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                          Análise IEDI

                          Indústria
                          Publicado em: 03/05/2013

                          Trimestre também reflete reveses nas exportações

                           
                          Após subir 2,7% em janeiro e cair 2,4% em fevereiro, a produção da indústria brasileira voltou a crescer em março (+0,7%). Esse resultado decorreu do desempenho positivo da produção em quase todos os grandes setores da indústria: bens de capital (0,7%), bens intermediários (0,8%) e bens de consumo duráveis (4,7%) – no setor de bens de consumo semi e não duráveis, a produção recuou 0,5% (todas as taxas calculadas com relação ao mês imediatamente anterior).

                          Embora não tenha sido um movimento generalizado (a produção aumentou, no mês de março com relação a fevereiro e com ajuste sazonal, somente em treze dos vinte e sete ramos da indústria pesquisados pelo IBGE), o desempenho supracitado dos grandes setores da indústria pode ser um sinal de que, em março, a indústria brasileira retomou o caminho de recuperação de seus níveis de produção, ou ainda, de que este mês marcou a entrada da indústria numa nova trajetória positiva de crescimento. A expectativa é de que a indústria mostre resultados mais robustos no segundo trimestre e alcance um crescimento de 2,5% no ano.

                          Cabe também olhar para trás, ou seja, observar o que aconteceu no primeiro trimestre deste ano, de acordo com os dados do IBGE. No geral, a produção industrial caiu 0,5% no acumulado dos três meses iniciais deste ano frente igual período de 2012 – vale lembrar que, no primeiro trimestre do ano passado, a produção havia caído 3,2%.

                          Esse resultado da produção industrial brasileira no primeiro trimestre deste ano reflete alguns fatores já bem conhecidos (a evolução fraca da economia doméstica e a forte concorrência dos bens importados) e um fator novo, que já se manifestara no ano passado e que permanece de modo evidente neste início de ano, qual seja: a retração das exportações de produtos típicos da indústria manufatureira.

                          De fato, segundo estudo do IEDI, as exportações de produtos industriais caíram 5,0% no primeiro trimestre deste ano. A falta de competitividade do produto industrial nacional nos mercados internacionais está contribuindo, e talvez neste momento de modo preponderante, para os resultados pífios da indústria observados nesses meses iniciais de 2013.
                           

                           
                          Segundo dados do IBGE, a indústria brasileira avançou 0,7% em março comparativamente ao mês anterior, na série com dados dessazonalizados. Na comparação com março de 2012, houve uma queda da produção industrial em 3,3%, após recuar 3,2% em fevereiro na mesma comparação. No acumulado do primeiro trimestre de 2013, a indústria brasileira assinalou queda de 0,5% e, no acumulado dos últimos 12 até meses até março frente a igual período imediatamente anterior, a produção industrial apresentou variação negativa de 2,0%.

                          Dentre as categorias de uso, na comparação com fevereiro, a produção de bens de consumo duráveis (4,7%) obteve a expansão mais elevada nesse mês. A produção de bens intermediários (0,8%) e de bens de capital (0,7%) também mostrou crescimento em março. O setor de bens de consumo semi e não duráveis (–0,5%) apontou o único resultado negativo entre as categorias de uso em março, segundo recuo consecutivo nesse tipo de confronto, acumulando perda de 2,9% nesse período.

                          No confronto com igual mês do ano anterior, registraram-se quedas na produção de bens de consumo semi e não duráveis (–8,2%), bens de consumo duráveis (–4,0%) e bens intermediários (–1,7%). A produção de bens de capital (9,8%) e de bens de consumo duráveis (1,0%) apresentou, por sua vez, crescimentos.

                          Em março frente a fevereiro, com dados dessazonalizados, foi verificado alta no nível de produção em 13 dos 27 ramos produtivos contemplados na pesquisa do IBGE. Os destaques positivos ficaram em veículos automotores (5,1%), refino de petróleo e produção de álcool (3,3%), máquinas para escritório e equipamentos de informática (11,9%), bebidas (4,6%), fumo (33,4%), mobiliário (11,0%) e borracha e plástico (2,7%). As principais pressões negativas sobre a média da indústria vieram de alimentos (–2,7%), outros equipamentos de transporte (–5,0%), produtos de metal (–4,4%), diversos (–7,3%) e outros produtos químicos (–1,0%).

                           

                           
                          Na comparação com o mesmo mês de 2012, a indústria recuou 3,3% em março último, com quedas em 21 das 27 atividades pesquisadas. Os principais impactos negativos ocorreram nas indústrias de alimentos (–7,9%), farmacêutica (–17,3%), extrativas (–7,1%) e de metalurgia básica (–7,3%). Outras contribuições negativas relevantes vieram de edição, impressão e reprodução de gravações (–8,4%), outros produtos químicos (–3,9%), bebidas (–5,7%), produtos de metal (–5,7%) e produtos têxteis (–8,6%). Entre as seis atividades que ampliaram a produção, a principal influência foi verificada em refino de petróleo e produção de álcool (10,1%).

                          No acumulado do primeiro trimestre, a produção industrial caiu 0,5%, com recuos em 17 dos 27 ramos investigados. Os principais impactos negativos foram observados em edição, impressão e reprodução de gravações (–10,2%), metalurgia básica (–6,9%), farmacêutica (–9,0%), alimentos (–3,1%), indústrias extrativas (–4,9%), produtos têxteis (–7,1%), máquinas e equipamentos (–2,0%) e fumo (–23,3%). Entre as 10 atividades que ampliaram a produção, os principais impactos foram em veículos automotores (12,7%), refino de petróleo e produção de álcool (7,2%) e de outros equipamentos de transporte (6,2%).

                           

                           

                           

                           

                           

                           

                           

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                          A economia brasileira ficou parada nos dois últimos trimestres do ano passado, registrando o semestre mais fraco desde a pandemia, enquanto o PIB da indústria voltou a se contrair.

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                          O ano de 2025 terminou com a indústria de volta ao vermelho, freada pelos ramos produtores de bens de capital e de consumo duráveis, mais sensíveis às elevadas taxas de juros.

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                          No 3º trim/25, teve continuidade a desaceleração do PIB brasileiro, com o consumo das famílias ficando praticamente estagnado, assim como o setor de serviços.

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                          A indústria brasileira caminha para encerrar 2025 quase sem crescimento, especialmente a indústria de transformação.

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                          Na conjuntura atual de elevadas taxas de juros, os avanços industriais tendem a ser pontuais, como indica o resultado de set/25, que anulou maior parte da expansão de ago/25.

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