4,6%), impulsionado em grande parte pela expansão em aproximadamente 60% dos produtos investigados no setor, com destaque para a maior produção de sucos concentrados de laranja. Mencionem-se ainda as contribuições positivas assinaladas por equipamentos de instrumentação médico-hospitalares, ópticos e outros (20,3%), veículos automotores (2,1%), celulose e papel (4,6%), bebidas (2,9%) e indústrias extrativas (2,1%), influenciados em grande parte pelos avanços na fabricação dos itens controladores lógicos programáveis, no primeiro setor, caminhão-trator para reboque e semi-reboque, caminhões e chassis com motor para ônibus e caminhões, no segundo, fraldas descartáveis, no terceiro, preparações em xarope e em pó para elaboração de bebidas, cervejas e chope, no quarto, e minérios de ferro no último.

Na série mais desagregada, entre os 40 subsetores que registram menor produção na comparação com dezembro de 2010, os recuos mais expressivos foram registrados em na produção de álcool (–41,6%), beneficiamento e tecelagem de fibras têxteis naturais (–30,9%), fabricação e refino de açúcar (–26,7%), calçados (–23,8%), vidros e produtos de vidro (–21,6%), material elétrico para veículos (–21%), equipamento para produção e distribuição de energia (–19%), máquinas e equipamentos para extração mineral e construção civil (–17%). Em contraposição, entre os 36 subsetores com alta de produção, destacam-se pela magnitude dos aumentos: suco e concentrados de frutas (135%), tubos de ferro e aço com costura (–57,7%), caminhões e ônibus (43,6%), estruturas metálicas e obras de calderaria pesada (45,1%), tratores e máquinas agrícolas (31,4%), outros eletrodomésticos (21%), carrocerias e reboques (19,2%).

No ano de 2011, a indústria geral acumulou ligeira alta de 0,3% enquanto a indústria de transformação cresceu meros 0,2%. Esse fraco resultado refletiu aumento da produção em 15 dos 27 setores, 40 dos 76 subsetores e 48% dos 755 produtos investigados pelo IBGE. Os impactos positivos mais expressivos sobre a média global vieram de veículos automotores (2,4%) e de outros equipamentos de transporte (8,0%), seguidos por indústrias extrativas (2,1%), minerais não metálicos (3,2%), equipamentos de instrumentação médico-hospitalares, ópticos e outros (11,4%), produtos de metal (2,6%) e fumo (13,4%). Em termos de produtos, os destaques nesses ramos foram, respectivamente, caminhões, caminhão-trator, veículos para transporte de mercadorias e chassis com motor para ônibus e caminhões; aviões e motocicletas; minérios de ferro; ladrilhos e placas de cerâmica, cimentos “Portland” e massa de concreto; relógios de pulso; estruturas de ferro e aço; e fumo processado. Dentre os 12 ramos com queda na produção, os principais destaques foram têxtil (–14,9%), outros produtos químicos (–2,1%), calçados e artigos de couro (–10,4%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (–3,7%), pressionados respectivamente pela menor fabricação dos itens: tecidos, fios e toalhas de banho, rosto e mãos de algodão; herbicidas para uso na agricultura; calçados de material sintético e de couro para uso feminino, e tênis de couro; e transformadores e motores elétricos.

Na série mais desagregada, as variações positivas mais expressivas foram registradas tubos de ferro e aço (32,5%), caminhões e ônibus (17,9%), outros veículos e equipamento de transporte (16,1%) e beneficiamento de arroz (14,5%). Em contraste, dentre os 36 subsetores com diminuição no nível de produção, acumulam as maiores quedas no ano de 2011: álcool (–22,8%), beneficiamento e tecelagem de fibras têxteis naturais (–17,2%), defensivos agrícolas (–14,3%), outros artefatos têxteis (–14,2%) e calçados (–12,5%).
 

 

 

 

 

Tabela: Produção Física - Subsetores Industriais
Variação % em Relação ao Mesmo Mês do Ano Anterior (clique aqui)



Utilização de Capacidade. Em dezembro, o nível médio de utilização de capacidade instalada na indústria de transformação, com ajuste sazonal, apurado pela FGV, registrou ligeiro incremento, subindo para 83,4% (+0,1 pontos percentuais). Refletindo a redução dos estoques, o grau de utilização voltou a se elevar em janeiro de 2012, quando atingiu 83,7% (+0,3 p.p).
 

 


Comparação Internacional: Brasil e Países Selecionados. A despeito das diferenças metodológicas e defasagem, o cotejo do resultado da indústria brasileira com a indústria dos países membros da OCDE e de economias periféricas com grau semelhante de desenvolvimento é sempre muito ilustrativo.
 
No confronto com o mês imediatamente anterior, descontados os efeitos sazonais, a indústria brasileira registrou incremento de 0,9% em dezembro. Esse desempenho do setor fabril brasileiro foi melhor do que o verificado na maioria (11) dos países da amostra, com destaque para redução no nível de produção das indústrias da Coreia do Sul (–0,4%), Estados Unidos (–0,2%) e área do Euro (–0,1%), ambos na passagem de outubro a novembro. No sentido oposto, registrou variação positiva mais expressiva frente ao mês imediatamente anterior, a indústria da Polônia, que avançou 1,5% em novembro frente ao mês de outubro.

Na comparação da indústria de transformação brasileira com os de economias periféricas com semelhante grau de desenvolvimento, observa-se que com a retração de 1,4% em dezembro frente igual mês de 2010, o desempenho da produção manufatureira brasileira contrasta com os resultados positivos registradas pelas indústrias da quase totalidade dos demais países da amostra, com para Rússia (4,0%) e Argentina (2,1%) também em dezembro. Mencione-se ainda a alta de 6,6% registrada em novembro pela indústria manufatureira da Índia. Único país com desempenho industrial pior do que o brasileiro é a Tailândia (–25,8% em dezembro), fortemente atingido por severas inundações nos meses de outubro e novembro de 2011.