IEDI na Imprensa - O Desafio de Ser Competitiva
O Desafio de Ser Competitiva
O Estado de São Paulo - 04/05/2013
Rogério César de Souza
A expectativa de que a indústria retomaria, de modo mais claro, suas atividades produtivas no primeiro trimestre deste ano foi frustrada. Segundo dados do IBGE, a produção industrial caiu 0,5% no acumulado dos três meses iniciais deste ano frente a igual período de 2012.
Vale lembrar que, após o crescimento pífio de 0,4% em 2011, a produção industrial recuou 2,6% no ano passado - com exceção de 1992 e 2009, anos em que o PIB brasileiro caiu, esse foi o pior resultado registrado na série histórica do IBGE, iniciada em 1992.
O que explica esse desempenho recente tão desfavorável da indústria? A produção industrial vem sofrendo com a fraca evolução da economia doméstica e a forte concorrência dos importados. Mas, há um novo fator, que já se manifestara em 2012 e que se tornou mais evidente neste início de ano: a retração das exportações de produtos típicos da indústria manufatureira.
De acordo com números do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), as exportações de produtos industriais caíram 5,0% no primeiro trimestre deste ano. Esse resultado é, por um lado, explicado pela recuperação ainda em ritmo lento das principais economias do mundo; por outro lado, ele também reflete a falta de competitividade do produto industrial nacional nos mercados internacionais.
Ou seja, a indústria brasileira está neste momento, e talvez de modo preponderante, sofrendo os reveses vindos do lado externo, sobretudo devido à pouca competitividade de seus produtos nos mercados de exportação.
O que esperar para este ano? Os dados do IBGE mostram um crescimento de 0,7% da produção industrial no mês de março - após expansão de 2,7% em janeiro e queda de 2,4% em fevereiro. Esse resultado decorreu do desempenho positivo da produção em quase todos os grandes setores da indústria.
Embora não tenha sido um movimento generalizado (a produção aumentou, em março ante fevereiro e com ajuste sazonal, somente em treze dos vinte e sete ramos da indústria pesquisados pelo IBGE), o desempenho dos grandes setores da indústria pode ser um sinal de que, em março, a indústria retomou o caminho de recuperação, ou ainda, de que o mês de março marcou a entrada da indústria numa nova trajetória positiva de crescimento. Se isso se confirmar, a expectativa é de que a produção industrial alcance um crescimento de 2,5% no ano - um resultado nada extraordinário, dada a retração de 2012. No entanto, permanece, para a indústria, o desafio de se tornar mais competitiva.
Rogério César de Souza e Economista do IEDI
