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                          Carta IEDI

                          Edição 502
                          Publicado em: 13/01/2012

                          Na Indústria, Produção Fraca Começa a Retrair Emprego

                          Sumário

                          A desaceleração da produção da indústria brasileira chegou a um ponto que seus reflexos negativos já são observados no seu número de ocupados no final de 2011. Após longa estagnação, o emprego industrial começou a apresentar taxas de variação negativas no último quadrimestre do ano passado. Antes mesmo de analisarmos os dados do emprego, vejamos os números da produção industrial. Os dados desagregados da indústria por região, segundo o IBGE, mostram que o aumento de 0,3% registrado na produção industrial em novembro decorreu de uma recuperação das atividades produtivas nos três principais centros industriais do País, quais sejam: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Neste último estado, a produção cresceu 4,6% em novembro com relação a outubro – com ajuste sazonal – e, no Rio de Janeiro e em São Paulo, os aumentos foram de 3,9% e 1,9%, respectivamente.

                          Se ocorreu alguma recuperação na margem nesses estados do sudeste, o mesmo não se pode dizer ao se comparar novembro de 2011 a igual mês de 2010. No estado paulista, a produção de novembro ficou 4,9% abaixo da registrada em novembro de 2010, aprofundando o desempenho ruim observado em setembro (–3,9%) e outubro (–4,5%) – taxas de variação com relação ao mesmo mês do ano anterior. No Rio, a produção havia caído 1,5% em outubro e voltou a cair esse mesmo percentual em novembro. Em Minas, houve aumento em novembro (2,8%), mas ele não pode ser tão comemorado, pois sucedeu quatro quedas e algumas muito fortes: –0,2% em julho; –0,6% em agosto; –5,8% em setembro; e –3,6% em outubro.

                          O fato é que a indústria desses estados e a indústria em geral estão perdendo dinamismo. No terceiro trimestre de 2011 frente ao mesmo trimestre de 2010, a produção da indústria brasileira foi nula e, no acumulado dos dois primeiros meses do quarto trimestre (outubro e novembro) com relação a igual período de 2010, ela foi 2,4% menor. Esse comportamento pode ser observado em várias regiões do País. Por exemplo, em São Paulo, a produção passou de –0,2% no terceiro trimestre para –4,7% no acumulado outubro-novembro; no Rio, de –0,3% para –1,5%.

                          Como resultado dessa perda de ritmo da indústria, sobretudo no segundo semestre de 2011, a produção industrial acumulou aumento de somente 0,4% entre janeiro e novembro, muito devido aos desempenhos decepcionantes da atividade fabril nos estados de São Paulo (0,5%), Minas Gerais (0,6%) e Rio de Janeiro (0,8%).

                          Também é importante registrar, o momento ruim pelo qual a produção industrial da Região Nordeste vem passando. Ela continua sofrendo forte retração (–2,9% em novembro frente a outubro, com ajuste sazonal, e –4,8% no acumulado dos onze primeiros meses de 2011), sobretudo em decorrência da diminuição da produção dos segmentos têxtil, refino de petróleo, produtos químicos, motores elétricos e metalurgia.

                          A consequência, como dito acima, é que o nível de emprego começou a cair na indústria. De acordo com dados do IBGE, o número de ocupados na indústria brasileira caiu 0,1% em novembro, após recuos de 0,4% e 0,5% em setembro e outubro, respectivamente – todas as taxas de variação relativas ao mês imediatamente anterior com ajuste sazonal. Na comparação com igual mês de 2010, o emprego industrial também recuou em novembro (–0,5%), segunda taxa negativa e consecutiva – em outubro, a queda foi de 0,3%.

                          Como o IEDI vem observando, o emprego industrial, após permanecer estagnado por um ano – de agosto de 2010 a agosto de 2011 –, começou a refletir, no último quadrimestre do ano passado, o desempenho fraco e em nítida desaceleração da produção industrial visto em praticamente todo o ano de 2011.

                          O cenário mais adverso e mais preocupante do emprego industrial está em São Paulo. Nesse estado, o número de ocupados caiu 3,7% em novembro de 2011 frente a igual mês de 2010, resultado das taxas negativas observadas em quinze dos seus dezoito setores pesquisados pelo IBGE, com destaque para os recuos do emprego nas indústrias de borracha e plástico (–11,9%), de alimentos e bebidas (–3,9%), de produtos de metal (–6,5%), de calçados de couro (–15,9%), de vestuário (–5,8%) e de metalurgia básica (–9,0%). Essa retração do emprego da indústria paulista vem ocorrendo desde abril do ano passado e, pior, ela vem aumentando: –1,6%, –2,0% e –3,5% em agosto, setembro e outubro, nessa ordem.

                          Por outro lado, quem vem colaborando mais para o aumento do emprego, ou ainda, quem vem contrabalançando a queda do emprego em São Paulo são os estados do Rio Grande do Sul, do Paraná e, em maior medida, de Minas Gerais. No acumulado do ano até novembro, o emprego industrial cresceu 3,0% em Minas (sobretudo devido ao desempenho das indústrias de Metalurgia, Fabricação de Meios de Transporte e de Máquinas e Equipamentos), uma taxa de variação bem acima da média nacional (1,1%) e em direção oposta à de São Paulo (–1,1%).

                          O emprego industrial em geral deixou de resistir e se alinha com a perda de ritmo da produção. E essa perda de resistência está muito atrelada aos recuos nas expectativas dos empresários industriais registrados por pesquisas da CNI e da FGV a partir, sobretudo, do segundo trimestre de 2011. O ambiente de negócios ficou menos favorável para a indústria tanto no mercado interno, dada a grande concorrência do produto importado facilitada pelo real valorizado, como no externo, devido às incertezas com relação às economias do euro e americana.

                          Para dezembro de 2011 e início de 2012, o emprego industrial possivelmente continuará mantendo essa tendência de queda, porque as condições que estão afetando negativamente a indústria – além do câmbio, os elevados custos de produção decorrentes das carências de infraestrutura, de fontes de financiamento de longo prazo, da alta carga tributária, etc. – ainda estão postas.

                           
                          Produção Industrial Regional. De acordo com dados divulgados pela Pesquisa Industrial Mensal Regional do IBGE, na passagem de outubro para novembro a produção industrial cresceu em oito dos catorze locais pesquisados. As maiores altas ficaram por conta dos estados de Goiás (11,6%), Paraná (5,4%) e Espírito Santo (4,7%). Acompanhou tal tendência os estados de Minas Gerais (4,6%), Rio de Janeiro (3,9%), São Paulo (1,9%), Santa Catarina (1,6%) e Pará (0,5%). Já os estados da Bahia (–6,4%), Amazonas (–3,0%), região Nordeste (–2,9%), Pernambuco (–2,4%), Rio Grande do Sul (–1,3%) e Ceará (–0,3%) apresentaram movimento contrário, isto é, apresentaram queda da produção industrial na passagem de outubro para novembro.

                          Na comparação mês contra mesmo mês do ano anterior, os estados de Santa Catarina (–7,7%), Ceará (–6,8%), São Paulo (–4,9%), Bahia (–4,2%), Rio Grande do Sul (–3,4%) e região Nordeste (–2,6%) assinalaram quedas superiores à da média nacional (–2,5%). Os demais resultados negativos foram observados no Rio de Janeiro (–1,5%) e Pará (–1,0%). Por outro lado, os destaques positivos foram registrados nos estados do Goiás (13,3%) e Paraná (9,2%), que apontaram as expansões mais elevadas, seguidos por Espírito Santo (4,1%), Minas Gerais (2,8%), Pernambuco (1,9%) e Amazonas (0,5%).

                          A produção industrial acumulada entre janeiro e novembro apresentou crescimento em nove das quatorze localidades. As ampliações mais significativas no desempenho regional foram registradas pelos estados do Espírito Santo (6,9%), Goiás (6,2%), Paraná (5,6%) e Amazonas (4,0%). Pará (2,4%), Rio Grande do Sul (1,8%), Rio de Janeiro (0,8%), Minas Gerais (0,6%) e São Paulo (0,5%) completam os resultados positivos. Por outro lado, os estados cuja produção industrial apresentou queda nesse acumulado foram: Pernambuco (–0,4%), Bahia (–4,3%), Santa Catarina (–4,6%), região Nordeste (–4,8%) e Ceará (–12,1%).

                          A redução no ritmo de crescimento do setor industrial no índice acumulado nos últimos doze meses na passagem de outubro (1,3%) para novembro (0,6%) decorreu do comportamento negativo de cinco dos catorze locais pesquisados, com destaque para as quedas da produção nos estados do Ceará, que passou de –11,6% para –11,9%, e Santa Catarina, de –3,0% para –3,9%. Por outro lado, os estados que obtiveram alta em seu crescimento foram: Goiás (6,5%), Espírito Santo (5,2%), Paraná (5,2%), Amazonas (4,3%), Pará (3,3%), Rio Grande do Sul (1,6%), Minas Gerais (1,0%) e Rio de Janeiro (0,8%).

                          Goiás. Em novembro frente outubro, com dados já descontados dos efeitos sazonais, a produção industrial de Goiás apresentou avanço de 11,6%. No confronto com novembro de 2010, constatou-se avanço de 13,3%, taxa influenciada pelo setor de Produtos químicos (47,0%), Metalurgia básica (27,2%) e Alimentos e bebidas (1,4%). Em sentido oposto, o setor Extrativo obteve queda de (3,5%). No acumulado dos onze primeiros meses de 2011, a produção industrial obteve alta de 6,2%. O setor de: Produtos químicos (39,1%) apresentou alta em sua produção. Por outro lado, o setor de: Alimentos e bebidas (–3,5%) apresentou queda em sua produção.

                          Paraná. A partir de dados livres de efeitos sazonais observa-se que a indústria paranaense, na passagem de outubro para novembro, registrou crescimento de 5,4%. Na comparação novembro de 2011 contra igual mês de 2010, houve acréscimo de 9,2%, taxa influenciada pelo setor: veículos automotores (49%), edição e impressão (9,3%), refino de petróleo e produção de álcool (9,6%) e madeira (18,3%). Por outro lado, o setor de: alimentos (–9,0%), máquinas e equipamentos (–6,2%), celulose e papel (–5,6%) e outros produtos químicos (–12,3%), apresentaram queda em sua produção. Na comparação acumulada no ano, o estado registrou crescimento de 5,6%, taxa impulsionada pelos setores de: veículos automotores (28,1%), refino de petróleo e produção de álcool (13,1%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (16,2%) e madeira (8,9%). Por outro lado, os setores que apresentaram queda foram: edição e impressão (–12,2%) e máquinas e equipamentos (–5,4%).

                          Bahia. Em novembro, a indústria baiana apresentou queda de (6,4%), com dados livres de efeitos sazonais. Na comparação mensal (mês/ mesmo mês do ano anterior), o estado registrou queda de 4,2%, taxa impulsionada pelos setores de: refino de petróleo e produção de álcool (–28,1%), metalurgia básica (–12,4%), veículos automotores (–36,3%) e celulose e papel (–8,5%) apresentaram queda em seu crescimento. A produção industrial no período entre janeiro e novembro de 2011 atingiu (–4,3%), graças ao desempenho da indústria de: produtos químicos (–8,0%), refino de petróleo e produção de álcool (–8,2%) e metalurgia básica (–11,7%). Por outro lado, o setor de: alimentos e bebidas (7,5%) apresentou alta em seu crescimento.











                          Emprego Industrial. Em novembro, o emprego industrial recuou 0,1% em comparação ao mês imediatamente anterior na série livre de efeitos sazonais. Acompanhando o movimento de perda de ritmo da produção industrial, o emprego no setor registrou o terceiro recuo consecutivo. Na comparação mensal (mês/ mesmo mês do ano anterior), o contingente de trabalhadores no setor industrial atingiu decréscimo de 0,5%, a segunda taxa negativa nesta comparação. No acumulado entre janeiro e novembro de 2011 frente a igual período de 2010, o emprego fabril registrou alta de 1,1%. No acumulado nos últimos doze meses em relação a período imediatamente anterior, o emprego obteve acréscimo de 1,3%, comparativamente a 1,6% obtido em outubro.

                          Regionalmente, no confronto entre novembro de 2011 e novembro de 2010, o emprego industrial diminuiu em sete das quatorze regiões pesquisadas pelo IBGE. São Paulo (–3,7%) exerceu o maior impacto negativo na taxa global, seguido por Santa Catarina (–1,1%) e Ceará (–2,4%). Por outro lado, Paraná (5,3%), região Norte e Centro-Oeste (2,4%), Rio Grande do Sul (2,2%) e Minas Gerais (1,6%) apontaram as principais contribuições positivas sobre o total do pessoal ocupado.

                          No acumulado entre janeiro e novembro em comparação aos mesmos onze meses de 2010, dez localidades apresentaram aumento no contingente de pessoal ocupado, com destaque para Paraná (5,5%), Minas Gerais (3,0%), região Norte e Centro–Oeste (3,2%), Rio Grande do Sul (2,5%) e região Nordeste (1,5%). Por outro lado, São Paulo (–1,1%) exerceu a pressão negativa mais relevante.

                          Em termos setoriais, na comparação com mesmo mês do ano anterior, houve queda do emprego em onze dos dezoito ramos pesquisados pelo IBGE. Os segmentos que representaram as maiores contribuições negativas foram: calçados de couro (–8,2%), borracha e plástico (–6,4%), vestuário (–4,4%), madeira (–11,8%) e produtos de metal (–3,5%). Por outro lado, alimentos e bebidas (2,6%), meios de transporte (5,3%) e máquinas e aparelhos eletroeletrônicos de comunicações (5,6%) exerceram os principais impactos positivos sobre o total da indústria.

                          No acumulado no ano, o emprego industrial avançou em nove setores. As contribuições positivas mais significativas vieram de alimentos e bebidas (2,8%), meios de transporte (7,2%), máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (6,2%), máquinas e equipamentos (3,8%) e outros produtos da indústria de transformação (4,3%). Em contrapartida, os ramos de papel e gráfica (–7,9%), de calçados de couro (–4,7%), de madeira (–9,2%) e de vestuário (–3,0%) responderam pelos principais impactos negativos.

                          Número de Horas Pagas. O número de horas pagas obteve redução de 0,2% na passagem entre outubro e novembro na série livre dos efeitos sazonais, a terceira queda consecutiva. No confronto com o mesmo mês do ano anterior, a quantidade de horas pagas aos trabalhadores assinalou decréscimo de 1,6%. Regionalmente, os maiores impactos negativos vieram de São Paulo (–4,5%), Santa Catarina (–3,2%),região Norte e Centro-Oeste (–1,0%) e Ceará (–1,8%). Em termos setoriais, a queda se deu em doze das dezoito atividades pesquisadas, com destaque para calçados e couro (–9,4%), produtos de metal (–6,2%), vestuário (–5,2%), madeira (–12,2%), têxtil (–5,4%) e borracha e plástico (–4,6%). Na comparação acumulada no ano, houve ampliação no número de horas pagas de 0,6%, enquanto nos últimos doze meses, a variação foi de 0,9%.

                          Folha de Pagamento Real. No mês de novembro, a folha de pagamento real na indústria apresentou alta de 0,3% em relação ao mês anterior, na série livre dos efeitos sazonais, após dois meses de reduções. Frente a novembro de 2010, o resultado mantém-se positivo (2,1%). Esse desempenho deveu-se ao acréscimo da folha de pagamento real em doze das catorze localidades e doze dos dezoito setores pesquisados. Na comparação anual, essa variável cresceu 4,3% contra igual período de 2010, enquanto nos últimos 12 meses, a variação foi positiva em 4,5%.









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