IEDI na Imprensa - No Bimestre, Produtividade Cresce Mais que os Salários na Indústria
No Bimestre, Produtividade Cresce Mais que os Salários na Indústria
Valor Econômico - 11/04/2013
Camilla Veras Mota e Luciana Bruno
A pesquisa de emprego e salário na indústria, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que o setor entrou em 2013 com menor pressão de salários e com ganhos de produtividade. A indústria encerrou o primeiro bimestre com um nível de emprego 1,2% inferior ao de igual período de 2012. Por isso, e também por menores concessões salariais, a folha de pagamentos real passou a exercer uma pressão menor sobre os custos do setor.
No começo de 2012, a folha de salários, aumentou 4,8% sobre o primeiro bimestre de 2011. Agora, o custo de salários mais benefícios avançou 1,6% no bimestre em comparação a igual período do ano passado, sempre em termos reais. A folha de pagamento por trabalhador também cresceu menos neste começo de ano: 2,8%, ante 5,5% no início do ano passado.
O resultado deste custo também mostra que, pela primeira vez no curto prazo, o valor da folha cresceu menos que a produtividade, que variou 3% na comparação entre janeiro e fevereiro deste ano em relação aos dois primeiros meses de 2012. No início do ano passado, o mesmo confronto mostrava perda de 2,3% na produtividade.
O resultado, apesar de positivo, ainda não anima os especialistas. Rogério César de Souza, economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), chama atenção para a composição do indicador, que é calculado, de maneira mais simples, pela razão entre a variação da produção industrial e das horas pagas. O crescimento "virtuoso", explica, acontece quando há aumento simultâneo das duas variáveis, mas em ritmo maior da primeira sobre a última. No acumulado do ano, ante os dois primeiros meses de 2012, porém, houve retração de 1,8% no número de horas pagas e avanço de 1,1% na produção.
"A produtividade foi garantida à custa do emprego. Isso indica geralmente que, quando houver recuperação da atividade, as contratações voltarão a acontecer e a produtividade tenderá a cair novamente", emenda Edgard Pereira, professor do Instituto de Economia da Unicamp. Para ele, esse movimento é importante porque reforça os sinais de que a indústria continua fazendo ajustes, na tentativa de calibrar seu crescimento. A diminuição da ocupação - de 1,5% no acumulado em 12 meses e de 1,2% no primeiro bimestre, contra mesmo período do ano anterior - também reforça o diagnóstico.
Nesse cenário, afirma, o crescimento da folha de pagamentos, de 1,6% em janeiro e fevereiro ante o início de 2012, é ainda herança das elevações generalizadas de salários que aconteceram no ano passado e deve perder fôlego nos próximos meses, diante das expectativas mais modestas de crescimento da economia. Isso explicaria também o ritmo mais lento de avanço, que chegou a 4,8% nos dois primeiros meses do ano passado.
Para Rogério Souza, do IEDI, o aumento do custo salarial diante da queda da ocupação, também indica uma tentativa da indústria de reter sua mão de obra qualificada, que tem sido seduzida pelos ganhos do rendimento médio real em outros setores, em especial o de serviços.
O emprego se manteve praticamente estável na indústria nos últimos meses. Teve variação negativa de 0,1% na média móvel trimestral encerrada em fevereiro e livre de influências sazonais. Para o economista do IEDI, essa estabilidade faz da variável atualmente um dos melhores termômetros para medir o nível de retomada da atividade industrial, especialmente diante dos resultados atípicos do índice de produção - alta de 2,6% janeiro e queda de 2,5% em fevereiro, ambas ante mês imediatamente anterior e dessazonalizadas. "Quando a retomada for mais consistente, o emprego reagirá a reboque e apresentará crescimento".
No confronto com fevereiro de 2012, a pesquisa indica que a redução de 1,2% na ocupação decorreu de uma queda em dez dos 14 locais que avalia. O resultado foi puxado pela região Nordeste, que contabilizou retração de 5,3%, ainda na comparação mensal, pressionada por taxas negativas em 13 dos 18 setores.
O aumento de 2,8% da folha de pagamento da indústria em fevereiro, na comparação com janeiro, ocorreu devido ao pagamento de participação nos lucros em setores como o extrativo e de transformação, informou o economista do IBGE, Fernando Abritta. "A alta da folha em fevereiro sobre janeiro pode ser atribuída à alta no setor extrativo (+2,5%), devido ao pagamento de participação nos lucros e resultados em algumas empresas. O setor de transformação também registrou alta de 1,7% na folha de pagamento", explicou.
